Passaporte Para a Liberdade |  Por que minissérie da Globo foi gravada em inglês

Créditos da imagem: Divulgação/Globo

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Passaporte Para a Liberdade | Por que minissérie da Globo foi gravada em inglês

Antes chamada de “Anjo de Hamburgo”, a minissérie contará a história de Aracy de Carvalho, brasileira que montou um esquema para salvar judeus às portas da Segunda Guerra.

Henrique Haddefinir
11.12.2021
15h08
Atualizada em
11.12.2021
15h18
Atualizada em 11.12.2021 às 15h18

Qualquer busca que se faça sobre Aracy de Carvalho vai te levar até a primeira grande afirmação sobre ela: ela foi esposa do escritor Guimarães Rosa, que na época da Segunda Guerra também era vice-cônsul na Alemanha e que, com isso, possibilitou à esposa um cargo no consulado brasileiro no país. Foi de lá que, supostamente, Aracy montou um esquema secreto e começou a emitir passaportes para judeus que queriam fugir do regime nazista. Assim, ganhou o título de heroina, ou, como dizia o título da nova minissérie da Globo até setembro desse ano, “Anjo de Hamburgo”.

Passaporte Para a Liberdade começou a ser produzida antes da pandemia, parou por um ano quando ela começou e recomeçou em seguida. O diretor Jayme Monjardim (conhecido por produções com protagonistas femininas como Olga e Maysa), disse na coletiva de lançamento que essa é a consolidação de sua carreira: “Sempre digo que as histórias procuram seus contadores. Fico feliz de ter sido escolhido para contar histórias femininas tão importantes ao longo da minha carreira. A minissérie estrear nesse mês de dezembro nos faz pensar como é bom mostrar o exemplo de alguém que fez algo pelos outros sem pedir nada em troca”.

Aracy é vivida por Sophie Charlotte; e seu marido, Guimarães Rosa, por Rodrigo Lombardi. O elenco ainda conta com nomes internacionais como Peter Ketnath e Stefan Winert, que compõem a primeira grande parceria da Globo com um estúdio internacional. Razão pela qual a minissérie foi toda falada em inglês e será exibida com dublagem. “No meio do percurso a série passou do português para o inglês, pra possibilitar a parceria com a Sony”, contou Sophie na coletiva. “Foi um desafio, porque uma coisa é falar outra língua, outra coisa é atuar nela”.

 Enquanto Sophie afirmou ter devorado tudo que encontrou sobre Aracy, Rodrigo preferiu outra abordagem: “Eu me ative aos fatos. Preferi não me basear em prosódia e nem em material visual. Me ative aos fatos e construí o personagem baseado nisso”.

O João Guimarães Rosa que conheceu essa guerreira era 'só um cara'. Que, apaixonado por tudo que era apaixonado, chega [depois, ao Brasil] e se torna depois um dos maiores autores de todos os tempos. É impossível acreditar que ele tenha escrito tudo o que escreveu sem se lembrar do que viveu na Segunda Guerra. É de uma riqueza tamanha essa história”, completou ele.

Em meio à empolgação com o resultado final, paira sobre a produção a ameaça de contestação. Em Setembro desse ano vieram à tona evidências históricas de que o consulado brasileiro não interferiu em absolutamente nada e que Aracy nem mesmo teria condições de ceder passaportes para judeus, já que o consulado só emitia vistos. A “bomba” teria resultado na mudança de título, tirando de Aracy a denominação “anjo” e focando apenas na questão burocrática. Embora ninguém envolvido com a minissérie confirme a relação entre o título e a contestação, tudo parece ser uma coincidência grande demais.

O autor Mário Teixeira foi categórico a respeito: “As teorias de que não houve uma heroina são tão questionáveis quanto. Nós temos depoimentos importantes que são muito mais relevantes pra nós. Os atos dela transcenderam o trabalho de funcionária e se transformaram em uma saga humanitária. Espero que, a partir de hoje, Aracy passe a ser conhecida pelo seu próprio nome”. Tanto ele quanto Monjardim negaram qualquer influência que os novos registros pudessem ter no trabalho.

Passaporte Para Liberdade é a primeira produção da Globo em parceria com a Sony Pictures Televison, com criação de Mario Teixeira e escrita por Mario Teixeira e Rachel Anthony, com direção artística de Jayme Monjardim, direção de Seani Soares e produção de Samantha Santos, Mariana Pinheiro e Fabiana Moreno. A produção executiva é de Silvio de Abreu, Monica Albuquerque, Elisabetta Zenatti e Rachel Anthony.

A versão dublada vai ao ar a partir do dia 20, na Globo (com tecla SAP). As versões dublada e legendada também estarão disponíveis no Globoplay.

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