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Lanternas | Episódio 4 mostra por que Hal Jordan ainda é o maior Lanterna

Do jeito dele, guardião veterano da Terra mostra que está muitos passos a frente de todos - e até da audiência

Omelete
3 min de leitura
07.09.2026, às 15H40.

Hal Jordan (Kyle Chandler) pode até parecer apenas um policial veterano, rabugento e já um pouco cansado de tudo, mas o quarto episódio de Lanternas começa a revelar que são justamente as dores e cicatrizes acumuladas pelo caminho que o tornam tão bom no que faz. Existe algo de canastrão em seu comportamento, assim como um carisma que parece surgir quase contra a própria vontade, mas por trás disso está alguém capaz de perceber aquilo que os outros ainda não conseguem enxergar.

Se o episódio anterior olhava para a infância de John Stewart e para a maneira como a relação com os pais moldou seu senso de dever, agora é Hal quem ganha novas camadas. Ele está em outro momento da vida e, dramaticamente, alguns passos à frente do parceiro, não porque seja necessariamente melhor ou mais correto, mas porque já viveu muitos dos dilemas que começam a se apresentar para John.

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Hal conhece os Guardiões, entende a forma como eles manipulam seus Lanternas e sabe que poder e autoridade frequentemente se misturam até se tornarem quase impossíveis de separar. John ainda acredita que cumprir sua missão da maneira correta passa por seguir as regras, enquanto Hal já aprendeu, provavelmente da pior forma, que obedecer nem sempre significa fazer o que é certo.

É nesse contraste que a relação entre os dois encontra sua maior força. Aos poucos, John começa a perceber que a mesma disciplina que o trouxe até ali também pode transformá-lo em um alvo fácil, porque quem apenas segue ordens, sem tentar compreender os interesses por trás delas, corre o risco de se tornar um peão. Hal já esteve nesse lugar, conhece a sensação de ser manipulado e também sabe como a proximidade com o poder pode seduzir, por isso tenta ensinar John a observar outras cores em situações que, à primeira vista, pareciam ter respostas simples.

Mesmo tão diferentes, os dois compartilham mais do que imaginam. Quando Hal conta que também perdeu os pais, a série aproxima suas trajetórias sem tentar transformar suas dores na mesma coisa. Ambos foram moldados pela perda e pela responsabilidade, mas o que realmente os conecta é o ímpeto de seguir em frente e a força de vontade que, no fim das contas, fez com que os dois fossem escolhidos pelo anel.

Mais do que a investigação que conduz a história, Lanternas parece cada vez mais interessada na maneira como esses dois homens convivem com o peso de suas escolhas. John ainda encontra alguma segurança nas regras, enquanto Hal aprendeu a desconfiar de quem as escreve. Um precisa compreender que nem toda ordem merece ser obedecida, e o outro talvez precise voltar a acreditar que ainda existe algo pelo qual vale a pena lutar.

Hal faz jus ao posto de maior Lanterna exatamente do seu jeito, não como um herói perfeito, mas como um veterano marcado pelo que viveu, que conhece os erros do sistema porque já foi vítima e também parte deles. Talvez seja justamente por isso que os Guardiões queiram substituí-lo, já que Hal não representa apenas um Lanterna envelhecido, mas o perigo de alguém que já foi manipulado, conheceu a própria sede de poder e agora consegue reconhecer os métodos daqueles que não pretendem abrir mão do controle.

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