Matéria Escura | Múltiplas versões dos personagens eram “maior medo” de Alice Braga
Atriz explica desafio de manter conexão emocional quando o multiverso começa a multiplicar seus protagonistas
Créditos da imagem: Múltiplas versões dos personagens eram “maior medo” de Alice Braga em Matéria Escura; veja
O multiverso permite que Matéria Escura (Dark Matter) apresente incontáveis versões de seus personagens, mas essa liberdade também criou um problema: como multiplicar Jason Dessen sem fazer o público perder a conexão com aquele que acompanhou desde o começo? Para Alice Braga, esse era justamente um dos maiores riscos da série.
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Em entrevista exclusiva ao Omelete, a intérprete de Amanda revelou que terminou a primeira temporada preocupada com a multiplicação de versões dos mesmos personagens.
“A coisa da quantidade de personagens é uma coisa que me dava muito medo”, contou Braga.
Para a atriz, existe uma diferença importante entre imaginar inúmeras versões de uma pessoa durante a leitura de um livro e mostrar todas elas em uma produção audiovisual.
“Quando você está lendo um livro, você está criando muito internamente esses personagens e você faz um pensamento analítico, crítico seu, imaginário”, explicou. “Numa série, pode ficar confuso, porque você está passando pelos atores, passando por um roteiro, passando por uma filmagem, uma edição. Então tem várias possibilidades disso ficar confuso.”
A maior preocupação da atriz, porém, era emocional. “Para uma narrativa, um personagem, a gente se envolve emotivamente e emocionalmente com ele e segue ele. Quando tem vários, às vezes fica difusa essa conexão de você seguir um personagem”, disse.
Na avaliação de Braga, Dark Matter conseguiu enfrentar esse problema na segunda temporada desenvolvendo melhor as diferenças entre as diversas versões. E isso também criou uma oportunidade incomum para os atores.
A atriz compara as variantes do multiverso a uma árvore: “O tronco da árvore é o mesmo, mas cada galho é uma opção.”
Por isso, interpretar diferentes versões de uma pessoa não seria simplesmente como interpretar gêmeos. “Gêmeos são dois seres humanos diferentes que são iguais, que podem ser univitelinos iguais. Versões de si mesmo são a mesma base, a mesma estrutura, a mesma espinha dorsal, só que cada decisão virou um galho dessa árvore.”
Essas decisões permitem que Joel Edgerton, por exemplo, faça pequenas alterações em cada Jason: “Um Jason andava mais seguro porque ele teve mais sucesso, o outro Jason era mais tímido, mais inseguro, mais doce, mais delicado pelas escolhas de vida.”
Se o conceito representava um risco narrativo para Braga, como atriz ela enxergou justamente o contrário.
“Para um ator isso é um parque de diversões”, resumiu. “A gente amou poder fazer variações, mas eu acho que tinha um desafio, sim.”
Inspirada no best-seller de Blake Crouch, a trama foca em Jason Dessen (Joel Edgerton), um físico que é abduzido para uma realidade diferente. O milagre rapidamente torna-se um pesadelo quando ele tenta voltar à sua realidade em meio às várias existências que poderia ter vivido. Neste labirinto de possibilidades alucinantes, ele embarca numa jornada angustiante para encontrar sua verdadeira família e salvá-la de um vilão aterrorizante e indestrutível: ele mesmo.
A 2ª temporada de Matéria Escura estreou em 28 de agosto no Apple TV e terá um novo episódio todas as sextas-feiras, até 30 de outubro. Saiba tudo sobre a série aqui.
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