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Entrevista

DragCon estreia no Brasil com evento impecável: “Estamos onde merecemos estar”

Omelete compareceu e falou com drag queens brasileiras e gringas sobre a 1ª edição

Omelete
3 min de leitura
10.06.2026, às 19H00.
DragCon Brasil 2026 (Reprodução/Instagram)

Créditos da imagem: DragCon Brasil 2026 (Reprodução/Instagram)

A fila mais movimentada, e mais insistente, dos dois dias de DragCon Brasil 2026 se formou na frente do cantinho dedicado a Fontana. A glamurosa drag queen nascida no Brasil, que se consagrou participando do Drag Race Suécia (seu país de morada desde 2014) e depois apareceu na edição UK vs. The World da franquia, falou ao Omelete sobre a emoção de ser “reacolhida” em seu país natal.

É a realização do meu maior sonho. Eu posso não ter ganhado uma coroa durante as minhas temporadas, mas para mim essa é a maior vitória de todas”, comentou. “Eu fui uma criança rejeitada, que sofreu muito bullying, e receber tanto amor hoje… gente, eu fico muito emocionada, porque realmente vocês mudaram minha vida”.

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O tom de emoção acompanhou boa parte do evento, o primeiro deste tipo no Brasil – um dos países que mais consome a franquia Drag Race, e berço de nomes indefectíveis da arte drag. Bem organizada mesmo no espaço limitado do pavilhão amarelo do Expo Center Norte, a primeira DragCon Brasil destacou nomes como Grag Queen, que foi apresentadora do palco principal.

É uma delícia estar aqui vivendo esse evento. Quando fui pela primeira vez lá fora, fiquei surpresa: ‘Como assim, é tudo de drag?!’”, brincou Grag em conversa com o Omelete. “Só que agora tem o gosto de drags brasileiras, o booth da Márcia Pantera, da Ikaro Kadoshi, todas as minhas filhas estão aqui. Então, sim, é uma delícia estar recebendo essa festa em casa”.

A referência às “filhas” (competidoras das duas temporadas até agora do Drag Race Brasil) é mais do que merecida: nomes como Ruby Queen, Organzza, Bhelchi, Betina Polaroid, Melina Blley e Miranda Lebrão, todas participantes do programa, estiveram entre os mais requisitados do evento. Para a paulistana Bhelchi, uma favorita dos fãs na 2ª temporada do programa, é um reconhecimento ao “tempero” especial que o Brasil traz para sua arte.

O que nos diferente em qualquer tipo de arte é a vontade de fazer que a gente tem. Seja pelas oportunidades serem mais difíceis, pelos acessos serem complicados, por tantas outras coisas, quando a gente tem uma oportunidade, a gente agarra, faz acontecer”, comentou ela ao Omelete. “Aqui na DragCon, eles cedem o espaço, mas quem produz tudo é a gente, do nosso bolso. Look, merch, tudo o que vocês veem é a gente que faz. Então é muito amor e dedicação envolvidos”.

Nas palavras de Silvetty Montilla, venerada veterana da cena drag queen do país e homenageada da primeira edição da DragCon Brasil, a chegada de um evento dedicado a esta arte às terras paulistanas é o cumprimento de uma promessa.

Nós temos grandes artistas, e aqui nós estamos onde nós merecemos estar”, comentou ela ao Omelete. “A gente já faz teatro, faz TV, faz eventos… Então, eu acho que essas queens brasileiras estão – e eu digo elas, mas é “nós”, claro – onde merecem estar”.

A DragCon Brasil 2026 aconteceu em 5 e 6 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). A edição 2027 já foi confirmada pela organização, mas ainda não tem data anunciada.

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