Séries e TV

Artigo

Omelista: Séries de TV que nunca passaram nas nossas telinhas - Comédia

Monty Python, Spaced, Black Books, Comfort Creatures e No Heroics

Marcelo Forlani
22.02.2011
01h42
Atualizada em
12.11.2016
11h06
Atualizada em 12.11.2016 às 11h06

O Omelete apresenta agora uma matéria em duas partes que destaca séries de TV em inglês que nunca foram exibidas na TV aberta do Brasil. Sim, estamos falando de produções que poucas pessoas tiveram contato até agora, mas que nós resolvemos apresentar aqui por um único motivo: você precisa conhecê-las!

Na edição anterior trouxemos as série dramáticas. Agora vamos às comédias:

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Monty Python's Flying Circus

Monty Python's Flying CircusComo diria o filósofo Jardel: "Clássico é clássico e vice-versa". E quando o assunto é comédia, nada é mais irretocável do que Monty Python's Flying Circus. O grupo de comediantes formado por John Cleese, Michael Palin, Graham Chapman, Terry Gilliam, Eric Idle e Terry Jones revolucionou não apenas a forma de se fazer humor na TV, como ditou regra para o mundo todo. Se não fosse o Monty Python não existiria Saturday Night Live nos Estados Unidos, nem TV Pirata no Brasil.

No ar por quatro temporadas, os ingleses abusaram do non-sense para fazer rir em esquetes que muitas vezes acabavam por ordem do apresentador que perdia a paciência ou com as vinhetas animadas de Terry Gilliam e seus pés e cabeças gigantes que engoliam ou pisoteavam pessoas. Entre os quadros mais famosos estão a "Piada Mais Engraçada do Mundo", o "Papagaio Morto", "Gangue das Velhinhas", a "Entrevista de Emprego", o "Ministério do Andar Esquisito" e, "Spam", provando o quanto os Python continuam importantes e impactantes mesmo nos dias de hoje.

Reunio Unido, 1969-1972. Direção: Ian MacNaughton. Elenco: John Cleese, Michael Palin, Graham Chapman, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones.

Spaced

SpacedUm casal se conhece em uma lanchonete e, por conveniência e economia, vai morar junto em um apartamento no norte de Londres, onde dividem o prédio com um artista plástico excêntrico e sua senhoria, e recebem constantes visitas dos amigos. Resumindo muito, muito, muito, Spaced é isso. Mas se fosse realmente só isso, não seria uma das séries inglesas recentes que mais tem fãs ao redor do mundo. O programa dirigido por Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) e estrelado e escrito por Simon Pegg e Jessica Stevenson é lotado de referências ao mundo pop, de Star Wars a Tomb Raider passando por Matrix, George Romero e Scooby Doo.

Apesar de curta, foram apenas duas temporadas, o programa serviu para unir o trio - Wright, Pegg e Nick Frosty - que depois fez Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead) e Chumbo Grosso (Hot Fuzz), mantendo as referências aos filmes e séries. Houve uma tentativa de fazer uma versão estadunidense na Fox, que foi prontamente rechaçada não só pelos fãs da série como pelos próprios criadores, principalmente porque nenhum deles foi consultado.

Reino Unido, 1999-2001. Direção: Edgar Wrigh. Elenco: Simon Pegg, Jessica Stevenson, Nick Frost, Mark Heap, Julia Deakin, Katy Carmichael, Aida the Dog.

Black Books

Black BooksSabe aquele dono de loja que não gosta dos clientes? Multiplique-o por 10 e você terá Bernard Black (Dylan Moran), dono da Black Books. Sempre acompanhado de uma garrafa (ou uma ressaca), cigarros e livros, ele não faz a menor questão de tratar bem seus clientes, nem seu único funcionário, Manny (Bill Bailey). A única pessoa que ele respeita é Fran (Tamsin Greig), sua amiga mais antiga (e única?), que trabalha na loja ao lado da sua, mas passa boa parte do seu tempo livro tentando mostrar a Bernard o lado bom da vida.

A série foi produzida por Nira Park e é considerada "irmã" de Spaced, tendo inclusive participações especiais dos atores de uma série na outra, com destaque para a participação de Simon Pegg como empregador de Bill Bailey em um episódio, invertendo o que se vê em Spaced, onde Bailey era o dono da Comic-shop onde o personagem de Pegg trabalhava. Black Books mantém o humor anárquico britânico no seu mais afiado nível com Bernard, escolhido um dos maiores personagens cômicos do mundo em pesquisa realizada pelo Channel 4.

Reino Unido, 2000-2004. Criação: Dylan Moran e Graham Linehan. Elenco: Dylan Moran, Bill Bailey e Tamsin Greig.

Creature Comforts

Creature ComfortsEm 1989 foi criado o curta-metragem Creature Comforts, que mostrava vários animais falando sobre as condições em que viviam no seu zoológico. O áudio, na verdade, vinha de uma série de entrevistas com pessoas falando sobre como era viver em Londres, incluindo aí um brasileiro, que acabou virando um leão da montanha. A animação ficou tão boa que acabou ganhando o Oscar de Melhor Curta-Metragem Animado daquele ano e, em 2003, virou uma série de TV.

O programa, voltado ao público infantil, mas também bastante prazeroso para qualquer adulto seguiu a mesma dinâmica de animais sendo entrevistados sobre diversos assuntos como ir ao veterinário, zoológico e ETs. As vozes eram gravadas no estilo das reportagens "Fala Povo", mas com falas sempre cercadas de humor. A série teve duas temporadas na Inglaterra e uma breve sobrevida nos Estados Unidos.

Reino Unido, 2003-2004. Direção: Richard Goleszowski.

No Heroics

No HeroicsNos Estados Unidos, Heroes mostrava a história de pessoas normais que descobriam seus super-poderes e agora se viravam para entender como eles funcionavam enquanto uma trama muito maior se desdobrava no pano de fundo. Enquanto isso, na Inglaterra, super-heróis são comumente vistos na rua e convivem com os seres humanos sem poderes sem escapar dos problemas do dia-a-dia que afetam a todos nós, como o excesso de peso, um poder não tão super assim ou ainda o puxador de tapete que faz de tudo para aparecer.

A série teve apenas uma temporada curta de seis episódios exibidos na ITV. O "No Heroics" do título é porque os superseres se encontram no fim do dia em um pub onde os poderes não são permitidos. Em 2009 houve uma tentativa de adaptar a série para os Estados Unidos, mas o projeto nunca foi em frente. Provavelmente seria mais um daqueles casos em que toda a incorreção política que torna as séries britânicas mais divertidas ia deixar as situações extremamente sem graça.

Reino Unido, 2008. Direção: Drew Pearce. Elenco: Patrick BaladiNicholas BurnsClaire Keelan.