DragCon estreia no Brasil com evento impecável: “Estamos onde merecemos estar”
Omelete compareceu e falou com drag queens brasileiras e gringas sobre a 1ª edição
Créditos da imagem: DragCon Brasil 2026 (Reprodução/Instagram)
A fila mais movimentada, e mais insistente, dos dois dias de DragCon Brasil 2026 se formou na frente do cantinho dedicado a Fontana. A glamurosa drag queen nascida no Brasil, que se consagrou participando do Drag Race Suécia (seu país de morada desde 2014) e depois apareceu na edição UK vs. The World da franquia, falou ao Omelete sobre a emoção de ser “reacolhida” em seu país natal.
“É a realização do meu maior sonho. Eu posso não ter ganhado uma coroa durante as minhas temporadas, mas para mim essa é a maior vitória de todas”, comentou. “Eu fui uma criança rejeitada, que sofreu muito bullying, e receber tanto amor hoje… gente, eu fico muito emocionada, porque realmente vocês mudaram minha vida”.
O tom de emoção acompanhou boa parte do evento, o primeiro deste tipo no Brasil – um dos países que mais consome a franquia Drag Race, e berço de nomes indefectíveis da arte drag. Bem organizada mesmo no espaço limitado do pavilhão amarelo do Expo Center Norte, a primeira DragCon Brasil destacou nomes como Grag Queen, que foi apresentadora do palco principal.
“É uma delícia estar aqui vivendo esse evento. Quando fui pela primeira vez lá fora, fiquei surpresa: ‘Como assim, é tudo de drag?!’”, brincou Grag em conversa com o Omelete. “Só que agora tem o gosto de drags brasileiras, o booth da Márcia Pantera, da Ikaro Kadoshi, todas as minhas filhas estão aqui. Então, sim, é uma delícia estar recebendo essa festa em casa”.
A referência às “filhas” (competidoras das duas temporadas até agora do Drag Race Brasil) é mais do que merecida: nomes como Ruby Queen, Organzza, Bhelchi, Betina Polaroid, Melina Blley e Miranda Lebrão, todas participantes do programa, estiveram entre os mais requisitados do evento. Para a paulistana Bhelchi, uma favorita dos fãs na 2ª temporada do programa, é um reconhecimento ao “tempero” especial que o Brasil traz para sua arte.
“O que nos diferente em qualquer tipo de arte é a vontade de fazer que a gente tem. Seja pelas oportunidades serem mais difíceis, pelos acessos serem complicados, por tantas outras coisas, quando a gente tem uma oportunidade, a gente agarra, faz acontecer”, comentou ela ao Omelete. “Aqui na DragCon, eles cedem o espaço, mas quem produz tudo é a gente, do nosso bolso. Look, merch, tudo o que vocês veem é a gente que faz. Então é muito amor e dedicação envolvidos”.
Nas palavras de Silvetty Montilla, venerada veterana da cena drag queen do país e homenageada da primeira edição da DragCon Brasil, a chegada de um evento dedicado a esta arte às terras paulistanas é o cumprimento de uma promessa.
“Nós temos grandes artistas, e aqui nós estamos onde nós merecemos estar”, comentou ela ao Omelete. “A gente já faz teatro, faz TV, faz eventos… Então, eu acho que essas queens brasileiras estão – e eu digo elas, mas é “nós”, claro – onde merecem estar”.
A DragCon Brasil 2026 aconteceu em 5 e 6 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). A edição 2027 já foi confirmada pela organização, mas ainda não tem data anunciada.
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