O Homem que Caiu na Terra

Créditos da imagem: Paramount+/Divulgação

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O Homem que Caiu na Terra | Chiwetel Ejiofor fala sobre construir seu personagem

Ator também falou sobre como a atuação de David Bowie no filme original influenciou a nova série

Omelete
5 min de leitura
Nico Garófalo
21.04.2022, às 17H19

Adorado por fãs de ficção científica (e de David Bowie), O Homem que Caiu na Terra ganhará uma sequência em forma de série estrelada por Chiwetel Ejiofor. Na produção da Paramount+, o ator vive Faraday, aprendiz do alienígena vivido pelo Starman no filme de 1976, que chega à Terra com a missão de levar as descobertas de volta a Anthea, seu planeta natal, devastado pelas consequências do aquecimento global.

Ao longo de sua carreira, Ejiofor já viveu detetives, cientistas, gângsters e feiticeiros. Embora Faraday, um alienígena anfíbio com conhecimento praticamente nulo da Terra e seus costumes, pareça o mais extraordinário de seus papéis, o ator conseguiu encontrar um ponto em comum com sua própria vida para construir o personagem. Filho de nigerianos que migraram para o Reino Unido, Ejiofor quis dar ao protagonista do novo O Homem que Caiu na Terra o mesmo sentimento de recém-chegado que viveu em alguns momentos de sua vida. “Todos nós tivemos aquele primeiro dia na escola, sabe? Todos nós temos o tipo de emoções de sentir que não pertencemos e termos que descobrir como as coisas funcionam. Tinham muitas experiências que guardei que me ajudaram a entender a jornada psicológica de Faraday”, disse o ator em coletiva de imprensa que contou com a presença do Omelete.

Logo no primeiro episódio da produção, vemos Faraday em dois momentos bem diferentes de sua vida terrestre: a primeira, logo que ele chega, incapaz de agir como ou se comunicar com humanos; a segunda, algum tempo depois, quando ele se torna um astro do mundo da tecnologia, quase como um Steve Jobs extraterrestre. Para Ejiofor, conseguir interpretar essas duas facetas quase opostas do protagonista foi o principal desafio que enfrentou em O Homem que Caiu na Terra. “Não se grava uma série de forma linear”, explicou. Segundo o ator, ele passava horas conversando com o showrunner Alex Kurtzman sobre qual versão de Faraday ele interpretaria a cada dia. “Passamos muito tempo ensaiando e pensando sobre a semana que estava chegando, dividindo-a em termos do que cada cena significava e onde ela se encaixava no arco de Faraday”.

Apesar do protagonista passar seus primeiros dias na Terra descobrindo um mundo completamente novo, Ejiofor reforça que nunca quis que o público o visse como uma criança maravilhada. “Ele não é uma espécie de bebê recém-nascido, sabe, ele é um alienígena adulto”, definiu. “Ele já teve suas experiências, reflexos e compreensão do mundo físico [antes de chegar à Terra], mas algumas delas são completamente opostas do que ele deveria fazer agora. Têm algumas coisas que ele está tentando reaprender, sabe? Ou aprender a fazer de uma forma diferente. Então, tentar encaixar todas essas camadas na criação de Faraday foi muito animador para mim”.

A ficção científica como metáfora para o mundo real

De Duna e Jornada nas Estrelas a Doctor Who e Star Wars, a ficção científica sempre serviu como uma divertida metáfora para o mundo real na cultura pop. Abordando as perigosas mudanças climáticas que o planeta vem sofrendo nas últimas décadas, O Homem que Caiu na Terra segue esse padrão, assim como fez o filme de 1976. “A ficção científica tem a capacidade de realmente alcançar e penetrar esse tipo de linguagem e compreensão de uma forma que poucos outros gêneros conseguem”, refletiu Ejiofor. “Você pode ler muitas informações sobre várias questões por muito tempo. Mas, na verdade, quando você conta uma história, pode sobrepor isso com toda uma complexidade, com uma emoção muito, muito humana, e acho que, assim, isso é absorvido de forma muito diferente pelo público e pela crítica”.

Veterano de franquias como Jornada nas Estrelas, O Espetacular Homem-Aranha e Transformers, o showrunner Alex Kurtzman levou sua expertise no gênero para a nova série, algo que foi celebrado por Ejiofor. Segundo o ator, o cineasta já tinha ideias sobre os mínimos detalhes do programa, que ele discutia com frequência com o ator e o restante da equipe. Além da história de Faraday e sua jornada na Terra, o diretor e roteirista também já tinha uma visão criativa exata de como queria que cada cena fosse montada. “Alex está no comando de todos os elementos que fazem um programa como esse [funcionar]. Foi realmente envolvente trabalhar com alguém que tem esse tipo de visão profunda”.

Assumindo a nave de Ziggy Stardust

Eu amo David Bowie [em O Homem que Caiu na Terra]. Acho ele incrível e icônico. Cada quadro de cada cena é tão rico, e essa foi uma de suas primeiras atuações dele”, elogiou Ejiofor, afirmando ainda que o Starman deu “integridade e humanidade” a Thomas Newton.

Além do aspecto humano que Bowie emprestou para seu personagem extraterrestre, Ejiofor diz ter usado também algumas características “anfíbias” criadas por ele para o antheano. “Ele realmente estabeleceu um modelo para como os anfíbios se sentiam, não necessariamente como eles se parecem, ou como eles se movem, mas o que eles sentem emocionalmente”.

Sem tentar emular o que foi feito por Bowie e Nicolas Roeg em 1976, a nova versão de O Homem que Caiu na Terra tem, entretanto, alguns temas em comum com o longa, o que não quer dizer que eles serão abordados da mesma forma. “Há, sim, uma sobreposição temática entre as obras, mas elas também são muito, muito diferentes entre si. E, como foi mencionado antes, essa série realmente fala dos nossos tempos de uma maneira um pouco diferente da que o filme falava de sua época”.

O Homem que Caiu na Terra estreia em 25 de abril.

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