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Créditos da imagem: Hulu/Divulgação

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M.O.D.O.K. foge do “mais do mesmo” explorando absurdo e criatividade dos gibis

Animação faz bom uso do stop-motion e diverte ao mostrar “vida normal” do vilão da Marvel

Nico Garófalo
03.11.2021
17h27

Criado em 1967 por Stan Lee e Jack Kirby, M.O.D.O.K. é, ao mesmo tempo, um dos vilões mais bizarros e cruéis da história da Marvel. Embora tenha uma aparência relativamente engraçada - uma enorme cabeça flutuante -, ele se tornou, ao longo dos anos, uma figura extremamente perigosa e, liderando a I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas), já chegou perto de dominar o mundo algumas vezes. Essa trajetória, no entanto, é praticamente ignorada pela nova animação encabeçada pelo personagem, escolha que, surpreendentemente, se mostra acertada.

Mesmo que não siga à risca o retrato dos gibis, M.O.D.O.K. conquista rapidamente ao trazer traços característicos do personagem-título, como seu temperamento explosivo e obsessão por dominar o mundo, e encaixá-los em uma rotina “normal”. Dublado por Patton Oswalt (Agents of SHIELD), o vilão de ego inflado lida já no primeiro episódio com problemas matrimoniais, financeiros e profissionais que escancaram todo o absurdo no próprio conceito dos gibis de herói ao mesmo tempo que desenvolve o protagonista para além de seus planos malignos. Com diálogos ágeis e hilários, o piloto estabelece as inseguranças e a genialidade de M.O.D.O.K. sem precisar de sequências exageradamente expositivas ou verborrágicas.

O elenco de dublagem também conta com escolhas particularmente inspiradas. Mesmo que Oswalt ocupe, é claro, maior tempo de tela, é impossível ignorar os trabalhos de Ben Schwartz (Sonic - O Filme) e Melissa Fumero (Brooklyn Nine-Nine) como os filhos adolescentes de M.O.D.O.K. ou Sam Richardson (Ted Lasso) como o azarado Gary. Mas é Beck Bennett como o bilionário Austin Van Der Sleet que melhor traduz a natureza hilária do conceito apresentado pela série. Com um carisma hipnótico, o executivo da GRUMBL, equivalente ao Facebook na série, aponta para a existência absurda de cooperativas terroristas dedicadas à dominação mundial e como elas conseguem qualquer tipo de financiamento.

Livre das amarras criativas do MCU, M.O.D.O.K. conta com um roteiro inspirado e sem medo de destacar as incongruências das HQs. Com uma sequência ininterrupta de piadas, a série segue um fio narrativo que conquista por sua simplicidade e capacidade de tornar até uma gigantesca cabeça robótica assassina relacionável. Sem a necessidade de se atrelar à franquia comandada por Kevin Feige, a animação tem liberdade para ironizar personagens como Homem de Ferro (Jon Hamm) e Homem-Aranha, de forma raramente vista nas produções do Marvel Studios.

Mas é o stop-motion da produção que realmente destaca sua liberdade. Diferente da animação problemática de What If…?, o método utilizado em M.O.D.O.K. trabalha a favor do roteiro e prova que é possível criar uma narrativa de super-heróis (ou super-vilões, no caso) emocionante e divertida sem precisar de um uso agressivo de computação gráfica.

Em poucos minutos de seu primeiro episódio, M.O.D.O.K. apresenta um entretenimento diferente daquele que acostumamos a consumir nos últimos 20 anos. Transbordando energia caótica, a animação promete uma diversão maratonável e criativa.

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