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Only Murders in the Building traz ótima mistura de doçura e crime

Série com Selena Gomez, Martin Short e Steve Martin é o balanço perfeito entre comédia, emoção, mistério e sátira

Flávio Pinto
16.09.2021
16h43

Se um morador do seu prédio fosse assassinado, qual seria a sua reação? Opção "a", ligar para a polícia; opção "b", começar a procurar outro lugar para morar; ou opção "c", iniciar um podcast investigando o crime? No mundo real, acredito sem titubear que as alternativas "a" e "b" são as mais apropriadas e seguras. Mas no universo onde se passa Only Murders in the Building, nova série de sucesso do Hulu, e exibida no Brasil pelo Star+, três vizinhos bisbilhoteiros optaram pela última alternativa.

Co-criação de Steve Martin, a série combina a obsessão mundial por podcasts sobre histórias criminais com doçura, e aquela dose de humor que somente o grisalho comediante poderia oferecer em um roteiro original, como visto em O Panaca (1979) e, especialmente, tudo que envolve a versão mais recente de A Pantera Cor de Rosa. Na série, Martin vive Charles-Haden Savage, um ator cujo principal (e único) projeto de sucesso foi uma série de detetive durante os anos 1980. 

Morador solitário do edifício Arconia, ele é comumente visto como carrancudo e amargo. Especialmente por Oliver Putnam, diretor desemprego da Broadway e vivido por Martin Short (parceiro de muitas outras produções de Steve Martin). Embora pertençam ao mesmo universo, os vizinhos não se bicam, mas também não se importam com isso. O mesmo vale para a misteriosa Mabel Mora (Selena Gomez), que de vez em quando encontra os senhores no elevador, mas não se dá nem ao trabalho de cumprimentá-los. 

Tudo isso muda em uma noite em que acontece um incidente no edifício e a polícia pede para que todos os moradores evacuem o lugar. De repente, esse trio de desconhecidos que se encontra por acaso em um restaurante próximo ao prédio descobre uma paixão em comum: a obsessão por um podcast criminal chamado All is Not OK in Oklahoma, de Cinda Canning (com a voz emprestada de Tina Fey). Ao retornarem ao prédio e descobrirem que o incidente foi, na verdade, um homicídio brutal, os três se veem na obrigação de tentar transformar o ocorrido em um programa para a internet

Esse projeto parece ter sido talhado aos três vizinhos, como o público rapidamente descobre: Oliver está falido e precisa de dinheiro rápido, Charles está muito solitário e busca novos amigos, enquanto Mabel precisa de uma distração para uma vida sem propósito. Ao compôr personagens tridimensionais, as motivações apresentadas de cada um deles se mostram muito coerentes e verdadeiras. Não só isso, em poucos episódios também já conseguimos investir emocionalmente no trio. 

Embora seja uma comédia satírica, a criação de Martin e John Robert Hoffman (Grace and Frankie) é genuinamente carismática. Há uma doçura no conflito de gerações entre Mabel e seus vizinhos, como também há espaço para muito humor, embora o trio não esqueça que está convivendo com um assassino. Aliás, é aí que entra a brincadeira de verdade. Sabendo que não houve a entrada de nenhum desconhecido na noite do incidente, a cada episódio somos introduzidos a um morador diferente — e potencial suspeito.

Os personagens apresentados são esquisitos e hilários de forma inofensiva (pense em menos Twin Peaks e mais na linha dos assistentes da Murphy [Candice Bergen] em Murphy Brown). Aliás, embora estejamos a frente de uma série que, essencialmente, gira em torno de um homicídio brutal, tudo ao seu redor é engraçado e genuíno. A partir dessa perspectiva, a série cumpre bem seu objetivo e sem muito esforço. Nessa aventura de personagens amáveis buscando solucionar um mistério, é o público que ganha. 

Não à toa, Only Murders in the Building já é um grande sucesso e tem uma segunda temporada confirmada. Pensando bem, até que escolher a opção "c" do questionário lá do início foi tão ruim assim — pelo menos para nós. 

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