Mayans MC/Prashant Gupta/FX/Divulgação

Créditos da imagem: Mayans MC/Prashant Gupta/FX/Divulgação

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Mayans MC | Primeiras impressões da derivada de Sons of Anarchy

Série repete mesmas fórmulas da atração original

Henrique Haddefinir
06.09.2018
16h20
Atualizada em
06.09.2018
18h06
Atualizada em 06.09.2018 às 18h06

Vivemos uma era televisiva e cinematográfica em que o apego a exemplos de fenômenos culturais gira a engrenagem industrial de uma forma mais expansiva. Antes precisávamos nos conformar com a compra de DVD’s que mantivessem acesas as nossas paixões por essa ou aquela série. Agora podemos ser surpreendidos a qualquer momento com um revival ou um spin-off que ressuscitem fórmulas e programas estabelecidos, que contam única e exclusivamente com o amor do fã.

No meio dessa era, Mayans MC é um irmão criativo de Better Call Saul, série derivada de Breaking Bad que também começou depois que o sucesso do AMC terminou. Aqui a matéria-prima é a ótima Sons of Anarchy, que por sete temporadas deu ao FX um pouco mais de prestígio e respeito; e aos fãs boas doses de uma dramaturgia densa e violenta. A grande questão em torno desses produtos derivados é que não sabemos se eles serão um braço direto do que os originou ou se procurarão pela própria identidade.

Mayans MC foi o projeto que nasceu depois de uma série de especulações sobre um prequel que contaria o início de SAMCRO. Não rolou. A decisão do criador Kurt Sutter foi a de usar para esse “puxadinho dramaturgico” o grupo dos Mayans, que já havia aparecido em Sons of Anarchy algumas vezes. Então, assim como os criadores de Breaking Bad não resistiram a colidir os dois programas em algum momento, Sutter assume logo as inevitáveis investidas e faz do piloto de Mayans um jogo de “onde está a referência” que pode ou não agradar os fãs mais fervorosos.

Crow Versus Dog

Assim como Sons colocava em perspectiva a morosidade de sua cidade-cenário, Mayans MC trata de usar boa parte do seu tempo para estabelecer a apatia de seu pano de fundo. Geralmente, esse tipo de trama se concentra em ser fruto do meio e, enquanto em Sons víamos um protagonista lutando para ser melhor, em Mayans o protagonista já foi um rapaz com um futuro garantido e que por uma razão ainda desconhecida foi parar na cadeia. A vida de EZ (J.D. Pardo) é passada a limpo no presente, onde ele é uma espécie de “estagiário” do cartel de motociclistas, dono de uma capacidade de memorização fora do comum e muito inteligente. Mas, também vamos para o passado, onde sua história com Emily Thomas (Sarah Bolger) é o que parece ter provocado o desvio do caminho.

O longo piloto de Mayans não é fácil e Sutter parece lutar para não acabar contando a mesma história duas vezes. De certa forma, os personagens de Mayans são reproduções calculadas de sua série-irmã e fica complicado não entender logo de cara para onde seremos levados: EZ será um aspirante que domará aquele universo e o fato de seu antigo amor estar casada com um dos sócios do clube deve ser o que provocará as tensões derradeiras.

Na primeira sequência do piloto um corvo (símbolo de SAMCRO) é esmagado por uma das motos dos Mayans, depois de ser mordiscado por um cachorro vira-lata, provável símbolo do novo clube. A metáfora de superação do passado, contudo, fica perdida no meio das constantes menções indiretas – e diretas – ao mundo de Sons of Anarchy. A inserção de Robert Patrick no enredo foi esperta, mas a aparição de Gemma (Katey Sagal) no flashback da cadeia soou um desnecessário fan service. Apesar de ter provocado uma onda de teorias sobre qual seria a linha temporal exata da atração, a escolha criativa acaba soando uma espécie de tutoria paralela, como se Mayans precisasse de rodinhas para não cair.

Ainda é cedo para estabelecer as possibilidades de futuro da série, mas considerando que os fãs são seduzidos por algumas migalhas de sobrevida para seus programas preferidos, pode ser que Mayans MC se torne tão longeva e bem sucedida quanto a fonte de onde saiu.