New Amsterdam | Série médica acerta com personagens carismáticos e bons roteiros

Créditos da imagem: New Amsterdam/Divulgação

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New Amsterdam | Série médica acerta com personagens carismáticos e bons roteiros

Com produtor de Grey’s Anatomy no currículo, drama surpreende com seu ritmo intenso, texto sensível e muitas surpresas

Henrique Haddefinir
22.11.2019
18h40

Qualquer drama médico que tenha estreado depois de Grey’s Anatomy enfrenta uma espécie de benção e maldição. A série de Shonda Rhimes criou uma identidade nova no mercado do subgênero, está no ar há 15 temporadas e tem uma legião de fãs calorosos e satisfeitos. Tudo que veio depois soa reciclado, capenga ou oportunista. Mesmo títulos que conseguiram um lugar ao sol, como The Good Doctor e The Resident, parecem arremedos do que já se viu em exaustão. De fato, o segredo nunca foi contar o novo, mas aprender a descobrir novas pulsações.

Grey’s Anatomy já teve seu nome atrelado a várias outras produções. New Amsterdam, por exemplo, é criação de David Schulner, que não esteve em Grey’s, mas foi produzida por Peter Horton, o tal anunciado como aquele que faz a ponte do marketing maior da NBC, canal que transmite a série. O programa tem tanta identidade que nem precisaria ser conectada ao mundo de Meredith. Mas, no mercado competitivo das produções seriadas americanas, qualquer garantia de longevidade é agarrada com unhas e dentes. Aqui, nesse caso, essa propaganda não atrapalha e nem surge como muleta. É apenas uma chamada, uma sugestão para que nossa atenção seja captada.

A série começa com a chegada do Dr. Max Goodwin (Ryan Eggold) ao hospital do título. O lugar costumava ser uma referência de qualidade, mas se estagnou e se tornou uma indústria que só pensa em ganhar dinheiro. Durante os anos, teve vários diretores que não conseguiram mudar nada no sistema estabelecido. Isso muda quando Max chega, já tomando uma série de atitudes drásticas que expulsam os corruptos e inspiram os competentes. Em apenas um episódio o carisma do personagem é tanto que faz com que tudo funcione perfeitamente.

Max é quase um super-herói. Isso pode cansar o público logo cedo, sobretudo porque até seus problemas lhe transformam numa vítima. Além de ter alguns com a gestação da mulher, ele acaba de descobrir um câncer e é claro que essa descoberta vai mudar a forma como ele se comportará no decorrer dos episódios. A partir disso, correr para mudar e melhorar o hospital passa a ser um ponto decisivo dessa narrativa. Salvar a própria vida, salvar o lugar, salvar até mesmo as reputações dos que estão a sua volta. Max salva, mas faz isso sem ser pedante.

As semelhanças com Grey’s Anatomy estão visíveis na maneira como os pacientes são retratados, como os médicos têm uma paixão incomensurável pela profissão e na maneira como a direção também privilegia a emoção. O elenco ainda tem Janet Montgomery, Freema Agyeman e Jocko Sims brilhando e contribuindo com o mesmo carisma que o protagonista. As coisas funcionam de maneira completa, principalmente porque o texto tem humor, sensibilidade, ritmo e inteligência. O envolvimento é inevitável e quando a canção pop chega no final – daquele jeito tão conhecido – é possível ver a série como um produto totalmente independente, honesto e muito bem concebido.

A primeira temporada de New Amsterdam está disponível no Globoplay.