Olivia Liang e Eddie Liu

Créditos da imagem: CW/Divulgação

Séries e TV

Artigo

Kung-Fu | A importância da série frente à violência contra asiáticos

Elenco compartilha sua própria relação com ascendência e exalta relevância da produção da HBO Max

Julia Sabbaga
07.10.2021
16h28

Em 2019, os Estados Unidos registraram a maior taxa de violência contra cidadãos de ascendência asiática em uma década. Com a pandemia do novo coronavírus, agências reguladoras como a Stop AAPI Hate (pelo fim do ódio a ásio-americanos e individuos de ilhas do Pacífico) surgiram para registrar e analisar os incidentes, que aumentaram ainda mais em 2021. Por isso, a pergunta sobre a relevância da série Kung-Fu, da CW, no momento atual, era inevitável durante a coletiva com os atores. Remake da produção homônima dos anos 70, que era estrelada por David Carradine, a série que acaba de chegar na HBO Max no Brasil é uma das únicas produções de TV aberta americana que conta com um elenco predominantemente asiático. 

Presentes na ocasião, Olivia Liang e Eddie Liu compartilharam suas experiências ao Omelete, ressaltando a celebração da cultura asiática na produção. "Não poderíamos ter planejado o timing melhor nem se tivéssemos tentado”, disse Liu, em relação à data de lançamento em abril nos EUA e o pico de violência contra asiáticos. “É surreal, me deu sentimentos conflitantes e muito para refletir, em termos do meu papel nessa série, na cultura pop, e como isso ressoa ao nosso redor”. Na série, Liu interpreta Henry Yan, interesse amoroso da protagonista Nicki Shen, de Liang. Para a atriz que lidera o elenco, um dos melhores elementos da série é levar a cultura chinesa para o mundo: “é divertido fazer parte de uma série que celebra o significado de ser sino-americana”.

Apesar de elogiar os mesmos aspectos de Kung-Fu, os dois atores divergiram em termos de sua experiência pessoal, com Liang relembrando uma infância mais distante das discriminações:Eu tive sorte de crescer em uma área predominantemente asiática, no sul da califórnia, então eu nunca me senti estrangeira, diferente ou com vergonha de quem eu sou”. Uma realidade mais ampla veio anos depois, ao se tornar atriz: “foi então que percebi a escassez de papéis e a falta de conhecimento sobre essa cultura neste universo”. 

“Odeio admitir que não tinha um sentimento de orgulho”, disse Liu, em contraponto. Tendo passado sua infância em uma cidade predominantemente branca no estado de Nova York, o ator explicou que passou muito tempo escondendo sua ascendência. “Cresci em um local metropolitano e liberal, e ao mesmo tempo não me sentia seguro para compartilhar minha cultura. E olhando para trás eu gostaria que eu tivesse”. Por isso, Kung-Fu é uma oportunidade de exaltar a cultura de forma inédita: “trabalhar nesta série e crescer me fez querer reivindicar isso, e compensar por isso”. 

A ideia é que Kung-Fu inspire outras pessoas a sentirem o mesmo, e entregue uma tentativa de equilíbrio em um jogo tão dominado por produções majoritariamente brancas. “O que eu amo da nossa série, o que nossa série mostra, é sino-americanos como pessoas reais. E parte do motivo por trás desse racismo que continua acontecendo é que eles não tratam estas pessoas como pessoas”, concluiu Liu. 

Kung-Fu está disponível na HBO Max e já foi renovada para sua 2ª temporada, ainda sem data de lançamento anunciada. 

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.