Fúria | "Quero que o público fique desconfortável", diz criadora sobre duelo entre policial e vilã
Omelete conversou com Liz Meriwether sobre a nova série do Disney+
Um dos maiores riscos de qualquer thriller sobre serial killer é deixar claro demais quem é o mocinho e quem é a vilã. Liz Meriwether, criadora de Fúria, nova série do Disney+, conta que evitar essa armadilha foi uma prioridade desde o início concepção da série, mesmo que isso signifique deixar o público desconfortável.
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"Eu nunca quero que o público fique confortável demais com nenhuma das duas personagens", afirmou a criadora em entrevista exclusiva ao Omelete, explicando que a série começa propositalmente em papéis mais reconhecíveis — uma agente do FBI e uma serial killer — antes de complicar essa dinâmica ao longo dos episódios. A ideia, segundo ela, é que a audiência comece a questionar seus próprios julgamentos sobre quem está certo.
Isso não significa suavizar as escolhas de Catherine, a assassina vivida por Lola Petticrew. Meriwether foi direta ao dizer que considera "muito triste" que a personagem tenha optado pela violência como resposta ao que sofreu, justamente porque essa escolha a aprisiona e a impede de seguir em frente. O objetivo, segundo ela, nunca foi absolver a assassina, mas complicar a forma como o público enxerga suas motivações.
"Eu queria que o público ficasse na ponta da cadeira e desconfortável de um jeito bom, porque eles estão sempre descobrindo novas informações sobre o porquê de as pessoas fazerem o que fazem, e questionando constantemente seus julgamentos sobre as personagens. Isso era muito importante para mim."
Parte dessa complexidade veio de conversas reais que Meriwether teve com agentes mulheres do FBI durante a pesquisa para a série. Segundo ela, foi nessas conversas que descobriu o quanto o trabalho delas envolve humor pesado e o quanto é, na prática, um trabalho de cuidado — muito mais sobre ouvir e ajudar vítimas do que sobre perseguições e armas.
Um detalhe real dessas entrevistas foi parar direto na tela: uma das agentes contou que sempre dirigia com lanches comprados do próprio bolso para distribuir a vítimas de tráfico humano. Esse gesto inspirou diretamente a personagem de Nora, vivida por Quincy Tyler Bernstine, que carrega lanches e roupas no carro ao longo da série.
Fúria já está disponível no Disney+ na América Latina, com episódios semanais até 31 de agosto.
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