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Lembra desse? Metalder, o homem-máquina

Lembra desse? Metalder, o homem-máquina

Alexandre Nagado
27.05.2002
00h00
Atualizada em
01.11.2016
20h07
Atualizada em 01.11.2016 às 20h07

Maya - Hiroko Aota

Entre o final dos anos 80 e início dos 90, as emissoras brasileiras viram-se invadidas por seriados live-action japoneses. Graças ao sucesso estrondoso de Jaspion e Changeman na extinta TV Manchete, a invasão dos heróis e monstros coloridos inundou a programação das TVs, lojas de brinquedos, locadoras e bancas, num fenômeno parecido com a atual febre por animês.

Black Kamen Rider, Jiraiya, Cybercop, Lion Man e tantos outros se revezavam nos horários, com tramas, lutas e clichês repetidos à exaustão. Cheia de lutas acrobáticas, explosões e edição ágil, a maioria destas séries não se levava muito a sério, sendo uma diversão rápida e sem grandes pretensões. No entanto, em meio à selva de tipos estranhos, uma série passou quase desapercebida por ter sido exibida na Bandeirantes e em horários ruins. O seriado era Metalder - o Homem Máquina, uma produção até ousada para os padrões do estúdio Toei Company, que faz seriados literalmente em linha de montagem. Com roteiros mais elaborados, Metalder foi um caso à parte.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A série conta a saga de um poderoso andróide construído na Segunda Guerra. Sem ser ativado devido à derrota japonesa, o construto foi abandonado. Quarenta e dois anos depois, ele é ressuscitado por seu criador, o Dr. Koga, a fim de combater o Império Neroz.

Liderada pelo grande empresário Makoto Dolbara, alter ego do Imperador Neroz, esta organização é um exército que usa de terrorismo para prejudicar ou eliminar concorrentes no mundo dos negócios. O Império possui quatro subdivisões: as Tropas Monster, Cibernética, Mekanol e Blindada.

Tendo despertado confuso, o andróide Hideki Kondo (Ryusei Tsurugi, no original) presencia a morte de seu criador perante soldados de Neroz. Então, assume sua forma de combate e trava a primeira luta contra os vilões, sofrendo sua primeira derrota.

Hideki fora criado com os padrões físicos e psicológicos do falecido filho do Dr. Koga, herdando também a capacidade de tocar sax. Em certo ponto da série, Hideki questiona-se sobre sua identidade e individualidade (alguém aí se lembrou da questão da clonagem?).

Pouco depois de seu árduo despertar, ele conhece a bela repórter fotográfica Maya Aoki (Mai Ougi, no original), uma jovem corajosa e meiga. Com seu jeito nobre e atencioso, o andróide desperta o amor de Maya, que logo passa a ajudá-lo nas investigações sobre as atividades ilegais do Império Neroz. A eles, junta-se o impetuoso motoqueiro profissional Satoru, que vê Hideki como um amigo fiel, mas também um rival pelo coração de Maya.

Na luta contra o Império Neroz, Metalder conta com a ajuda das sofisticadas criações do Dr. Koga, inclusive Springer, um doberman-robô falante e auxiliar do herói em sua base secreta. Nas batalhas que se seguem, alguns soldados de Neroz rebelam-se contra o mestre, com destaque para o poderoso Top Gunder. Cheia de reviravoltas, a série termina com o sacrifício do herói, que destrói o Imperador Neroz, mas também perde sua parte humana.

BASTIDORES

Com a produção econômica típica dos seriados da Toei Company, Metalder destacou-se ao tentar atingir um público mais velho investindo em tramas mais elaboradas. Ponto também para o brilhante compositor Seiji Yokoyama, autor também da trilha sonora de Cavaleiros do Zodíaco. A música-tema foi entoada em tom grandioso por Isao Sasaki, o mesmo intérprete da canção-tema do clássico Patrulha estelar.

O design, providenciado pelo hoje famoso cineasta, Keita Amemiya, era baseado em um antigo herói de mangá, Kikaider. Entre os roteiristas, o veterano Shozo Uehara, que escreveu episódios de Ultraman, Ultra Seven, Jaspion e Black Kamen Rider.

O elenco, por sua vez, era mais irregular. O ator principal, Akira Senoh, era inexpressivo, tal qual um robô (mas não precisava ser tanto), e configurava-se no ponto mais fraco do elenco. Na série, destacava-se a modelo Hiroko Aota, no papel de Maya.

Na segunda metade da saga, entrou em cena o motoqueiro falastrão e boa-praça Satoru, vivido pelo ator Hiroshi Kawai (atualmente assinando Kazuoki Takahashi, seu nome verdadeiro), o Change Griphon do grande sucesso Changeman. Shinji Todoh, a identidade humana do Imperador Neroz, interpretou o Homem-Aranha na versão japonesa do herói (leia mais aqui).

Em vez do tradicional monstro da semana, freqüentemente Metalder enfrentava grupos inteiros de inimigos, tendo sérias dificuldades em vencer. Longe de contar com um herói imbatível e dominada por um clima meio depressivo, a série não fez sucesso no Japão.

Nos anos 90, Metalder foi adaptado nos Estados Unidos e editado junto com a série Spielvan como parte do seriado VR Troopers. Nesta medonha versão, o herói foi rebatizado de Ryan Steele e descaracterizou-se por completo. Felizmente, o público brasileiro pôde ver a série original antes que Troopers fosse exibido na Globo.

Completando quinze anos de seu lançamento, Metalder permanece até hoje como uma obra diferenciada e à frente de seu tempo.

Ficha técnica:

Título original: Cho Jinki Metalder (Super-homem máquina Metalder)

Estréia no Japão: 16 de março de 1987
Número de episódios: 39 para TV e um para cinema
Criação: Saburo Hatte
Roteiro: Susumu Takaku, Shozo Uehara e outros
Desenho de produção: Keita Amemiya
Trilha sonora: Seiji Yokoyama
Direção: Yoshiji Tomita, Takeshi Osasawara e outros
Realização: TV Asahi, Toei Company & Asahi Tsushinsha (ASATSU)
Distribuição: Tikara Filmes
Emissora no Brasil: Bandeirantes








Elenco: Akira Senoh (Hideki Kondo), Hiroko Aota (Maya Aoki), Hiroshi Kawai (Satoru), Shinji Todoh (Makoto Dolbara)

Leia também:
O bê-a-bá do mangá - Glossário de termos relacionados aos quadrinhos, cinema e televisão na cultura japonesa

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