Emergência Radioativa | Conheça a história real da série do Césio-137 em Goiânia
Série da Netflix explora o terrível acidente radiológico que aconteceu em 1987
Créditos da imagem: Netflix
Nova série da Netflix, Emergência Radioativa traz para a tela uma das histórias mais assustadoras e extraordinárias dos últimos 50 anos no Brasil: o caso do césio-137 em Goiânia, considerado o maior acidente radiológico do mundo. Conheça abaixo os principais detalhes do acontecimento, e se a série é fiel à verdade.
Emergência Radioativa é uma história real?
Sim, como um todo, a série é uma história real. Com isso, não queremos dizer apenas que o caso do césio-137 aconteceu, mas que a forma pela qual Emergência Radioativa dramatiza os eventos é fiel à verdade. O que a série faz é alterar o nome dos envolvidos. Dos catadores aos membros da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), os personagens têm nomes diferentes das pessoas verdadeiras. Abaixo, descreveremos a história com os nomes reais.
Mas, sim: a cápsula contendo o material radioativo de fato foi abandonada numa clínica meio demolida, e de fato foi recolhida por dois catadores, Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira, que depois a venderam para um ferro-velho.
A cápsula do césio-137 realmente foi abandonada de forma negligente?
Sim, a cápsula estava presente numa clínica do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), que operava num terreno da Sociedade de São Vicente de Paulo, e cedeu o espaço com a condição de que exames gratuitos fossem feitos para pacientes da Santa Casa de Misericórdia. A Sociedade então acusou o IGR de descumprir o acordo, e ordenou que eles deixassem o terreno, que seria então vendido para o Instituto de Previdência e Assistência do Estado de Goiás (IPASGO). Este iniciou a demolição da clínica, mas uma liminar obrigou a interrupção da obra em 1987. Então, o equipamento ficou lá abandonado em meio às ruínas.
Como o césio-137 se espalhou por Goiânia e foi identificado?
Foi nesse ferro-velho de Devair Ferreira que o objeto foi aberto, e os 19,26 gramas de cloreto de césio-137 começaram a se espalhar. Também é verdade que o irmão de Devair, Ivo Ferreira, levou um pouco de césio para sua filha, Leide das Neves, que ingeriu partículas da substância quando jantou na mesa de sua casa, onde brincou com o material.
Quando as pessoas à sua volta começaram a ficar doentes, a esposa de Devair começou a suspeitar que o “pozinho brilhante” era responsável pelos sintomas de náusea, diarreia e mal-estar que todos de sua família estavam exibindo. Maria Gabriela Ferreira eventualmente levou a cápsula do césio-137 para a vigilância sanitária de Goiânia e, como visto em Emergência Radioativa, o objeto permaneceu abandonado no local por dois dias.
Por fim, foi o físico Walter Mendes Ferreira que suspeitou e confirmou que os sintomas haviam sido causados por um material radioativo, e iniciou os procedimentos para tentar conter a situação, trazendo os profissionais da CNEN. Também é fato que os afetados foram postos em quarentena no estádio municipal pelo governador, Henrique Santillo, que tentou minimizar o caso para conter o pânico.
Quantas pessoas morreram no caso do Césio-137?
A Associação das Vítimas do Césio 137 afirma que entre 1987 e 2012, aniversário de 25 anos do caso, mais de 100 pessoas morreram nos anos seguintes pela contaminação, decorrente de câncer e outras condições causadas diretamente pela radiação. Ao todo, estima-se que mais de 1600 pessoas foram afetadas pelo caso.
Ao fim de tudo, mais de 13 toneladas de lixo radioativo foram geradas por conta da contaminação.