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Séries e TV
Crítica

VisionQuest é o encerramento perfeito para a trilogia WandaVision e uma das melhores séries do MCU

Produção mergulha na ficção científica e explora relações familiares com Visão, Tommy Maximoff e Ultron

Omelete
6 min de leitura
12.10.2026, às 16H00.

WandaVision marcou o início do MCU no Disney+. Pouco mais de cinco anos após a estreia da série que trouxe de volta os personagens de Elizabeth Olsen e Paul Bettany depois dos trágicos eventos de Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato, essa história finalmente parece chegar ao fim. Ou seria VisionQuest um novo começo, já que o universo da Marvel está à beira de seu reboot pós-Guerras Secretas?

A verdade é que parece que WandaVision estreou há muito mais tempo. De lá para cá, foram inacreditáveis 15 filmes e 20 temporadas de séries live-action e animadas. No meio desse mar de conteúdo, a própria Wanda Maximoff (Olsen) teve um fim — ou não? — em sua busca para trazer sua amada família de volta à vida em Multiverso da Loucura. O que vimos depois, em Agatha Desde Sempre, foi uma continuação da jornada da vilã de WandaVision que abriu caminho para o retorno não apenas de Billy e Tommy Maximoff, como também do Visão, visto pela última vez em sua “versão branca” no episódio final da série de 2021.

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Agora, finalmente descobrimos o destino do sintozóide vivido por Paul Bettany. Tal qual um Pinóquio ou qualquer outro ser que “não é de verdade”, Visão tenta compreender a humanidade e vive escondido em Edimburgo — mesmo local onde viveu momentos felizes com Wanda em Guerra Infinita. Enquanto se divide entre a vida real e sua mente povoada por IAs criadas por Tony Stark e suas Indústrias, Visão acaba descoberto pelo Paladino (Todd Stashwick), um caçador de recompensas. É assim que sua história se cruza com algo familiar: um jovem (Ruaridh Mollica) que afirma ter memórias que não são suas, mas sim de Tommy Maximoff.

VisionQuest
Reprodução/Marvel

Esse é o ponto de partida para a fantástica aventura de sci-fi criada por Terry Matalas (Star Trek: Picard). O que poderia ser apenas uma narrativa sobre Visão e Tommy se aproximando e descobrindo mais um sobre o outro acaba se tornando uma história sobre família em diversas camadas. Isso porque Matalas insere nessa equação um elemento perfeito: o Ultron de James Spader. É incrível perceber como Vingadores: Era de Ultron se ressignificou no imaginário do MCU sem a necessidade de uma versão do diretor ou Encore. A história da criação da inteligência artificial que desafia seus criadores — Stark e Bruce Banner — ganhou ainda mais peso com a chegada de Thanos e o plano de Tony em criar o escudo de proteção da Terra, parte de seu trauma desde o primeiro Vingadores.

Em VisionQuest, a trama mergulha na relação de Ultron com Visão, desde a criação do herói até o destino do vilão no filme de 2015. Ultron vive na mente sintética de Visão, isolado em um sótão, enquanto o herói compartilha essa “casa” com J.A.R.V.I.S. (James D’Arcy), E.D.I.T.H. (Emily Hampshire), Friday (Orla Brady), Dum-E (Henry Lewis) e U (Jonathan Sayer). Mas por que Visão não destruiu algo tão perigoso quanto Ultron? Essa é a pergunta de um milhão de dólares de VisionQuest e o trunfo da narrativa.

VisionQuest
Reprodução/Marvel

Terry Matalas coloca as IAs como grandes protagonistas de uma trama profundamente humana, discutindo amor, família e traumas. Friday, por exemplo, relembra os momentos de Ultimato e a perda de Tony, enquanto J.A.R.V.I.S. chama Visão de “irmão” no momento em que o sintozóide entra em desespero. O próprio Ultron demonstra fascínio pela arte e por como ela representa não apenas técnicas distintas, mas o sentimento por trás do fazer. Essa percepção se desdobra em discussões sobre o visual humano de cada uma das IAs, o que as aparências representam para cada um desses seres e como isso se conecta à própria criação de cada um.

