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Lanternas foca em John Stewart no terceiro (excelente) episódio da série

Explorando o passado do personagem vivido por Aaron Pierre, série faz sua melhor hora até aqui

Omelete
5 min de leitura
30.08.2026, às 22H55.
Lanternas Episódio 3

Créditos da imagem: HBO

John Stewart (Aaron Pierre) foi predestinado a ser um Lanterna Verde, ou ele foi moldado para o papel depois de décadas de um treinamento rigoroso e fanático gerido por seus pais? Essa é a tragédia no centro do terceiro episódio de Lanternas, e o primeiro grande capítulo da série da DC até aqui. Dividido em três linhas de flashback – uma para a infância de John, outro para sua última missão nos fuzileiros e uma última para sua entrevista com uma Guardiã do Universo (Laura Linney) – este capítulo mostra as várias maneiras como Hal Jordan (Kyle Chandler) e a ideia da Tropa influenciaram, pautaram e definiram a vida de John.

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Tudo começa quando seu pai, John Sr. (J. Alphonse Nicholson), é visitado por um anel como um possível candidato. Ele, porém, demonstra medo, e é deixado pra trás pelo que virá a ser a arma de Hal Jordan. John Sr. passa a exibir comportamentos inquietos e até perigosos, já que nem mesmo sua esposa Bernadette (Nicole Ari Parker) acredita nele. Tudo muda, porém, quando Bernadette é visitada pela mesma Guardiã que um dia entrevistará John para o papel de aprendiz de Hal. Ela pede desculpas pelas “imperfeições” do sistema que traumatizou John Sr., mas deixa claro: o anel sentiu alguma coisa naquela família, e John, o filho, pode ser a resposta.

Lanternas John Stewart

Aaron Pierre como John Stewart em Lanternas.

HBO

A partir daquele momento, John Sr. e especialmente Bernadette decidem dedicar toda a vida de seu filho mais novo à missão de, um dia, entrar na Tropa dos Lanternas Verdes. Isso significa ser usado como alvo humano todos os dias, ser abandonado no bairro mais perigoso da cidade e eventualmente entregar até mesmo uma carreira de honra no serviço militar para acobertar o envolvimento (não planejado) de Hal na captura/morte de um criminoso russo. Crescendo emocionalmente distante dos irmãos e sendo tratado pelos pais mais como soldado do que como uma criança, John Stewart passou anos sem enxergar nada além da missão: ser um Lanterna Verde. Toda a sua vida – observada pelos Guardiões do Universo através de pássaros* que reportavam seus feitos e erros para os alienígenas – o levou até a sala metafísica onde a Guardiã o questiona e, eventualmente, aprova.

*Entre Lanternas e Dia D, temos dois grandes lançamentos sci-fi em 2026 que tratam pássaros como criaturas ligadas a aliens. Curioso.

Então, eu pergunto novamente: John Stewart é uma “criança escolhida” à moda Harry Potter, predestinado ao seu posto como herói, ou alguém que, desde suas primeiras memórias, foi condicionado a acreditar nisso? Há o suficiente para interpretar sua história de ambas as formas, mas a série se mostra mais interessada na segunda possibilidade. Este é um episódio firmado na experiência dos negros nos Estados Unidos, um povo que geralmente encontra mais desafios na hora de, digamos, assumir e manter um emprego. Eles não podem errar. Eles não podem surtar. Eles não podem ter medo.

Lanternas Episódio 3

Um jovem John Stewart em Lanternas.

HBO

É fácil – e, eu chuto, intencional – comparar o que acontece entre John e sua família com figuras reais. A rigidez de seus pais traz à mente Earl Woods, forçando Tiger Woods a praticar o swing perfeito do golfe mesmo quando ele não aguentava mais. Logo pensamos, também, em Richard Williams, forjando as jovens Venus e Serena Williams em campeãs através de uma rotina de treinos que cansaria até profissionais mais condicionados. Há, claro, Joe Jackson. Talvez a comparação mais clara, já que também envolve o filho mais novo, Michael Jackson, sendo “o escolhido” em meio a um grupo de irmãos. Como Michael voltando de um show só para ouvir o pai criticando os passos de dança que errou, John se acostuma a, toda noite, colocar a maçã na cabeça e ficar imóvel enquanto seu pai aponta um rifle para em sua direção.

Esses pais foram, indiscutivelmente, cruéis com seus filhos. A questão, claro, é que o sucesso veio. O talento de Tiger Woods, das irmãs Williams e de Michael Jackson teria sido o suficiente para carregá-los ao topo de seus campos, ou o tratamento que receberam, apesar de frequentemente terrível, foi indispensável? A mesma dúvida se aplica a John. Ele já seria o candidato perfeito para ser um Lanterna desde que nasceu, ou ele virou isso?

O que mais impressiona, porém, é como ele parece não se importar. Se Lanternas for uma grande série, a certeza de John, vista particularmente nas cenas de entrevista, precisa ser desafiada em algum momento futuro, mas, por enquanto, a frieza com a qual Aaron Pierre responde que, sim, valeu a pena crescer sem o carinho da família para que ele assuma o anel, é o grande momento dramático da temporada. Pierre é inabalável no papel, e é essa determinação, tão visível nos olhos claros do ator, que nos faz acreditar em tudo o que ele passou.

Lanternas Laura Linney Personagem

Laura Linney como uma Guardiã do Universo em Lanternas.

HBO

Há, porém, um último detalhe crucial sobre a vida de John Stewart que vemos aqui. Nos quadrinhos, depois de servir nos fuzileiros, John virou um arquiteto, e aqui isso se manifesta através de sua ida à faculdade de artes, um ambiente que resgata a criatividade de um menino que, quando criança, escondia desenhos lindos do olhar de seus pais. Ser um Lanterna Verde não é só ser destemido e vigilante. É, também, soltar a imaginação. O roteiro de Lanternas acerta em cheio ao incluir este elemento antes de seu encontro com a personagem de Linney (que, aliás, é fantástica).

Episódios de flashback sempre representam um risco, e Lanternas surpreendeu colocando a história de John Stewart em sua segunda semana de exibição. Esta, contudo, é a primeira grande hora da série. Uma que define John como o grande foco dramático dessa narrativa.

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