“Duvido que seja a última temporada”, diz Waddington sobre volta de Sob Pressão

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“Duvido que seja a última temporada”, diz Waddington sobre volta de Sob Pressão

Apesar do tom grandioso de sua estreia, quinta temporada de Sob Pressão pode não ser a última.

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Henrique Haddefinir
04.06.2022, às 10H30
ATUALIZADA EM 04.06.2022, ÀS 10H49
ATUALIZADA EM 04.06.2022, ÀS 10H49

Ele já passou por isso três vezes”, disse o diretor Andrucha Waddington, apontando diretamente para o roteirista Lucas Paraizo quando a pergunta inevitável sobre o fim de Sob Pressão chegou. O sucesso da série nunca foi uma surpresa, mas as constantes iniciativas de terminá-la tão cedo, sim. A estreia do quinto ano trouxe de volta a ameaça do fim, apenas para que ela volte a ser praticamente desmentida na voz de seu principal responsável: “Eu duvido que essa seja a última temporada. Nada foi encomendado, mas estamos só esperando a ordem”.

A série, então, enfrenta as consequências desse impasse para dizer adeus. Embora Lucas e Andrucha falem de um “grande gancho”, a temporada também precisava ser pensada para que fosse a última dessa jornada. Os enredos já passaram por muitas variações, mas foram sempre pautados na falta de recursos e na sobrecarga da mão de obra. Mesmo que algumas repetições façam parte do processo natural das coisas, Sob Pressão já começa a demonstrar sinais de cansaço; com suas saídas clássicas que vão do parente que surge, do filho que já chega pronto, até o câncer que sempre acomete alguém do elenco quando o tempo já está agindo contra o interesse da audiência.

Apesar das reservas, o resultado final continua sendo acima da média entre a maioria das séries nacionais. Sob Pressão consegue unir a fórmula das séries americanas em termos de estrutura, com uma realidade social que é a nossa grande ferramenta de originalidade. Lucas Paraizo e sua equipe organizam os clichês de modo que eles escudem o núcleo da dramaturgia; e o conceito e o planejamento da série aparecem no decorrer na temporada. “Os nossos médicos estão doentes e essa vai ser a nossa temática. Vamos jogar os holofotes para eles”, afirmou o roteirista.

Evandro (Julio Andrade), Carolina (Marjorie Estiano), Décio (Bruno Garcia), Rosa (Josie Antello) e Charles (Pablo Sanabio) seguem como originais desde a primeira temporada. David Junior e Drica Moraes integraram o elenco há menos tempo; e apesar de terem aparecido pouco na estreia do quinto ano, estão bem ajustados no grupo. A ideia é que todos eles, em algum momento, enfrentem a realidade de que aquele trabalho está consumindo suas vidas enquanto eles salvam as vidas dos outros; o que acaba sendo o paradoxo definitivo e inconveniente. Como bem disse Julio Andrade: “Não tem cena fácil, não tem cena de café-da-manhã, não tem leveza, não tem tempo de respirar... nunca nem usei nada de maquiagem na cara”.

Sob Pressão Interna

Para esse retorno, o objetivo foi aumentar a ideia de que a pressão pela qual os médicos passam está se tornando insuportável. A velha artimanha de trazer o olhar de um residente novo funciona ali como olhar panorâmico, mas pouco eficiente no reforço daquela realidade. Esse ponto, de fato, não precisa nem mesmo de impulso... Os casos da semana se desenvolvem com segurança, coerência e doses calculadas de emoção. E são tão fortes que cumprem sozinhos a função de impressionar a audiência.

Lázaro Ramos surgiu como aquela que será – provavelmente – a primeira participação de uma série de grandes participações. Foi realmente impressionante ver como a equipe de roteiristas conseguiu dar ao enredo envolvendo gêmeos uma abordagem interessante e nova. Era a mesma base, o mesmo escopo dramático do gêmeo que morre para salvar o outro, mas com uma diretriz ligeiramente diferente. O caso da enfermeira que de mansinho vai revelando ter talento para a medicina também é nosso velho conhecido; mas foi conduzido com carisma pelo episódio.

É uma pena que o romance de Décio precise ser problematizado com viagem ou que seja necessário trazer outro parente de Evandro para fazer sua trama andar (mesmo que esse parente seja vivido por Marco Nanini). Até mesmo o câncer que Carolina descobrirá também soa só uma maneira de continuar castigando os personagens, quando, na verdade, eles já sofrem muito na própria rotina profissional. As narrativas nacionais (e especialmente as globais), tendem a flertar perigosamente com a miséria humana fetichizada, o que acaba, infelizmente, esvaziando justamente a emoção que eles querem invocar.\

Ainda assim, Sob Pressão iniciou seu quinto ano com um bom episódio. Esperamos que a escrita de Lucas Paraizo e a direção de Andrucha se entendam com essa sanfona de expectativas sobre o fim. Às vezes, por mais importante que uma história seja, ela precisa acabar. Mais importante: ela precisa saber que vai acabar.

Sob Pressão já está com os primeiros episódios disponíveis no Globoplay e terá o começo dessa quinta temporada exibida na próxima Tela Quente.

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