Os Testamentos dá a The Handmaid's Tale a roupagem mais leve do amadurecimento
Franquia retorna com série sequência estrelada por Chase Infiniti
The Handmaid's Tale foi uma das séries mais importantes da última década e chocou milhões de fãs ao redor do mundo ao levar para as telas do streaming o mundo distópico criado por Margaret Atwood. Nesta realidade, os Estados Unidos se transformaram em um governo teocrático chamado Gilead, onde as mulheres eram subjugadas pelos homens e perdiam todos os seus direitos. A protagonista June (Elisabeth Moss), auxiliada por uma resistência formada por mulheres e homens que discordavam do regime, lutou contra as forças de Gilead e conseguiu derrubar algumas de suas principais cidades, mas isso não foi o bastante para acabar com o novo governo. Os Testamentos, situada cinco anos depois da última temporada de The Handmaid's Tale, retoma essa história a partir da visão da primeira geração de jovens mulheres que cresceram sob este regime.
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No centro da história está Agnes Mackenzie (Chase Infiniti), filha adolescente de um Comandante que estuda em uma instituição preparatória para mulheres se tornarem Esposas. Ela, assim como suas colegas, foram criadas sob a nova era do regime de Gilead, onde ainda são devotas a Deus e precisam obedecer às regras teocráticas do governo. Sua vida muda com a chegada de Daisy (Lucy Halliday), uma convertida recém-chegada de fora das fronteiras que chega a Gilead com o discurso de acreditar no regime, mas que parece esconder vários segredos.
Não é necessário ter assistido The Handmaid's Tale para acompanhar os eventos de Os Testamentos, mas a nova série se preocupa em deixar o espectador ciente da atual situação de Gilead. A resistência Mayday, da qual June fazia parte, ainda luta para derrubar o governo e restaurar os Estados Unidos, e combates de luta armada aterrorizam algumas áreas do país, fazendo com que a segurança em torno das jovens seja muito pesada.
O sentimento de constante alerta causado pela guerra soma-se à repressão natural de Gilead, o que deixa jovens como Agnes ainda mais aprisionadas. O distanciamento de suas colegas é incentivado pois, na visão dos Comandantes, amizades entre mulheres podem resultar em traição, e principalmente, questionamentos. Mas Daisy, cuja criação ocorreu em um país livre, logo percebe que estes excessos estão longe de serem normais.
Apesar de a história ainda ocorrer em Gilead, a realidade de Os Testamentos é menos brutal do que a mostrada em The Handmaid's Tale. Por estar focado na vida destas jovens, grande parte da opressão ocorre fora da visão do espectador, dando espaço para que o spin-off trabalhe questões de amadurecimento muito mais do que a rebelião de June. Claro, a resistência ainda tem papel importante, mas os combates e torturas - físicas e psicológicas - dão lugar à descoberta da vida adulta destas jovens, mesmo que dentro de um sistema extremamento abusivo.
Essa descoberta, no entanto, também funciona como o abrir de olhos destas personagens para o que de fato acontece em Gilead. De certa forma, Os Testamentos reconta as histórias de The Handmaid's Tale com a diferença de ter um olhar mais juvenil do que a antecessora, mas não menos crítico e importante. Afinal, o que ainda move a narrativa é a luta pela liberdade e eventual derrota de Gilead.
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