Gentleman Jack

Créditos da imagem: HBO/Divulgação

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Gentleman Jack | Como Sophie Rundle dá vida a mulheres do passado

Atriz é um dos destaques de Peaky Blinders e Gentleman Jack

Patricia Gomes
13.06.2019
00h29
Atualizada em
13.06.2019
01h08
Atualizada em 13.06.2019 às 01h08

Sophie Rundle é uma atriz acostumada com séries de época. Além de viver Ada Shelby em Peaky Blinders, recentemente ela fez sucesso com o seriado Gentleman Jack – que chega ao episódio final de sua primeira temporada neste fim de semana.

Baseada em fatos, a série conta a história de uma dona de terras que luta contra os preconceitos da sociedade inglesa do século 19 - tanto na sua profissão quanto na vida amorosa, já que quer casar-se com outra mulher. Rundle vive Ann Walker, o interesse romântico da protagonista e uma pessoa bem diferente de seu papel anterior.

É diferente porque as coisas mudaram culturalmente e para mulheres as coisas mudaram. São 100 anos de diferença, então a vida de Ada Shelby é muito diferente de Ann Walker. É um mundo diferente, é por isso que gostamos de fazer isso, eu acho muito interessante ler sobre isso, se aprofundar nisso, como era, a política, ou a música, as roupas e os porquês. Eu fico flutuando por toda a história”, afirmou em entrevista ao Omelete.

Atualmente, a representividade de personagens LGBTQs tem crescido no cinema e, especialmente, em seriados. Porém, poucos deles mostram um recorte tão antigo quanto Gentleman Jack. Rundle explica que o grande desafio foi fazer a sexualidade ser algo secundário em relação aos dramas pessoais de cada personagem. Elas são pessoas, protagonistas, e as coisas são sobre sua sexualidade, mas estamos meio que fazendo graça com isso, não estamos sendo lascivos, estamos realmente interessados em como é esta vida e como é a experiência para pessoas LGBTQ naquela época. E eu acho isso muito empolgante”, afirmou.

Por conta da homossexualidade da protagonista, muito de sua história foi apagado por conta da vergonha de sua família. Porém, a série contou com duas pesquisadoras históricas que foram fundamentais na construção das personagens. “Elas tiraram trechos dos diários que eram relevantes para mim, me mandaram, então eu aprendi muito deste modo. Mas o resto estava no roteiro, e toda a outra pesquisa que eu quis fazer era sobre a época, o mundo que viviam, e que tipo de vida ela levava. Que tipo de vida uma mulher em sua posição levava. E a partir disso fomos desenvolvendo o roteiro com Sally [Wainwright, criadora]”, completou.

A personagem de Rundle, Anne Walker, inicialmente parece ser apenas o oposto de Ann Lister: é tímida, reservada e discreta. Contudo, a atriz explica que logo no começo entendeu que existe uma força muito maior dentro dela que poderia imaginar. “Isso é muito escondido no início da série, mas ela era uma mulher que conseguiu fazer o que nenhuma outra conseguia, ela casou com ela, e isso precisou de uma quantidade absurda de coragem, para se levantar e dizer ‘eu vou ficar com essa mulher’. Foi tão corajoso e precisou de tanta força, e isso é muito satisfatório desta personagem, que ela parece ser uma coisa mas há algo a mais acontecendo, e isso realmente aparece no decorrer da série”, finalizou.

A verdadeira força do personagem deve ficar claro no oitavo e último episódio de Gentleman Jack, que será lançado no dia 14 de junho, às 22h, na HBO. A segunda temporada já está garantida, mas ainda não há previsão de estreia ou detalhes da trama – leia mais