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Lanternas coloca o relacionamento de Hal e John em xeque no ótimo quarto episódio

Relacionamento de Hal e John é levado ao limite em capítulo repleto de mentiras e revelações

Omelete
6 min de leitura
06.09.2026, às 23H00.

Era inevitável. Uma hora, o relacionamento entre Hal Jordan (Kyle Chandler) e John Stewart (Aaron Pierre) ia explodir. O momento vem no clímax do ótimo quarto episódio de Lanternas, depois que ambos os heróis têm encontros importantes com personagens cujas palavras parecem conter propostas de ajuda, cuidado e alerta, mas cuja intenção verdadeira pode ser outra.

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A conversa de Hal vem logo no começo do episódio, quando enfim temos o desfecho de sua visita à cela de Sinestro (Ulrich Thomsen). Como esperado, o ex-Lanterna Verde se mostra extremamente escorregadio, e claramente sabe quais botões precisa apertar para que seu antigo pupilo saia de lá com a cabeça repleta de dúvidas. Sinestro, claro, é um personagem que usa o medo como sua principal arma, e aqui ele não precisa de um anel amarelo para atacar Hal. Thomsen faz bem sua versão de Hannibal Lecter na DC, mas a cena é, acima de tudo, mais um grande acerto de Chandler. Ele já exibiu dúvidas na série antes, aqui e ali baixando a guarda, mas quase sempre rindo de si mesmo. Agora, vimos pela primeira vez um Hal incerto de algo fundamental. Ansioso. Ou seria, ouso dizer, com medo? Seja como for, Chandler entrega as nuances certas para comunicar o estado emocional do personagem.

Na Terra, John também é levado a expressar emoções até então inéditas. Seu encontro é com a Guardiã do Universo interpretada por Laura Linney, oficialmente creditada como Lianna. Ela informa que Hal quebrou um voto ao visitar Sinestro, e por isso John está autorizado a assumir o posto de Lanterna Verde. Na próxima vez em que Hal entregar o anel para John em seu treinamento, Lianna explica, o novato deve recitar o juramento dos Lanternas Verdes e tomar para si o manto. É algo que imediatamente incomoda John. Por que os Guardiões não estão se envolvendo nessa passagem de bastão? Fica a sensação de que Lianna quer influenciar John mais e mais contra Hal, a ponto de ela ameaçar retirar de vez a possibilidade de John virar o herói, o que leva o personagem (e Pierre) a explodir, revelando talvez pela primeira vez (mas não a última no episódio) como é ver Stewart perdendo a calma.

Então, os dois se reúnem. Numa escolha estratégica, os roteiristas da série colocam algumas boas cenas de química entre eles em sequência. Sabendo que o episódio termina com uma aparente ruptura entre os dois, fica fácil interpretar a escolha como uma tentativa de nos mostrar o que Hal e John podem ser se eles conseguirem finalmente trabalhar juntos, sem tantos ruídos. Primeiro, enquanto observam o rancho de Macon (Garret Dillahunt) numa torre de água, vemos um ótimo momento cômico em que John surpreende Hal com uma piada (mas entregue de maneira brilhante: com o rosto completamente sério). Mais tarde, depois que os dois decidem invadir o rancho pelo subterrâneo, há um diálogo de rara honestidade da parte de Hal sobre seus pais.

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Trata-se, sim, de uma manipulação, mas o patamar da escrita e das atuações significa que isso pouco importa. Gera-se uma dinâmica eficaz que faz o público morder a isca, mesmo sabendo que ia ser fisgado. O principal fator para o funcionamento disso não pode ser outro: a química entre Chandler e Pierre, algo que tem sido destacado até nas entrevistas com os dois atores, é pra lá de boa. Não porque eles são grandes parceiros, ou porque se complementam, mas porque eles sabem levantar a bola pro colega cortar. Comparações fáceis são como a com Nick Nolte e Eddie Murphy em 48 Horas. Chandler e Pierre sabem se irritar. Em cena após cena, eles abrem a oportunidade para que um dê uma alfinetada no ego do outro. O vai-e-vem deles é fantástico.

