Foto de Naya Rivera em Glee

Créditos da imagem: Glee/Fox/Divulgação

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A evolução de Santana Lopez, a personagem de Naya Rivera, em Glee

Da “profana trindade” ao casamento com Brittany. Vamos relembrar a incrível trajetória da personagem vivida por Naya Rivera em Glee

Henrique Haddefinir
15.07.2020
11h31
Atualizada em
15.07.2020
11h57
Atualizada em 15.07.2020 às 11h57

A primeira canção que Naya Rivera cantou em Glee dizia: “Eu faço uma pequena prece por você”. Não foi exatamente cantada por ela, já que naquela época sua escalação para a série tinha sido uma movimento quase burocrático; e os produtores nem se deram ao trabalho de captar sua voz para os backings de Dianna Agron na música. Mas, ela estava lá, decidida a se fazer notar, escondendo seu maior trunfo: uma das vozes mais poderosas que aquele elenco teria a sorte de ouvir.

Além disso, Santana foi responsável por uma grande marca: ela mostrou meninas gays saindo do armário, encontrando o primeiro amor, redescobrindo o mundo. E a televisão na época não estava muito habituada a dar esse espaço para a representação do L na sigla LGBTQI+. A exploração da homossexualidade feminina pelo víes do amor romântico era nova e necessária. Naya não poderia ter sido mais competente nesse caminho.

Para relembrar os grandes momentos da personagem em Glee, preparamos essa lista que sublinha apenas alguns deles, que ainda assim são suficientes para reforçar o quanto Naya Rivera e Santana Lopez foram especiais e importantes. Vamos a eles.

A Profana Trindade

Essa lista precisa começar com aquele que é o momento em que o trio formado por Quinn (Dianna Agron), Brittany (Heather Morris) e Santana (Naya Rivera) se apresentou pela primeira vez. É um momento muito importante para as três personagens, mas, especialmente para Santana, já que ela é o ponto em comum entre as outras duas.

Com Quinn ela vai criar uma relação de amizade e rivalidade que vai culminar em tensão sexual mais para frente. E com Brittany, viverá uma intensa história de amor. Naya e Heather, nessa cena, não faziam parte nem do elenco regular e foram escolhidas por suas habilidades de dança; tanto que as vozes de backup nem são delas. Contudo, a perfeita química já apareceu e as duas foram escolhidas para acompanharem Quinn na incursão ao Glee Club.

Like a Virgin

Santana é logo identificada na série como uma vilã e durante quase toda a primeira temporada ela não apresenta muitas características redentoras. Para o público, a forma inteligente e perspicaz com a qual ela ofendia os colegas acabava sendo sempre engraçada. Mas, ainda assim ela torcia contra os herois da história.

O número de "Like a Virgin" é importante nessa trajetória por duas razões: foi nele que a voz de Naya surgiu da maneira criativa e poderosa com a qual passou a ser identificada dali por diante; e também foi nesse episódio que ela tirou a virgindade de Finn (Cory Monteith), o que acabou criando uma conexão entre eles que nunca mais foi perdida, ainda que ela o infernizasse. Por isso é que no episódio tributo ao ator e ao personagem, Santana tem seu momento solo de despedida.

Lebanese

Logo no início da segunda temporada da série, Santana e Brittany apareceram na cama juntas, trocando carícias. Brittany não entendia muito bem porque não podia falar a respeito, mas Santana tinha pavor de que a história entre as duas se tornasse pública. Nessa temporada, houve uma grande narrativa envolvendo as agressões de Karofsky (Max Adler) contra Kurt (Chris Colfer) por ele ser gay e um grande tempo foi investido em falar sobre assumir ou não assumir a própria sexualidade.

No episódio "Born This Way", todos precisaram usar uma camiseta com uma frase ou palavra que imprimisse sua maior vulnerabilidade. Brittany fez uma para Santana com a palavra LEBANESE, que ela acreditava ser a grafia correta para Lésbica. Santana ainda se recusou a usar a camiseta, mas no episódio seguinte teve coragem finalmente de assumir seu amor pela amiga. A cena foi uma grande virada para ela e um dos grandes momentos da série.

TroubleTones

No início da terceira temporada a série fez um movimento interessante. Mercedes (Amber Riley), cansada de lutar por espaço com Rachel (Lea Michele), decide entrar no segundo coral aberto na escola e leva consigo Santana e Brittany. Ao mesmo tempo em que as TroubleTones são formadas, Santana está vivendo a grande tensão de sua vida: por causa de uma manobra política do adversário de Sue (Jane Lynch) nas eleições, Santana é retirada do armário à força.

O episódio em que as TroubleTones apresentam o mash-up de "Rumour Has It / Someone Like You" é o mesmo em que a história vem à tona definitivamente; e resulta num dos finais mais bombásticos que Glee já teve. Além da performance e da versão da música terem sido das mais bem sucedidas da história da série, o episódio termina com Santana estapeando dramaticamente o rosto de Finn.

Abuela

Depois que é obrigada a sair do armário, Santana abraça a oportunidade e conta para os pais, que recebem tudo muito bem. Sua vó, contudo, tem uma reação inesperada. As avós, historicamente, são sempre descritas como mais passíveis de tolerar uma situação como essa. Ryan Murphy deu a volta nessa ideia e mostrou a avó da personagem rejeitando a neta após ela sair do armário numa cena realmente impactante. As duas, contudo, se reconciliaram na última temporada.

