Homens, nova série de Fábio Porchat, fará piada com inadequação masculina

Créditos da imagem: Fábio Porchat em Homens/ Divulgação/ Comedy Central

Séries e TV

Entrevista

Homens, nova série de Fábio Porchat, fará piada com inadequação masculina

Atração trará quarteto de amigos lidando com avanços do mundo moderno; leia entrevista

Rafael Gonzaga
19.10.2018
15h30
Atualizada em
19.10.2018
16h02
Atualizada em 19.10.2018 às 16h02

E se séries como Sex and The City e Girls, importantíssimas em retratar as mudanças que ressignificaram o papel feminino na sociedade, fossem reimaginadas com homens ocupando os lugares centrais e vivendo os reflexos desses avanços? Essa é a proposta, a grosso modo, de Homens, nova produção do Comedy Central assinada e estrelada por Fábio Porchat. A atração coloca uma lupa sobre como os homens estão reagindo às mudanças galopantes do mundo contemporâneo, impulsionadas principalmente pelos progressos na questão do empoderamento feminino. Homens acompanha as desventuras de Gustavo (Gabriel Godoy), Pedrinho (Raphael Logam), Pedro (Gabriel Louchard) e Alexandre (Porchat), quatro amigos de longa data que, de repente, percebem que o mundo está se reinventando e eles estão ficando para trás.

As gravações de Homens aconteceram em setembro e o Omelete esteve no set de filmagens, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com Porchat, o ponto de partida da série é um dos maiores medos que orbitam o mundo masculino: a impotência sexual. Alexandre, personagem de Porchat, procura os amigos para revelar que está sofrendo de disfunção erétil e isso inaugura uma jornada de autoconhecimento tanto para ele quanto para os três amigos. “Todos os avanços que aconteceram do lado das mulheres também impactam os homens e eu queria poder falar desse lado. As mudanças estão muito fortes e, ainda bem que elas estão acontecendo, mas os homens estão meio perdidos. A gente vai acompanhar esses amigos e vamos entendendo que cada coisinha que eles estão vivendo representa um tipo de machismo diferente”.

Cada um dos personagens vive algum tipo de dinâmica que evidencia a inadequação social dos homens perantes as ditas novas regras do mundo moderno. Por exemplo, Porchat conta que Pedrinho, papel de Logam, é um homem workaholic que, prestes a ganhar uma promoção, vê seu chefe sendo demitido em função de um caso de assédio. Para completar, uma mulher passa a ocupar a vaga de liderança na empresa e ela reestrutura as dinâmicas outrora abusivas entre os funcionários. Na série, o personagem precisa se adaptar a essas relações reestruturadas, mas, no meio do caminho, é claro, ele opta por caminhos problemáticos envolvendo a nova figura de autoridade.

O Gustavo, interpretado pelo Godoy, é um completo imbecil”, continua Porchat sobre o quarteto. “É o cara que ainda mora com a mãe, que não tem noção de nada. É uma série onde você vê quatro caras tentando melhorar, tentando mudar, tentando evoluir, mas não sabendo como”. Apesar dessa inadequação ser o tema central da atração, há outros pontos tocados pela série, dado visibilidade a realidades muitas vez eclipsadas no dia a dia - é o caso de Louchard, cujo personagem é cadeirante. “Eu queria muito mostrar o cadeirante como alguém que transa. A gente fez bastante pesquisa, eu conversei com o Marcelo Rubens Paiva e ele me contou que os caras em cadeira de roda acabam transando com muitas mulheres por conta da tranquilidade que elas têm com eles - elas sabem que esse cara não vai assediá-la, não vai agredi-la”.

Masculinidade tóxica

Há uma polarização forte, principalmente nas redes sociais, sobre o debate da desconstrução do machismo - há quem aceite os avanços naturais da sociedade e há os que são mais resistentes em abandonar comportamentos ultrapassados. Porchat diz não se preocupar com a possibilidade de uma parcela dos homens se sentirem ofendidos com o tema da atração. “Tomara que se ofendam no bom sentido, que se percebam, que se identifiquem com o que está acontecendo ali. Tem muito homem que diz que não é machista porque acha que machismo é só passar a mão na bunda da mulher, é forçar algo, mas isso é só o ápice. Tem muitas outras instâncias anteriores, e é disso que nós estamos falando, que vão reforçando o machismo”.

Ainda sobre o assunto, Porchat diz que é interessante o potencial da atração para fazer não só que as pessoas se enxerguem nas situações exibidas, mas que percebam comportamentos tóxicos que, até então, eram vistos como naturais e mudem esses hábitos. “Ninguém nasce machista, a gente vai se transformando porque é assim que a sociedade vai martelando na sua cabeça. Se você não parar para pensar todo dia, toda hora, nas coisas que está falando, vai facilmente caminhar para esse lugar. Eu não acho que as pessoas vão ficar ofendidas, o que a gente fala é que tem muito homem - a maioria deles - que ainda é muito machista e dissemina esses pensamentos. Todos nós somos machistas porque crescemos na mesma sociedade, o negócio é ir se percebendo”.

Ainda sem data de estreia definitiva, a previsão é que Homens chegue ao Comedy Central no primeiro semestre de 2019.