His Dark Materials expande universo complexo em estreia da segunda temporada

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His Dark Materials expande universo complexo em estreia da segunda temporada

Série voltou unindo personagens de mundos diferentes e preparando história para algo muito maior

Camila Sousa
17.11.2020
00h00
Atualizada em
16.11.2020
16h43
Atualizada em 16.11.2020 às 16h43

Embora seja vendida como mais uma “história fantástica infanto-juvenil”, His Dark Materials tem uma trama bem complexa para o gênero, o que talvez justifique que o filme de 2007 e a série da HBO não sejam blockbusters gigantescos como Harry Potter e Jogos Vorazes. Ainda assim, o seriado inspirado nos livros de Philip Pullman consegue ser cativante e começou a expandir seu intrincado universo na segunda temporada.

[Cuidado com spoilers leves abaixo]

O primeiro ano termina com os jovens Lyra Belacqua (Dafne Keen) e Will Parry (Amir Wilson) saindo de seus respectivos mundos e entrando em um local totalmente novo. A produção retorna com as repercussões disso e começa principalmente pelas bruxas. Serafina Pekkala (Ruta Gedmintas) e Ruta Skadi (Jade Anouka) sentem que a passagem de Lyra mudou alguma coisa no mundo e a profecia que envolve a jovem está se cumprindo: Lyra está destinada a encerrar a grande guerra, mas precisa seguir seu caminho sem saber o que está fazendo.

Tal “perturbação” também é sentida pela instituição Magisterium, que luta para continuar forte e relevante com todas essas mudanças em vários mundos. O maior destaque desta sequência é como a Sra. Coulter (brilhantemente interpretada por Ruth Wilson) consegue aproveitar a oportunidade para se tornar importante. Rodeada por homens que não lhe dão crédito, Coulter oscila entre as figuras de poder da instituição, sabendo exatamente quem apoiar em qual momento. Aliás, a personagem parece até gostar que a subestimem, assim faz seu jogo de xadrez sem que ninguém preste muita atenção.

No entanto, a parte mais importante de “The City of Magpies”, primeiro episódio do ano dois, é o encontro entre Lyra e Will. Para quem conhece toda a mitologia do universo de Pullman, o momento é crucial. Para quem acompanha apenas a série de TV, há uma curiosidade sobre como Lyra vai lidar com suas diferenças em relação ao garoto. Como era esperado, a personagem de Keen se recolhe e, em um primeiro momento, não quer muito contato. Mas Will faz uma amizade inesperada com Pantalaimon (voz de Kit Connor), o daemon de Lyra. Ainda que o encontro cause estranheza aos dois, fica impossível não imaginar que, no fundo, Will se conectou com a alma de Lyra, ainda que nenhum dos dois tenha percebido a intensidade disso.

Há outro ponto que merece destaque. A cidade de Cittàgazze, onde Will e Lyra se encontram, foi abandonada pelos adultos e só é frequentada por crianças. O motivo disso foi a chegada dos Espectros, seres que se alimentam do Pó presente em pessoas mais velhas, mas que não apresentam riscos às crianças, que não possuem o Pó. Essa trama faz parte das intrincadas analogias colocadas por Pullman em suas histórias (que já deixaram a Igreja Católica bem nervosa). Usando o pano de fundo da fantasia, o autor fala sobre amadurecimento e o momento em que “deixamos de ser crianças”, colocando em pauta temas como o pecado original e a perda da inocência.

É satisfatório ver que a série da HBO está começando a falar de temas “espinhosos”, já que o desfecho de His Dark Materials traz conceitos complexos e ligações importantes com questões religiosas (algo bem distante da roupagem infantil do longa de 2007). É fato que o seriado faz isso de forma bem lenta, sem acelerar a explicação de certas coisas que aparecem em tela, mas provavelmente quem foi fisgado pela história não está com pressa para receber todas as respostas de uma vez. 

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