Patrick Stewart: Adeus ao nosso eterno Capitão e Professor
Ator deixa um legado icônico em dois dos maiores universos da cultura pop
Ao longo das seis décadas de história de Star Trek, o público precisou se despedir de figuras monumentais que moldaram o imaginário espacial. Agora, a ficção científica dá o seu adeus ao comandante mais admirado da Frota Estelar: aos 86 anos, Patrick Stewart nos deixou.
Com sólida formação na prestigiada Royal Shakespeare Company, Stewart conquistou a cultura pop ao encarnar Jean-Luc Picard e, anos depois, o Professor Charles Xavier na franquia X-Men. Ao lado de seu grande amigo de teatro, de vida e de ativismo pelos direitos LGBTQIA+, Ian McKellen, o ator ergueu a rivalidade clássica entre Xavier e Magneto, valendo-se do peso dramático e da imponência de suas vozes teatrais para criar um dos duelos mais memoráveis do cinema moderno.
O ator reprisou o líder dos mutantes em diferentes fases: encarnou o peso do envelhecimento no melancólico Logan, homenageou a versão clássica da animação dos anos 1990 em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e manteve seu nome gravado no panteão dos super-heróis. Para muitos, contudo, seu posto definitivo sempre será na ponte de comando da USS Enterprise.
Com a responsabilidade de revitalizar o universo concebido por Gene Roddenberry no hoje distante ano de 1987, com A Nova Geração, Stewart apresentou um contraponto sóbrio ao James T. Kirk de William Shatner. Diplomata, filósofo e estrategista de fala mansa, Picard privilegiava o diálogo antes de qualquer confronto bélico. O ponto de virada definitivo da série veio no icônico arco O Melhor de Dois Mundos, responsável pelo primeiro grande cliffhanger da saga: o pavor de ver seu comandante assimilado pelo coletivo Borg estarreceu os fãs e transformou a franquia para sempre.
A redenção de Picard contra os Borgs cimentou o ator no panteão definitivo da ficção científica. Não por acaso, mesmo após dezenas de novas produções, O Melhor de Dois Mundos e o longa-metragem Star Trek: Primeiro Contato (1996) continuam figurando no topo das melhores histórias já produzidas sob a bandeira de Jornada nas Estrelas.
Esse impacto nunca teria a mesma força sem maneirismos que ganharam vida própria, como a postura imponente ao ordenar um enfático “Engage!” ou o singelo pedido ao replicador por um “Chá. Earl Grey. Quente.”. No clímax dramático de Primeiro Contato, Stewart expôs toda a sua veia trágica ao evocar Moby Dick, equiparando a obsessão do capitão contra os invasores cibernéticos à caçada insana do Capitão Ahab.
Comandante severo em cena, homem de olhar terno e veia cômica afiada fora dela, Patrick Stewart transformava cada entrevista, painel ou encontro de bastidores com McKellen em uma aula de carisma. Ele foi nosso professor, nosso capitão, uma voz firme em causas humanitárias e um verdadeiro cavalheiro — condecorado como Cavaleiro da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II em 2010.
Como o próprio Jean-Luc Picard eternizou em Star Trek: Generations:
“Alguém já me disse que o tempo é um predador que nos persegue a vida toda. Eu prefiro acreditar que o tempo é um companheiro que viaja conosco, lembrando-nos de valorizar cada momento... porque ele nunca voltará.”
Faça uma boa viagem, Capitão.
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