Snixx

Uma das grandes características de Santana era sua capacidade inacreditável de “gongar” os colegas com requintes de crueldade, a partir de monólogos geniais que desmascaravam a hipocrisia de quem era seu alvo naquele momento. Naya, inclusive, se divertia com eles e se dedicava muito a decorá-los perfeitamente, para que o ritmo da cena não se perdesse.

Ela fez isso com vários personagens, em diversos momentos. Desde Finn, lá no começo, até Kurt, já na última temporada. Santana dizia que tinha uma personalidade maléfica que a possuía ocasionalmente e chamava essa personalidade de Snixx. Sem dúvida nenhuma, devemos muitas das gargalhadas que a série nos proporcionou a essa faceta maléfica, até porque, na maioria das vezes, ela dizia para os outros personagens exatamente aquilo que nós queríamos dizer.

Brittana

Após a saída do armário na terceira temporada, Santana e Brittany puderam viver seu romance durante algum tempo, até que a faculdade chegou para Lopez; e Brittany, que estava no segundo ano, precisou ficar. Isso aconteceu com mais três casais. No quarto ano, então, o belíssimo episódio “The Break Up” mostra como esses casais se separaram para que o mínimo de respeito pudesse ser mantido entre eles.

É um dos episódios mais bem escritos e musicados da série e há grandes momentos em vários pontos dele. Para Santana e Brittany o fim chegou ao som de uma bela canção, que antecipava uma partida sensata e terna para as duas. O fim do relacionamento só aumentou o investimento emocional dos fãs do casal, que tornaram Brittana um sucesso.

Quinntana

O término com Brittany proporcionou a Santana viver outras experiências. Ela teve, inclusive, na quinta temporada, um romance com uma personagen vivida por Demi Lovato. Mas, talvez a experiência off-Brittany mais importante da trajetória de Santana tenha sido a noite que ela passou com Quinn no episódio “I do”, ainda da temporada quatro.

Quinn e ela sempre tiveram uma relação conturbada, de plena admiração e de agressividade também. Chegaram a se estapear nesse mesmo ano. No episódio do quase casamento de Will (Matthew Morrison), as duas estão solitárias e acabam resolvendo a tensão sexual que já estava evidente desde o começo. As cenas delas são o melhor do episódio e o surpreendente movimento dos roteiristas só provou mais uma vez que Glee não escrevia conforme nenhuma outra cartilha vigente.

New York

No final da terceira temporada, Glee precisou tomar uma decisão importante: alguns alunos iriam se formar e ir para a faculdade; isso mudaria a dinâmica da série. Inicialmente, Rachel e Kurt foram os personagens escolhidos para irem para Nova York, mas a ausência de Santana nos episódios era tão sentida, que Murphy fez com que ela também acabasse indo para a cidade no meio da quarta temporada. Com isso, uma ótima tensão se criou, já que Santana e Rachel eram quase inimigas e logo uma boa narrativa com Lopez sendo sua substituta na Broadway salvou um pouco do péssimo quinto ano da produção.

Hoje, olhando para trás, é possível teorizar o quanto essa relação ficcional pode ter contribuído para que a relação pessoal entre Naya e Lea fosse abalada. Mas, “abalada” é a palavra apropriada aqui, já que Naya cansou de dizer em entrevistas que até trabalharia com Lea novamente. Depois, diante das acusações de maus tratos sofridas pela intérprete de Rachel Berry, os eventos entre as personagens na série ganharam ainda mais importância. É impossível não achar incrivelmente provocativa a ideia de colocar Santana cantando "Don't Rain on My Parade", a canção que moldou a construção de Rachel lá no primeiro ano e que ganhou um arranjo todo especial para a voz de Naya. É um grande exemplo do quanto a passagem de Santana por Nova York foi explosiva.

Love is Love

Na última temporada, Santana e Brittany finalmente se reconciliaram e um grande casamento foi organizado pelo grupo. Ryan Murphy optou por fazer com que os dois casais gays da série se casassem juntos. Então, Kurt levou Brittany ao altar e Blaine (Darren Criss) levou Santana. Os quatro se casaram num lindo episódio. O mais inusitado da coisa toda foi que Sue Sylvester acabou sendo a responsável por reunir os casais, que estavam separados há bastante tempo. O casamento encerrou a trajetória de Santana, que apesar de nunca ter abandonado sua maneira “apimentada” de levar a vida, encontrou no amor a porta para aceitar-se e viver seus sonhos plenamente, desde os sonhos românticos até os sonhos profissionais.

Dreams Come True

A última aparicão de Santana na série aconteceu no episódio final, Dreams Come True, quando a história – que se passava em 2015 – avançava 5 anos para o futuro, chegando até, vejam só, 2020. O 2020 que imaginamos para Naya jamais teria sido esse que vivemos agora. Mas, o 2020 de Santana foi ao lado de Brittany, feliz, realizando seus sonhos, cantando ao lado dos amigos – no auditório Finn Hudson – a canção “I Lived”, do One Republic. O refrão, gritado a plenos pulmões, resumia o que mais precisa importar para todos nós, os desavisados que passam por esse mundo tão imprevisível e louco: “Eu fiz de tudo. Eu vivi cada segundo que esse mundo poderia me dar. Eu vi tantos lugares, fiz tantas coisas. Sim, mesmo com cada osso quebrado, eu vivi”.

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