Séries e TV

Entrevista

Dark | "É tão sombria quanto indica o título", dizem criadores da série alemã da Netflix

Dupla falou sobre a nova produção do serviço de streaming e ainda elogiaram a brasileira 3%

Rafael Gonzaga
01.12.2017, às 17H58
ATUALIZADA EM 01.12.2017, ÀS 20H07
ATUALIZADA EM 01.12.2017, ÀS 20H07

Dark, produção original alemã da Netflix que estreou em 1º de dezembro, chamou a atenção da crítica ao redor do planeta, que vêm classificando a série como a "nova e mais obscura Stranger Things". A trama gira em torno dos efeitos dos desaparecimentos de duas crianças, que somem em uma cidadezinha pacata sem deixar rastros e não só despertam questões relativas ao passado de vários moradores do local como criam uma teia que coloca passado, presente e futuro no mesmo plano. A atração é fruto da mente criativa de Jantje Friese e Baran bo Odar, que falaram um pouco sobre a nova série em entrevista exclusiva para o Omelete e contaram também como eles esperam que a trama seja recebida no Brasil.

A comparação com Stranger Things não é gratuita, mas não diminui a série a isso: há, de fato, pontos iniciais de semelhança - como a forma que o jovem Erik (Paul Radom) some ou o grupo de adolescentes formado quase involuntariamente -, mas ao longo dos episódios, Dark assume forma absolutamente independente. Aos poucos, o espectador é apresentado à jornada reveladora de Ulrich Nielsen (Oliver Masucci) em busca do filho desaparecido e às questões pessoais de personagens como Hannah (Maja Schöne), que alimenta esperanças em um relacionamento problemático, e Jonas (Louis Hofmann), que é obrigado a lidar com os traumas do misterioso suicídio do próprio pai. As temáticas são maduras e a série é cheia de reviravoltas.

"Tudo o que criamos tinha de ser tão sombrio quanto indica o título", conta Baran bo Odar. "A ideia é mostrar o lado sombrio da lua. Acho que temos de ter a consciência de que coisas ruins podem acontecer", completa o criador, responsável também pela direção dos 10 episódios da primeira temporada. Tanto ele quanto Jantje Friese, que, além de criadora, atuou como roteirista da trama, se dizem gratos pela possibilidade de levar uma história tão envolta em mistério para a gigante do streaming. "A Netflix nos deu liberdade para pensar no quão sombria poderia ser a série, sobre que tipo de cenas poderíamos mostrar. Não conseguiríamos fazer do mesmo jeito na TV alemã", avalia Friese.

Coincidências e desaparecimentos são um tema recorrente para a dupla - bo Odar e Friese trabalharam juntos em The Silence, um thriller de 2010 que acompanha o desaparecimento de uma garota de 13 anos cuja bicicleta é encontrada no mesmo local onde outra garota foi assassinada 23 anos antes. Friese conta que o interesse por esse tipo de assunto tem origem em curiosidades básicas compartilhadas por todo ser humano. " Eu acho que do ponto de vista científico há questões muito interessantes, como de onde viemos, o que é o universo ou como tudo começou, se há ou não um Deus. São coisas sobre as quais nós sempre nos perguntamos e discutimos".

Mas ela diz que, no caso de Dark, essas questões vão ainda mais além. "Também há questões do ponto de vista humano. Nós [ela e bo Odar] somos de cidades pequenas e mesmo nesses locais as pessoas fazem coisas sobre as quais as demais ficam se perguntando. O que essas pessoas fazem quando fecham as portas de casa? Mesmo sendo lugares muito pacíficos, a gente se questiona sobre o porquê das pessoas fazerem determinadas coisas. Questões sobre comportamento humano são sempre muito interessantes".

É claro que tirar a série do papel foi algo bastante trabalhoso e não apenas do ponto de vista prático, mas também do criativo. Conforme Dark avança, vai se tornando um emaranhado cada vez mais denso de informações, cruzando passado, presente e futuro em uma trama que questiona a forma como o tempo é percebido - tudo isso pontuado pelos dramas pessoais dos protagonistas. "Tivemos muitos desafios no que diz respeito a como construiríamos a história e se nossa audiência conseguiria entendê-la desde o começo", revela bo Odar, e completa: "Mas nos concentramos em que história queríamos contar. Se algumas pessoas não conseguirem se conectar por achar a história complexa demais, não tem problema. No fim, é uma história que nós amamos contar".

A trama se passa na cidadezinha de Winden, município industrial alemão cujo maior destaque é sediar uma usina de energia nuclear. Apesar do contexto ser completamente distinto ao lugar-comum brasileiro, bo Odar revela que tem ótimas expectativas para a recepção da série no Brasil. "Nossa meta sempre foi contar uma história universal, que mesmo tendo sido criada a milhares de quilômetros do Brasil, num país pequeno como a Alemanha, seja entendida. Tomara que os brasileiros gostem". Friese faz coro ao parceiro e ainda elogia outra produção de ficção científica da Netflix, a brasileira 3%. "Também gostamos muito de 3%, é maravilhoso que esse compartilhamento de produções de outros países seja possível, que possamos assistir a tudo isso".

Todos os 10 episódios da primeira temporada de Dark já estão disponíveis na Netflix.

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