Foto de Law & Order SVU

Créditos da imagem: Law & Order SVU/Universal Television/Divulgação

Séries e TV

Entrevista

Law & Order: SVU | Responsabilidade é o que faz a série cativante, diz ator

Peter Scanavino, que interpreta o Detetive Carisi, fala sobre questões sociais abordadas na produção

Julia Sabbaga
05.11.2019
14h59
Atualizada em
06.11.2019
18h40
Atualizada em 06.11.2019 às 18h40

A 21ª temporada de Law & Order: SVU, que estreia hoje (05), começará com um episódio baseado nas acusações contra Harvey Weinstein, seguindo uma tradição histórica da série (a produção dramática em horário nobre mais duradoura da TV americana) de trazer histórias das manchetes para as telinhas. Desde a sua concepção pelo produtor Dick Wolf, SVU ambicionava ser um canal para levar histórias verídicas e aumentar a conscientização sobre crimes sexuais e violência contra mulheres, e em 2019, a série nunca foi tão relevante. Cada vez mais adaptando casos reais, SVU se tornou um meio de informação e discussão sobre o que constitui estupro e abuso. Conversando com o Omelete, Peter Scanavino, que interpreta o detetive (e agora promotor) Carisi, falou sobre como a série trará estas discussões no seu novo ano.

As histórias que SVU retrata nunca são uma cópia dos eventos reais, mas servem como base ou ponto de início para diferentes contos. Na 21ª temporada isso não será diferente, mas segundo Scanavino, certas questões podem ser mescladas: “Teremos diversos acontecimentos unidos em um só como um meio de explorar os diferentes aspectos do que está acontecendo na nossa cultura atualmente”. Tudo isso faz parte do espírito do programa, que, para o ator, nunca foi entretenimento puro. Apesar de não minimizar o entretenimento de SVU, Scanavino destaca a oportunidade que é trabalhar em uma série deste tipo: “Nós podemos comentar muito sobre cultura e sociedade. Se fosse só entretenimento, não seria tão tocante e poderia ser até redundante”.

Nada disso impede o ator de admirar obras que servem como entretenimento puro, algo que ele descreve como importante, explicitando a necessidade das duas formas de conteúdo existirem: “Entretenimento é algo que toca seus sentidos, ou algo que te faz rir. Existem muitas formas de fazer isso”. Mesmo assim, ele sente que a discussão de SVU é o que torna a série de Wolf diferente: “O fato de que temos uma responsabilidade social com nosso programa, de trazer estas conversas para frente, é o que torna tão cativante”.

Claro que SVU não é só isso. Por trás de todas as questões sociais está uma turma de personagens liderada por Olivia Benson (Mariska Hargitay) e completa pelo próprio Peter Scanavino (que passa de detetive para promotor na 21ª temporada) além de Ice-T, presente desde a 2ª temporada e Kelli Giddish. As relações entre os integrantes do Esquadrão de Vítimas Especiais e suas vidas pessoais também apelam ao público, sendo desenvolvidas mais ou menos dependendo do showrunner. Com o retorno de Warren Leight, que comandou a produção entre a 13ª e 17ª temporadas, isso deve retornar ao holofote.

Um dos maiores casos disso é a química entre Carisi e Rollins, personagens de Scanavino e Giddish, um tema recorrente mas nunca realmente aprofundado nos últimos anos de SVU. Sobre isso, o ator indica um movimento: “Não sei se será para frente, mas definitivamente teremos faíscas na 21ª temporada. Nós exploramos isso, mas não posso dizer exatamente como”. Antes de falar sobre sua própria transição de Detetive para Promotor, Scanavino ainda aquece para o retorno de alguns personagens do passado no novo ano, incluindo a legista interpretada por Tamara Tunie, sumida desde o fim do 19º ano.

“É algo muito raro nesta indústria poder interpretar o mesmo personagem mas sob outras circunstâncias”, explicou Scanavino sobre sua transição de posição na série. “Muitos dos sentimentos que Carisi sentiu eu estava sentindo como ator. Será que vai funcionar? É muito empolgante, mas amedrontador também”. Isso ficará para o julgamento dos fãs, que podem acompanhar a nova temporada a partir desta semana no Universal TV.