Imagem de Elseworlds

Créditos da imagem: Elseworlds/CW/Divulgação

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Elseworlds serve de base para o futuro, mas não lida bem com vários personagens

Crossover do Arrowverse é como o "filme do meio" de uma trilogia

Camila Sousa
17.12.2018
01h25

Já se tornou tradição: todos os anos as séries que integram o Arrowverse fazem um crossover que une os heróis e conta uma história grandiosa. Crise na Terra-X foi o bem-sucedido encontro de 2017, que mostrou os heróis lutando contra suas versões nazistas. Para 2018, a ideia foi fazer uma troca de corpos entre Oliver Queen, o Arqueiro Verde, e Barry Allen, o Flash, que acordam em realidades alternativas e precisam encontrar uma forma de voltar tudo ao normal. Embora essa seja uma ideia interessante que rendeu bons momentos nos três episódios, ela evidenciou como a CW tem dificuldade em lidar com vários personagens.

O primeiro sinal é que Legends of Tomorrow, que também faz parte do Arrowverse e já esteve em outros crossovers, ficou fora de Elseworlds exatamente pela quantidade de personagens. Mesmo com essa decisão os episódios não têm equilíbrio entre o tempo de tela dos heróis. Um dos exemplos é a Batwoman (Ruby Rose), uma das personagens mais aguardadas pelos fãs. Ela aparece em Arrow, mostra como está a cidade de Gotham, mas não faz nada além de ser reativa em relação ao que acontece na cidade. A ação com a personagem se resume à uma cena e o único momento memorável é seu encontro com a Supergirl.

A Garota de Aço, aliás, é outra que sofre bastante com o enredo do crossover. Como as trocas de corpos são entre Oliver e Barry, Supergirl fica em segundo plano durante toda a trama, inclusive no terceiro episódio, que está dentro de sua série. Ela acompanha e tenta ajudar os verdadeiros protagonistas da história, mas a verdade é que não faria diferença nenhuma se ela também não tivesse participado do crossover. A única justificativa para a presença da heroína - que até tem os poderes diminuídos para a história fluir - é a participação do Superman. Como heroína solo, infelizmente, ela teve pouco a acrescentar.

Elseworlds acerta mesmo quando foca em Barry e Oliver, mostrando mais uma vez que o crossover poderia ter sido apenas entre eles. Com supervelocidade, Oliver Queen acorda no mundo de Barry Allen e percebe aos poucos que a vida do velocista não é perfeita como parece ser. Já Allen adquire as habilidades de luta e pontaria do Arqueiro e entende que o companheiro convive com ódio e raiva, que são seus combustíveis para ser um herói. Em cada pequeno momento, Barry e Oliver sentem as dores um do outro e o resultado é que a relação dos personagens cresce muito durante todo o crossover. Há, inclusive, uma boa discussão de Oliver sobre os heróis que “ganham” seus superpoderes em algum evento extraordinário e os que precisam treinar suas habilidades do zero, como ele fez.

Outro acerto do crossover é a transição natural entre os três episódios e como as histórias anteriores não afetam a compreensão do público. Mesmo para quem não assiste The Flash, Arrow e Supergirl regularmente, duas ou três linhas de diálogo estabelecem em que ponto o herói está em sua história e não é necessário assistir às temporadas inteiras. Isso mostra que a CW, apesar de pecar ao lidar com muitos personagens, sabe conduzir a história de um crossover para que o público se divirta sem grandes complicações.

Apesar dessas qualidades, Elseworlds não se destaca entre os crossovers principalmente porque tem ares do “filme do meio” de uma grande trilogia. Ele não é tão bom quanto o anterior e, mais do que desenvolver sua própria história, ele serve como uma introdução para o próximo encontro, já confirmado como a Crise nas Infinitas Terras. Agora resta aos fãs esperar que essa próxima reunião, que tem como base um dos eventos mais grandiosos dos quadrinhos, tenha mais equilíbrio e dê espaço para que cada tenha seu momento heroíco.