Morre Laura Cardoso, gigante da dramaturgia brasileira, aos 98 anos
Atriz marcou novelas como A Viagem e Caminho das Índias, além de filmes e peças de teatro
Créditos da imagem: Laura Cardoso (Reprodução/Instagram)
A atriz Laura Cardoso, um dos nomes e rostos mais reconhecíveis da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos. A notícia foi confirmada no perfil oficial da atriz no Instagram, na madrugada de hoje (18).
De acordo com a filha da atriz, Fátima Cardoso [via g1], Laura foi internada por volta das 23h de ontem (17) após se sentir mal em sua residência em São Paulo (SP). O velório acontece hoje, entre 8h e 14h, no bairro da Bela Vista.
Cardoso estreou como atriz em peças de rádio, começando a atuar pela Rádio Cosmos em 1942, aos 15 anos de idade - a contragosto dos pais, que viam com maus olhos a profissão de intérprete.
Sua estreia na TV foi em Tribunal do Coração (1952), na TV Tupi, emissora onde também viveu suas primeiras experiências com telenovelas, em títulos como Os Miseráveis (1958), interpretando Cosette - em 1967, ela atuaria em outra adaptação do clássico, desta vez na Band, como Fantine.
A novela Moulin Rouge - A Vida de Toulouse-Lautrec (1963) lhe rendeu o primeiro Troféu Imprensa de Melhor Atriz, enquanto o sucesso nacional de títulos As Pupilas do Senhor Reitor (1970) e Ídolo de Pano (1974-1975) lhe trouxe mais reconhecimento do público.
A convite de Daniel Filho, Cardoso estreou na Globo com a novela Brilhante (1981-1982). Na maior emissora do país, ela interpretaria personagens especialmente marcantes em Fera Radical (1988), Felicidade (1991), Mulheres de Areia (1993), A Viagem (1994), Irmãos Coragem (1995), Esperança (2003), Chocolate com Pimenta (2003-2004), Caminho das Índias (2009), Gabriela (2012) e O Outro Lado do Paraíso (2017-2018).
Apesar de seu espaço de maior popularidade ser a TV, o cinema também recebeu grandes performances da atriz. Sua estreia na tela grande foi em O Rei Pelé (1963), cinebiografia do ídolo do futebol, mas depois vieram trabalhos em Tiradentes, O Mártir da Independência (1977), Quincas Borba (1988), Terra Estrangeira (1995), Através da Janela (2000), Copacabana (2001), O Outro Lado da Rua (2004), Casa da Mãe Joana (2008), De Onde eu te Vejo (2016) e Encantados (2017).
Durante a carreira, Cardoso venceu quatro Prêmios Grande Otelo e dois Prêmios Shell, entre muitos outros reconhecimentos por suas atuações, sendo também homenageada pelo conjunto da carreira no Festival de Gramado e no Troféu Mário Lago.
Foi casada com o ator e diretor Fernando Balleroni entre 1949 e 1980 - ano da morte dele -, com quem teve três filhos.
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