Foto de RuPaul’s Drag Race

Créditos da imagem: RuPaul’s Drag Race/VH1/Divulgação

Séries e TV

Artigo

O que é RuPaul’s Drag Race e por que você deveria assistir

Reality show de drag queens está na Netflix e faz barulho nas redes sociais

Camila Sousa
31.05.2019
14h16

Em algumas noites de quinta-feira (como na última, 30), é comum a hashtag #DragRace aparecer nos trending topics nacionais do Twitter. Mas enquanto os fãs se divertem, muitos não sabem que esse nome se refere à RuPaul’s Drag Race, o reality show de drag queens que está disponível na Netflix e conquistou um grande público nos últimos anos.

A lógica do Drag Race é semelhante a outros programas do gênero: pessoas são confinadas em um certo espaço e precisam passar por provas semanais para garantir sua permanência. Ao final, um grande evento ao vivo é feito com as finalistas e a vencedora é anunciada. Mas o grande charme de RuPaul’s Drag Race não é exatamente O QUE é feito, mas sim COMO.

Criado em 2009 pela drag RuPaul Charles, o seriado tem como uma das premissas básicas apresentar a cultura e o universo drag para o público. É comum começar a ver o programa e não entender bem algumas expressões que são ditas, mas aos poucos tudo isso se torna tão natural que o público termina de assistir falando “Shantay, you Stay” e “Sashay, away” (expressões de Ru para indicar quem fica e quem sai naquela semana).

As provas do Drag Race também contribuem muito para isso. Ao invés de testes de lógica ou resistência, as queens precisam provar seu carisma, originalidade, audácia e talento em desafios de alta costura, dança, atuação, imitação (olá Snatch Game) e, muitas vezes, se apresentam ao vivo e sem cortes, dançando e performando de forma única. Outro ponto interessante é são as transformações de cabelo e maquiagem. Enquanto se preparam, as drags aparecem “desmontadas” em suas versões do dia a dia e sempre é uma surpresa ver como elas conseguem se maquiar e ficar belíssimas para as apresentações na passarela.

Junto à tudo isso estão características comuns de realities, que ganham novos contornos. As intrigas, medo de falhar em algum desafio e brigas entre as queens são exploradas com depoimentos das próprias durante os episódios. Quem consegue passar por toda essa pressão é coroada com o título de America’s Next Drag Superstar (A próxima estrela drag americana) e recebe prêmios em dinheiro e maquiagem. Mas o consenso entre as vencedoras do Drag Race até agora é que o valor é sim muito importante, mas a visibilidade de carreira atinge outros níveis. Até mesmo para quem é eliminada antes, participar do programa abre portas para contratos comerciais, séries próprias e até participações no cinema, como aconteceu recentemente com Shangela e Willam em Nasce uma Estrela.

Confessionário é o momento de falar tudo

Foto de RuPaul’s Drag Race
RuPaul’s Drag Race/VH1/Divulgação

Todos nascemos nus e o resto é drag

Tudo o que foi dito até agora pode parecer um pouco fútil, mas a verdade é que no meio de glamour e belas roupas, RuPaul’s Drag Race é um programa que fala sobre pessoas, suas falhas e superações. Os depoimentos que aparecem em cada episódio são uma grande prova disso. Muitas vezes uma drag que está lindamente vestida no palco revela o quanto estava nervosa e insegura naquele momento, mas continuou com sua apresentação. Há ainda o Untucked, um mini programa lançado em paralelo aos episódios que mostra muito mais dos bastidores, incluindo momentos de choro e fragilidade das participantes, que compartilham entre si e com o público histórias de bullying, preconceito e falta de aceitação por suas famílias.

Quem escolhe ser Drag Queen faz isso por amor. Não é fácil ter reconhecimento, ganhar dinheiro suficiente para se sustentar e fugir de todo o preconceito. Por mais que o valor financeiro seja um dos grandes atrativos do programa, e que a atração tenha momentos de exagero criando “personagens” para as participantes, quem pisa na passarela de RuPaul’s Drag Race sabe que estar ali é uma realização de vida. Para nós, o público, ficam os ensinamentos de nunca deixar de acreditar em si e se levantar a cada derrota, de preferência com muita maquiagem e um saltão no pé.