Enquanto isso, no mundo real, a série desenvolve com o mesmo cuidado a relação entre Visão e Tommy. Paul Bettany está impecável no papel do herói que tenta entender por que sente as emoções da versão “verdadeira” do Visão e como poderia assumir uma vida que ele sente nunca ter sido dele de fato. Completando a dupla, Ruaridh Mollica transmite com precisão o espanto e o encantamento de Thomas, o jovem que herdou as memórias e os poderes de Tommy após um acidente — assim como vimos com Billy (Joe Locke) em Agatha Desde Sempre. As lacunas que ambos precisam preencher — o que foi Westview, quem foi Wanda e se eles podem se amar como família — surgem ao longo dos oito episódios, construindo uma relação sólida e muito bem representada em tela pela dupla.

VisionQuest não se esquece de que é, claro, uma história de super-heróis da Marvel. A ação é competente, sem tentar sobressair ao quebra-cabeça que Visão precisa desvendar. Ela funciona como um complemento, especialmente na segunda metade da temporada, quando Madripoor entra em cena junto ao embate com Jocasta (T’Nia Miller). A série também transita pelo universo do MCU com uma naturalidade louvável, trazendo referências variadas e até uma participação inesperada (embora longe de ser bombástica).

VisionQuest
Reprodução/Marvel

Tudo isso não funcionaria se Matalas e a equipe de roteiristas e diretores não conseguissem mesclar esses momentos com sequências inspiradíssimas — como uma invasão aos sistemas da Interpol na qual vemos versões físicas de firewalls, bots e até aqueles testes irritantes para clicar em imagens de ônibus e pontes. Ou quando acompanhamos o clima de romance e fascinação da aproximação de Ultron e Jocasta e Visão e as outras IAs espionando o vilão por câmeras de segurança através de reproduções teatrais na mente do herói. Aliás, a casa onde Visão e companhia vivem parece uma mistura inspirada entre a dinâmica das pontes de comando de Star Trek e o visual de Speed Racer, das Irmãs Wachowski. Um trabalho primoroso de direção de arte e figurino.

Se o MCU vinha sendo criticado por produções insossas e pouco inspiradas diante de materiais ricos como Quarteto Fantástico e Capitão América, na TV o caminho tem sido o oposto. As duas excelentes temporadas de Demolidor: Renascido abordam política, vigilantismo e saúde mental, enquanto Magnum trouxe um respiro criativo e simples sobre arte e vocação com pitadas de heroísmo.

VIsionQuest
Reprodução/Marvel

VisionQuest chega para encerrar um dos melhores arcos de todo o Universo Marvel. WandaVision provou que essas produções podem ousar em formato, inovar no visual e entregar estudos de personagens de respeito (mesmo que descambasse para a ação genérica no final). VisionQuest demonstra essa mesma maturidade e criatividade ao lidar com seus temas. Terry Matalas já havia dado um final digno para Picard e o elenco de A Nova Geração em Star Trek, e agora faz o mesmo por Visão e sua família — seja ela artificial ou humana. No fim, essa distinção deixa de importar, pois chegamos ao último episódio com essa barreira praticamente dissolvida, algo que Paul Bettany interpreta com enorme precisão e merece todos os elogios.

Se lá em Era de Ultron o Visão ergue o Mjolnir com tanta facilidade e, mais tarde, Wanda Maximoff cria um mundo inteiro para viver um amor com ele, fica claro que ele sempre foi muito mais do que um hospedeiro para uma Joia do Infinito. VisionQuest é uma aventura memorável que nos mostra exatamente o porquê.

Nota do Crítico

VisionQuest

VisionQuest

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NR Sci-Fi & Fantasy
Criado por: Terry Matalas
País: US
Classificação: NR anos
Elenco: Paul Bettany, Henry Lewis, Jonathan Sayer, James D'Arcy, Orla Brady, Emily Hampshire, James Spader, Todd Stashwick, Faran Tahir
Data de lançamento: 14 de outubro de 2026
Duração: 1 temporada

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