Zachary Quinto como Charlie Manx em Nosferatu, da AMC

Créditos da imagem: Nosferatu/AMC/Divulgação

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Nosferatu | Série começa mal apostando em clichês e escondendo a bizarrice

Adaptação da obra de Joe Hill não acerta na protagonista mas pode compensar no vilão

Arthur Eloi
06.06.2019
16h21

Stephen King é um dos autores que mais teve adaptações de sucesso no cinema e televisão. Já seu filho Joe Hill não é tão sortudo assim: seus projetos ficam presos em desenvolvimentos problemáticos, como a série de Locke & Key, ou então resultam em produções mais-ou-menos, como o filme Amaldiçoado (2013). Agora, Hill tenta novamente entrar no mundo do audiovisual com Nosferatu, da AMC.

Baseado em NOS4A2 (lido Nosferatu), livro originalmente publicado em 2013, a trama do seriado apresenta Charlie Manx (Zachary Quinto), uma perversa criatura imortal que se alimenta da alma e juventude de crianças para se manter vivo. Sua ameaça, porém, pode estar com dias contados quando Vic McQueen (Ashleigh Cummings), uma garota comum de Massachusetts, descobre ter poderes que podem interferir nos planos do vilão. A premissa intriga, mas o primeiro episódio não demonstra isso tão bem.

Boa parte do capítulo é dedicado à introdução de Vic, mas a personagem é um grande clichê de histórias adolescentes de cidade pequena: artista sem muitos amigos, ela sonha em sair do lugar de onde nasceu mas não sabe como alcançar seus sonhos. Para piorar, ela vêm de uma família disfuncional, com seu pai Chris (Ebon Moss-Bachrach, de Justiceiro) sendo um bêbado agressor, e sua mãe Linda (Virginia Kull) arrependida de ter engravidado tão cedo. Como forma de processar tudo, Vic frequentemente sai para corridas de moto pela floresta. Além das respostas cruzadas que dá, nada mais é colocado para a personagem - até mesmo seus poderes são só citados aqui e ali no piloto.

A figura de Manx é um pouco mais interessante, com Quinto entregando uma presença aterrorizante e um visual irreconhecível quando está envelhecido. Infelizmente os diálogos do assassino parecem críveis, algo que se aplica para o restante dos personagens: a forma como todos falam não soa natural, como uma criança contando para a mãe que “se sente solitário, como se fosse a única pessoa do mundo todo”. Trechos como esse funcionam nas páginas, mas precisam de certo polimento quando levados para as telas. Até o momento, a série não parece ver isso como um problema.

Pelo peso da obra original e atuação de Zachary Quinto, Nosferatu ainda pode funcionar - ainda mais em uma emissora como a AMC, que já demonstrou certo comprometimento com produções de gênero, como The Terror ou a documental A História do Terror por Eli Roth. Ainda assim o seriado tem um começo ruim, com medo de demonstrar sua bizarrice. Com sorte, o restante da temporada compensará nesse aspecto.

Nosferatu é transmitida pela AMC Brasil toda segunda, às 22h30.