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Doctor Who | Tudo o que você precisa saber sobre a primeira mulher protagonista do seriado

A mudança faz sentido? Conheça a carreira de Jodie Whittaker e tire suas dúvidas sobre a regeneração

Arthur Eloi
19.07.2018
16h51

Para os fãs da série, o fim de 2017 foi marcado pelo anúncio do sucessor de Peter Capaldi como protagonista de Doctor Who. O que tornou o evento tão importante foi o fato de que, pela primeira vez em mais de 50 anos, o personagem titular será vivido por uma mulher: Jodie Whittaker. Mas quem é essa atriz?

O currículo

Nascida em 1982 em West Yorkshire, na Inglaterra, Whittaker  coleciona papéis britânicos ao longo de seus 12 anos de carreira. Ela é conhecida em diversas produções locais, que vão desde peças de teatro até filmes cult de ficção científica como Ataque ao Prédio (2011), em que contracenou com John Boyega (Star Wars) e Franz Drameh (The Flash, Legends of Tomorrow).

Um de seus trabalhos mais notáveis e que ganhou  fama internacional foi  um dos episódios mais impactantes da antologia Black Mirror: "Toda a Sua História" ("The Entire History of You" em inglês), capítulo três da primeira temporada em que viveu Ffion, a esposa do protagonista Liam (Toby Kebbel).

Curiosamente, muito da carreira de Whittaker é indiretamente associada à Doctor Who. Seu trabalho mais reconhecido, por exemplo, foi na pele da mãe Beth Latimer em Broadchurch. O seriado, por sua vez, é estrelado por David Tennant (10º Doutor), Arthur Darvill (Rory Williams) e David Bradley (terceiro intérprete do Doutor original), além de ser comandado por Chris Chibnall, produtor que assumirá o posto de showrunner em Who a partir da 11ª temporada.

Ela também já contracenou com Christopher Eccleston (9º Doutor) na reinterpretação moderna de Antígona, de Sófocles. Sua performance é, no mínimo, de respeito - veja abaixo:

Mesmo com toda essa experiência, a atriz já deixou bem claro que não tem vergonha de pedir conselhos à seus colegas Whovians: "Certamente estou esperando algumas ligações pois tenho alguns amigos. Sou colega de um companion [Darvill] e um trio de Doutores. Conheço Matt Smith, Chris Eccleston e obviamente David Tennant. Ah, e coloque David Bradley aí também. Quatro Doutores! Então realmente espero receber algumas ligações", disse Whittaker em entrevista ao Radio Times.

Pera… Mas isso é possível?

[Cuidado! Spoilers da oitava temporada de Doctor Who abaixo]

O anúncio da próxima encarnação do Doutor ultrapassou a fronteira dos fãs e chamou a atenção de até mesmo quem não assiste a série. Tanto nos críticos que crucificaram a BBC por "se render ao politicamente correto", quanto naqueles que comemoravam alguma espécie de vitória, uma dúvida ficou: existe explicação para a mudança?

A resposta é bem clara: sim, é totalmente possível um Time Lord (Time Lady?) trocar de sexo após a regeneração. Focando apenas nas temporadas do revival, contadas a partir de 2005, existem dois casos em que isso aconteceu. O mais recente é durante a nona temporada em "Hell Bent", com o General das tropas de Gallifrey. Inicialmente vivido por Ken Bones, o Time Lord é baleado pelo Doutor, se regenera e torna-se uma mulher interpretada por T'Nia Miller. Ainda assim, esse não é o primeiro exemplo do seriado.

A mudança mais importante também aconteceu na era de Capaldi, mas com um dos maiores vilões de toda a série. O oitavo ano apresentou uma antagonista chamada Missy, interpretada por Michelle Gomez, apenas para mais tarde revelar que a mesma era a versão pós-regeneração do Master, um dos maiores e mais relevantes vilões de toda a série.

Em certo ponto, Missy chegou até mesmo a encontrar-se com sua antiga encarnação, interpretada por John Simm, no excelente "World Enough and Time" da décima temporada. Para muitos fãs, foi no arco entre os dois vilões que ficou claro que o próximo Doutor seria vivido por uma mulher, principalmente em um diálogo onde Capaldi é questionado pelo Master se "o futuro será apenas com garotas", ao qual prontamente responde: "Eu espero que sim".

Seja como for, Whittaker afirmou recentemente em entrevista ao Telegraph que os fãs não devem se preocupar: "Quero dizer que o público não deve se assustar com o meu gênero pois é uma época incrível. Doctor Who representa tudo de bom sobre mudança. Os fãs passaram por tantas mudanças, e essa é só mais uma. Diferente, mas não para ficar assustado".

De certa forma, ela está certa. O programa já deixou de lado seu conceito original de ter uma figura que passe autoridade para incluir Doutores com personalidades mais jovens e descoladas, como o caso de Smith e Tennant.

A troca de gênero do personagem também não é garantia de que a qualidade subirá, mas é um acontecimento que cria novas oportunidades de enredo. Cabe à direção e aos roteiristas inovarem na criação de aventuras inéditas, desafiadoras e divertidas para a personagem. Seja como for, a troca no intérprete do protagonista combinado com um novo showrunner assumindo mostra que Doctor Who está pronto para seguir em novas direções.

Doctor Who é transmitido no Brasil pelo serviço de streaming Crackle.