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Emergência 53 tem a energia e a brasilidade para ser mais um grande sucesso do Globoplay

Trama médica envolvente não esquece que é, acima de tudo, uma história peculiarmente brasileira

Omelete
4 min de leitura
20.08.2026, às 12H31.

Histórias médicas costumam gerar um fascínio interessante no público em geral. Seja pelas especificidades da profissão, pela tão falada dificuldade de ingressar na faculdade e de concluir o curso, ou mesmo pelos atos heroicos que muitas dessas tramas estabelecem como padrão para seus arcos. Não é à toa que, nos últimos anos, séries como The Pitt e a já concluída Sob Pressão tenham agradado tanto ao público. Além de trazer esses pontos já conhecidos, elas ainda mergulham no lado social tanto dos pacientes quanto dos médicos e enfermeiros. E é nessa seara (e com um prêmio no Festival de Berlim deste ano) que Emergência 53 chega ao Globoplay como uma grande promessa de sucesso.

A história acompanha uma unidade do SMU, uma espécie de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que opera sob a supervisão da médica Irene (Yara de Novaes). Ela decide formar a equipe com um grupo peculiar de médicos e enfermeiros. A trama parte da chegada de Manuela (Valentina Herszage), uma novata que entra na equipe como moeda de troca por novos leitos de atendimento e como um elo para o passado de Irene. Além delas, formam o time: Glória (Heloísa Jorge), uma médica com pendências na Justiça; Vandam (Jaffar Bambirra), motorista de ambulância cujo pai está preso; Duda (Ana Hikari), também motorista e mecânica, que cria conteúdo adulto para ter uma renda extra; Pedro (Emílio Dantas), um médico genial com transtorno de bipolaridade; e Átila (William Nascimento), enfermeiro evangélico que se vê dividido entre a fé e as tentações.

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Logo nos primeiros episódios, Emergência 53 mostra as credenciais da equipe por trás das câmeras — a mesma de Sob Pressão —, repetindo a parceria entre Cláudio Torres, Márcio Maranhão e Andrucha Waddington. Além disso, a série volta seu olhar para questões sociais que vão muito além dos atendimentos. Política, corrupção, centros médicos lotados e sem vagas para novos pacientes e saúde mental são alguns dos temas que permeiam as primeiras horas da produção, mesclando a ação e a curiosidade sobre os procedimentos médicos a dilemas do cotidiano não apenas da área da saúde, mas de toda a sociedade brasileira.

Emergência 53
Reprodução/Globoplay

Soma-se a isso a excelente escolha do elenco protagonista. Yara de Novaes faz a líder firme que encara desde políticos até traficantes, mas que está sempre pronta para defender seus comandados. Valentina Herszage traz a fragilidade perfeita da novata que logo mostra a que veio, precisando experimentar vitórias e derrotas na mesma proporção. Heloísa Jorge é o grande destaque do terceiro episódio, estrelando a trama mais impactante sobre a corrupção no sistema de saúde. Já Emílio Dantas tem o trabalho mais complicado: construir um personagem antipático, mas que carrega o brilhantismo da profissão e um drama pessoal ainda mais forte. Ana Hikari, William Nascimento, Jaffar Bambirra e Thaíssa Carvalho (como a ótima telefonista Lucinéia) também ganham seus momentos de brilho, orbitando em torno do quarteto que, ao menos neste início, protagoniza os arcos principais.

Com a estrutura de “caso da semana”, Emergência 53 aproveita bem o leque de atores da Globo ao trazer participações especiais excelentes, como Stepan Nercessian, Julia Lemmertz, Telmo Fernandes e, claro, Fernanda Montenegro. A diva do teatro, da TV e do cinema interpreta Dona Laura, mãe de Irene, uma idosa rebelde que vê no fim da vida a oportunidade de não perder tempo em uma cama de hospital. É uma personagem instigante, que vai aparecendo aos poucos na história e deve ganhar ainda mais relevância ao longo da temporada.

A trama criada por Torres e Fábio Mendes não perde tempo e acelera na ação, tal qual as ambulâncias da equipe. Se o primeiro episódio aborda um acidente em uma comunidade dominada pelo tráfico, o segundo nos transporta para um hotel de luxo onde um político enfarta — mas não pode ter sua localização revelada. São histórias ágeis que usam muito bem não só a tensão das situações, como também o humor e o melodrama.

Emergência 53
Reprodução/Globoplay

Emergência 53 chega ao Globoplay como mais um acerto do serviço de streaming e reúne todos os elementos para se tornar um grande sucesso popular. Em uma época em que The Pitt é a produção que vem conquistando o público e as premiações lá fora, a série brasileira prova que também sabemos contar esse tipo de história com maestria, sob a ótica das nossas próprias peculiaridades e com o tempero dramático típico das produções nacionais.

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