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Crítica

X-Men '97 tem 2ª temporada desigual e decepciona fãs de Era do Apocalipse

Segundo ano mantém qualidades técnicas, mas sofre com falta de ritmo e equilíbrio

Omelete
4 min de leitura
13.08.2026, às 09H54.
Cena de X-Men '97 (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de X-Men '97 (Reprodução)

Ao final da 1ª temporada de X-Men '97, os mutantes estavam divididos e En Sabah Nur dava as caras, prometendo uma segunda parte inspirada em A Era do Apocalipse. Tivemos ação, aventura e mortes, mas a famosa realidade alternativa dos quadrinhos acaba servindo mais como isca do que como cenário.

E aqui fica difícil falar sobre a série animada sem antes trazer um pouco dos bastidores. O idealizador do programa que trouxe os mutantes de volta às telinhas, Beau DeMayo, já estava trabalhando nesta segunda temporada quando foi desligado da Disney. Seu nome continua nos créditos como criador da série, indicando que parte da estrutura concebida por ele permaneceu. Mas o resultado é uma gangorra de qualidade, com episódios excelentes e outros que parecem condensar anos dos quadrinhos em poucos minutos.

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Tecnicamente, a série continua ótima e com muitas sequências de ação que nada devem aos milhões de dólares dos filmes live-action, mas os roteiros não acompanham. Há um desequilíbrio visível nos arcos dos personagens - Ororo é quase esquecida, Logan só tem destaque no seu episódio solo, e por aí vai. Nem a morte de personagens importantes para a história mutante empolga como o que aconteceu com Gambit no passado.

O impacto daquele sacrifício foi tão grande que ele se torna o motor emocional desta temporada, com Gambit retornando - agora como um dos Cavaleiros do Apocalipse.

O começo triplo e a primeira decepção

Quando a série retornou ao Disney+, vieram logo de cara três episódios. Cada um tratou de um grupo de mutantes em uma era diferente.

No Egito antigo estavam Xavier, Magneto, Vampira, Fera e Noturno, conhecendo o escravizado En Sabah Nur antes de se tornar o Apocalipse - ou, talvez, contribuindo para que ele se tornasse o icônico vilão.

Na linha temporal dos anos 1990, conhecemos dois novos grupos mutantes. O X-Factor trabalha para o governo dos Estados Unidos, é liderado por Val Cooper e tem na sua linha de frente Havok, James Madrox (Homem Múltiplo), Guido, Polaris e Lupina. Já a X-Force tem Cable, Jubileu, Mancha Solar, Psylocke e Arcanjo - e começa sua missão no carnaval do Rio de Janeiro.

Já Tempestade, Wolverine, Morfo, Jean e Ciclope viajaram ao futuro pós-apocalíptico. E aqui, a esperança de mergulhar no arco dos quadrinhos conhecidos como A Era do Apocalipse se dissipa em poucos minutos, quando os heróis rapidamente dão um jeito de voltar para casa. A sensação é de que a série abre uma porta enorme apenas para fechá-la antes que possamos atravessá-la. Mas não antes de Jean e Scott reencontrarem Nathan, jovem que um dia vai se tornar Cable.

Aliás, esta é a principal crítica a este segundo ano: tudo se resolve num ritmo acelerado demais.

Tanto que já no episódio 5 temos uma "side quest" de Morfo, Wolverine e alguns de seus ex-colegas da Equipe X. Recuperar o adamantium de Logan foi tão simples quanto alugar um DVD numa locadora dos anos 90. Sem esforço, o episódio apresenta e descarta a Ninhada e o Ômega Vermelho e tem como ápice o fan service de colocar o canadense que é o melhor naquilo que faz posando como na clássica capa de Wolverine #1 (1982) desenhada por Frank Miller para a minissérie escrita por Chris Claremont.

Bem-vindos a 2000

Na segunda metade da temporada, vemos Xavier levado com seus alunos para a destruída Genosha, onde criam a Corporação X, seguindo os ideais de Magneto. Neste momento, vemos os uniformes de couro popularizados por Frank Quitely em New X-Men, refletindo a influência que os primeiros filmes de Bryan Singer exerciam sobre os quadrinhos naquele início dos anos 2000.

Enquanto isso, em Atenas, o Apocalipse traz Gambit de volta à vida, como... Morte!

A disputa entre os Amigos da Humanidade liderados pelo candidato à presidência Graydon Creed e os Acólitos do Magneto comandados por Exodus leva os mutantes à Terra Selvagem. O episódio abre espaço para Noturno apresentar sua religiosidade, mas principalmente sua capacidade de luta, que volta a ser muito impressionante no episódio seguinte, quando vemos um POV dele derrotando vários X-Men enquanto estava dominado por Gambit/Apocalipse. O mutante alemão tem neste último arco um destaque raro em suas participações em filmes e séries, e que tem sua justificativa no final.

Ao proferir a frase "eu tenho fé", em um episódio chamado "Sobrevivência do Mais Apto", Noturno coloca sua religião em contraposição à ciência e alcança um equilíbrio entre fé e razão que apenas alguém com a sua espiritualidade conseguiria alcançar.

Pós-créditos

Graydon Creed, filho do Dentes-de-Sabre com a Mística e líder anti-mutante, teve um grande destaque nesta temporada e isso é justificado na cena pós-créditos. Enquanto o noticiário anunciava sua eleição à Casa Branca, Val Cooper olhava a ficha de Mística. Ou quase isso... Sim, as peças já estão se movendo no tabuleiro e fica o convite para a terceira temporada, já bastante adiantada, e que deve chegar ao streaming já em 2027.

Se o final da primeira temporada levantava a bola para um futuro que poderia vir - e veio de forma bastante desigual -, o terceiro ano não ganha um gancho à mesma altura. Depois de uma temporada que tenta adaptar mais histórias do que consegue desenvolver, talvez voltar ao conflito básico entre mutantes e humanos seja exatamente o que X-Men ‘97 precisa para recuperar o equilíbrio que marcou seu excelente primeiro ano.

Nota do Crítico

X-Men '97

X-Men '97

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14 Animação, Action & Adventure, Sci-Fi & Fantasy
País: US
Classificação: 14 anos
Data de lançamento: 20 de março de 2024
Duração: 2 temporadas

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