Mais um sucesso do episódio vem em esticar essa dinâmica através dos poderes. Como previsto por Lianna, Hal entrega o anel para John quando os dois vão se infiltrar no rancho de Macon. E ali enfim vemos John colocando sua criatividade em ação. Primeiro, ele cria uma tuneladora, desenhando-a peça por peça, que ajuda os dois a entrarem na base pelo subterrâneo sem que sejam vistos.

Hal e John estão indo em direção a um celeiro no rancho, que, num bom exemplo do conhecimento arquitetônico de John, foi corretamente deduzido como o centro estrutural de todo o complexo da milícia de Macon. Ao chegar lá, eles se deparam com armas e tecnologia avançadas demais para humanos. Hal, sem perceber, ativa um alarme de pressão ao pisar numa armadilha, e John tem a excelente ideia de criar um kettlebell com o mesmo peso de Hal para enganar o sensor. É uma ótima sacada que só dá errado porque, claro, Hal mentiu sobre o peso.

Capturados por Macon – depois de serem neutralizados por armas que atiram escuridão, e por isso são capazes de anular a luz do anel – os dois começam a entender mais a fundo a situação toda. Bom, uma coisa que eles não entendem é a decisão de Macon de interrogá-los completamente nu, e ainda por cima pedir para John desenhá-lo “como uma de suas garotas francesas”. Na cena, fica claro que Macon está de fato trabalhando com o Caçador Cósmico e vai defendê-lo a todo custo, pois deve sua vida ao alienígena.

Depois de serem resgatados por Kerry (Kelly Macdonald), a dupla ganha uma pista fundamental, mas (aparentemente) a um grande custo. Naquela noite, John é visitado por Zoe (Poorna Jagannathan), e depois de mais uma vez se provar o terror das casadas, ele a observa enquanto ela é morta por um laser que vem do céu e atinge sua caminhonete.

Hal vai ao espaço pegar o satélite, e os dois logo descobrem que a arma foi criada pela Atlas Inc., uma empresa chefiada pelo clássico vilão do Lanterna Verde, Hector Hammond. Indo atrás de quem eles agora suspeitam ser o Caçador, os dois se deparam com um matadouro bizarro, movido por tecnologia extraterrestre. Antes de saírem dali, porém, a dupla passa por sua grande cisão quando o vilão mostra que ele estava espiando os quartos de hotel dos dois.

Ele não só ameaça usar o satélite na casa dos pais de John, como tem uma gravação do aprendiz falando que irá substituir Hal para os Guardiões porque o veterano não merece mais o anel, após aquele momento em que ele recebe a instrução de tomar o manto à força. A poker face de Jordan, que desarma a situação do satélite enquanto John se desespera, é sensacional e dura até a grande cena final do capítulo.

Porém, descobrimos que aquele Hector não era quem esperávamos. Seu sobrenome é Gutierrez. E esta é apenas mais uma das mentiras do episódio.

Voltando de carro para casa, Hal garante que perdoou John, e diz que acredita nele quando seu aprendiz jura que devolveria o anel se Macon não os tivesse capturado. Talvez seja verdade, mas Hal e John percebem, ao mesmo tempo, a verdade da situação. Os dois ouvem de Hector que Macon é o Caçador, e John até finge comprar a ideia. Mas então Hal o força a admitir a conclusão à qual ambos chegaram: Zoe provavelmente não morreu. Ela é o Caçador.

É aí que Hal repete uma ação do primeiro episódio, e pula de um carro em alta velocidade deixando John dentro. Dessa vez, porém, não há um desfiladeiro diante dele, nem um anel para salvá-lo. O capítulo termina com o carro acertando em cheio um poste de eletricidade, e depois de termos um gostinho de uma dinâmica mais amigável entre os dois personagens, terminamos de coração partido porque eles nunca estiveram tão distantes um do outro como agora.

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