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Lanternas encerra sua ótima 1ª temporada com um episódio que deixa a desejar

Sofrendo de um caso clássico de "Surf Dracula", conclusão da série entrega satisfação emocional, mas não soa como um clímax

Omelete
5 min de leitura
Atualizada em 05.10.2026, ÀS 09H35
Lanternas

Créditos da imagem: HBO

O texto abaixo contém spoilers para o final da primeira temporada de Lanternas.

"No dia mais claro, na noite mais densa, aceitarei meu medo para que o bem vença. Eu escolho este anel. Eu escolho lutar. Esta lanterna farei brilhar."

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O juramento acima, criado por John Stewart (Aaron Pierre) para assumir seu posto como Lanterna Verde na cena final desta temporada de Lanternas, resume bem os problemas deste capítulo derradeiro, e porque ele não é um encerramento à altura da ótima primeira temporada da série do DC Studios.

Não me entenda errado. Tudo que fez essa série brilhar ao longo das últimas sete semanas estava aqui de volta: as excelentes atuações de Pierre, Kyle Chandler e Kelly Macdonald (pelo amor de Deus, entreguem outro Emmy para essa mulher); os dilemas morais que requerem dos personagens mais do que uma simples resposta para um lado ou para o outro; a encenação pra lá de bonita. Trata-se de um bom encerramento para o arco de John, e uma fantástica conclusão para Rushville como um local e um povo. Mas, ainda assim, é difícil não sentir uma certa estranheza.

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Isso especialmente porque “Dirt and Stars” confirma um clássico caso de Surf Dracula para a série. Esse meme, popularizado na pandemia quando streaming passava por um boom, criticava como antigamente podíamos assistir aos personagens sendo quem eles eram em cada episódio, como no caso desse imaginário Drácula surfando, e na era moderna precisamos passar por dez episódios só para ver o vampiro encontrar uma prancha. É exatamente isso que vem à mente quando vemos John recitando seu lema pessoal, voando, mas jamais sequer colocando o uniforme – algo que certamente veremos em 2027 quando ele surgir em Man of Tomorrow.

E por isso digo que o lema é um bom resumo do que foi esse capítulo. Os problemas do episódio não se encontram na falta de uma batalha explosiva, ação frenética ou coisas do tipo. Lanternas não era o tipo de série que gastaria essa bala duas vezes. Não era justo esperar que a narrativa virasse algo que nunca foi. A questão está na execução. Veja o lema: trata-se de uma tentativa de John de rejeitar a ideia dos Lanternas como forjada pelos Guardiões e por seus pais, dando sua própria identidade ao poder. A decisão de John faz todo o sentido para sua progressão como pessoa, mas o texto em si – as palavras, o ritmo – não traz o mesmo impacto, e impede que ouçamos o lema tradicional expressado pelo menos uma vez de forma heróica durante toda a temporada. A intenção está no lugar correto, mas a execução não entrega.

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Há a conversa de John com Sinestro (Ulrich Thomsen), mas o vilão não justifica seu posto como a figura misteriosa no fim do caminho, servindo apenas como um grande repositório de informações. Há a revelação de que, sim, Noah (Shea Pritchard) é um Caçador Cósmico, mas nunca compramos o dilema moral de John de expor ou não o menino porque ele não demonstra um comportamento ameaçador sequer, apenas diz que pensa coisas ruins. E há a devastadora revelação de que Kerry matou Hal quando o Lanterna veterano descobriu a identidade do menino, uma jogada que funciona principalmente pela atuação de partir o coração de Macdonald, mas que ocupa menos conta do episódio do que deveria. E há, claro, o momento em que John enfim coloca o anel.

Num vácuo, todos os movimentos acima fazem completo sentido dado o andar da carruagem, mas “Dirt and Stars” se recusa tão veementemente a trocar de marcha que não há a sensação de clímax. Se a cena entre Hal e Sinestro lá atrás sugeria um antagonista capaz de entrar na mente do herói, a nova mostra um inimigo que parece reduzido a diálogos expositivos. A questão de Noah é, no papel, perfeita como oportunidade para John seguir um caminho diferente daquele que ele e Hal tomaram em 2016 (e para o crédito da série, é exatamente isso que acontece), mas graças ao quão óbvia essa reviravolta era e quão pouco ela agrega dramaticamente, não sentimos o peso moral necessário.

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E então temos Kerry. Aqui, o problema não é maior porque Macdonald estampa em seu rosto os últimos ares de uma pessoa quebrada e desesperada. Olhar para ela é sentir as consequências emocionais da história encarnadas numa pessoa. As cenas, tanto da morte de Hal quanto da conversa dela com John, são outros quinhentos. Por mais que a reação de Kerry ao atirar em Hal seja impactante, a forma impulsiva como aquilo acontece não parece coerente com uma personagem que, até aqui, parecia a mais equilibrada de todo o elenco. Por outro lado, eu não sei qual seria a alternativa. Os roteiristas se colocaram num beco sem saída. Não há outra forma de acreditarmos que Kerry seria capaz de matar Hal se não no impulso. Se este é o caso, porém, a discussão dos dois precisava ter justificado melhor esse lapso no julgamento da xerife.

Finalmente, John. É louvável a atitude de Lanternas de manter o foco de seu protagonista nas suas qualidades como homem antes de suas habilidades como guerreiro, e em termos de fechamento, os contornos de sua transformação num herói são desenhados como deviam: nos termos de John, e mais ninguém. Contudo, vê-lo voar alguns metros, nunca colocar um uniforme (especialmente quando existe o foreshadowing disso quando ele encontra a roupa de Hal no segundo episódio) e ter um lema tão morno… bom, esse não é o ponto de exclamação que o fim de sua jornada merecia.

É claro que esse não é o fim da jornada. Uma segunda temporada já está sendo desenvolvida, e pelos números de audiência, uma renovação é bem provável. Este episódio, porém, tem mais cara de um epílogo para esse primeiro ano da série do que de uma conclusão. Foi um ótimo caminho até aqui, mas a linha de chegada deixou a desejar.

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