Gabrielle Union e Jessica Alba em L.A.'s Finest

Créditos da imagem: Spectrum/Divulgação

Séries e TV

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Segunda temporada de L.A.’s Finest começa com gosto de prato requentado

Esforço dos atores não compensa história sem carisma e piadas sem graça do episódio de estreia

Nicolaos Garófalo
18.09.2020
18h52

Até agora, 2020 foi palco de diversos acontecimentos marcantes, nem todos positivos. Um dos maiores destaques do ano, aliás, foi o crescimento do movimento Black Lives Matter que, após anos denunciando a brutalidade policial contra civis negros, teve seu estopim nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, sufocado por um policial quando já estava rendido, e de Breonna Taylor, alvejada por oficiais em sua casa. Os protestos contra a violência contra a população negra levaram diversas produções policiais, como Law & Order: Special Victims Unit e Brooklyn Nine-Nine, a reescrever roteiros para melhor refletir a relação entre a população e a polícia. Outras séries, como L.A.’s Finest, tiveram as estreias de seus novos anos adiadas por causa do momento delicado e, já no primeiro episódio da segunda temporada, é possível entender por quê.

Por mais que tenha sido gravado meses antes do início dos protestos, o episódio de estreia faz um esforço consciente para definir “bem” e “mal”. Frases soltas sobre mudanças na polícia de Los Angeles ou detetives fazendo juras de honestidade a testemunhas pareceriam irreais mesmo se o contexto mundial fosse diferente. A constante tentativa de reforçar as virtudes dos “detetives bonzinhos” não consegue substituir um bom desenvolvimento. A primeira hora do segundo ano L.A.’s Finest usa falas truncadas e, dado o momento atual nos Estados Unidos, falaciosas para convencer o público a torcer pelas protagonistas, mas não mostra nenhuma ação que efetivamente comprove seus argumentos. Essa abordagem desconexa da realidade deixa série ainda mais perdida em meio a tantas produções policiais, atuais e antigas, que exploram melhor diferentes facetas de seus personagens, não limitando-os a mocinhos e vilões.

A direção de “The Curse of The Black Pearl”, assinada por Anton Cropper (Suits, Black-ish), deixa bastante a desejar. Enquanto as cenas de ação são confusas e mais barulhentas do que empolgantes, as tentativas de humor são sem graça e ainda tentam reciclar piadas dos filmes dos Bad Boys, franquia da qual L.A.’s Finest faz parte.

Assim como a primeira temporada, este retorno da produção desperdiça o bom trabalho do elenco principal. Apesar de inserida em uma história fraca, a dinâmica entre Gabrielle Union e Jessica Alba continua sendo o ponto alto da série e mesmo os coadjuvantes Duane Martin e Zach Gilford têm seus momentos de brilho. Se não estivesse preso a diálogos truncados e trama óbvia, o quarteto teria condições de elevar a produção até, no mínimo, o nível de programas concorrentes.

Mesmo que mire em ser um entretenimento descomplicado, L.A.’s Finest mal consegue fazer o mínimo para divertir o público. A visão torta e quase utópica da relação entre policiais e civis desprende ainda mais o espectador da história e o bom trabalho do elenco é sufocado por um roteiro sem sentido. Ainda mais prejudicada pelo péssimo timing do lançamento, a série parece ter um caminho difícil pela frente, especialmente se o restante da segunda temporada entregar a mesma qualidade medíocre do episódio de estreia.

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