Stephen Amell e Andy Allo em Upload/Amazon Studios

Créditos da imagem: Amazon Studios/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Upload – 1ª temporada

Nova comédia de Greg Daniels ensaia boas ideias, mas abandona desenvolvimento de personagens e tramas pela metade

Nicolaos Garófalo
11.05.2020
19h00
Atualizada em
11.05.2020
19h27
Atualizada em 11.05.2020 às 19h27

Na TV norte-americana, poucos nomes inspiram tanta confiança como Greg Daniels. Com passagens por Os Simpsons e Saturday Night Live, o roteirista também é responsável pela criação de séries como O Rei do Pedaço, The Office e Parks and Recreation. Querido por fãs, críticos e estúdios, Daniels foi o grande atrativo usado pela Amazon para divulgar sua nova comédia futurista, Upload.

Estrelada por Robbie Amell (The Flash) e Andy Allo (Chicago Fire), a série se passa em 2033, quando a realidade virtual e a inteligência artificial dominaram a rotina dos seres humanos. Neste cenário, cientistas desenvolveram o “upload”, tecnologia que digitaliza e transporta a consciência das pessoas para “pós-vidas” digitais paradisíacas, vendidas por gigantes da telecomunicação.

Upload segue Nathan (Amell), um jovem programador que tem seu upload feito após seu corpo sofrer um acidente suspeito em um carro dirigido por IA. Ao ser transferido para o caro paraíso Lakeview, ele começa a perceber que essa pós-vida não é tão perfeita quanto o que é anunciado.

Embora traga um cenário futurista, é difícil não comparar, logo de cara, a premissa de Upload com a de The Good Place, criada por Michael Schur, parceiro de Daniels em The Office e Parks and Recreation. Muitos personagens da comédia filosófica de Schur, aliás, parecem se repetir na série da Amazon. Das figuras excêntricas que moram em Lakeview aos atendentes cujo propósito é facilitar a “vida” de seus clientes, são poucos os elementos apresentados no primeiro episódio de Upload que não passam a sensação de prato requentado.

Diferentemente de The Good Place, no entanto, Upload fraqueja com frequência no desenvolvimento de seus personagens e tramas. Ao longo de seus 10 episódios, a primeira temporada aborda diferentes histórias, mas não se aprofunda em quase nenhuma, abandonando completamente situações com potencial para fazer a série se sobressair dos milhares de novas produções no streaming. A única trama que escapa dessa superficialidade é a relação entre Nathan e Nora (Allo), humana viva que trabalha no atendimento ao cliente de Lakeview.

O envolvimento dos dois protagonistas, que se aproximam mais a cada episódio, no entanto, transforma Upload em um emaranhado indistinguível de gêneros, que se sobrepõem um ao outro sem muita explicação. De uma cena para a outra, a série alterna entre comédia romântica, ação e policial de maneira brusca e incômoda. Presa em seu próprio labirinto, a sitcom, pelo menos, é salva por seus personagens divertidos e pela boa vontade dos atores.

Ao contrário do que fez com seus papéis apáticos em The Flash ou Desventuras em Série, Amell transforma Nathan em um protagonista interessante e carismático e sua dificuldade em se adaptar à nova “vida” aproxima o personagem do público. Do outro lado do upload, Allo imprime as mesmas qualidades em Nora, por quem o espectador torce desde sua primeira interação com Nathan.

Embora inconstante, o mundo de Upload também é interessante o bastante para manter o público curioso. Assim como qualquer outro ambiente digital, os paraísos da série estão sujeitos a anúncios, bugs e atualizações que criam situações divertidas, apesar de serem relativamente previsíveis.

Embora desperdice muitas oportunidades, a primeira temporada de Upload mostra que a comédia tem potencial para criar novas e interessantes situações. Divertida, a série precisa, em seu já confirmado segundo ano, desenvolver com mais profundidade algumas tramas descartadas para merecer seu lugar no currículo de Daniels.

Nota do Crítico
Bom