Elenco de The Walking Dead: World Beyond, segunda série derivada de The Walking Dead

Créditos da imagem: TWD: World Beyond/AMC/Divulgação

Séries e TV

Crítica

The Walking Dead: World Beyond - 1ª Temporada

Segunda derivada de TWD expande universo mas demora para engatar

Arthur Eloi
01.12.2020
00h00

Mesmo proclamada morta internet afora, The Walking Dead segue viva, e em 2020 celebra 10 anos na televisão. Ao longo desse conturbado caminho, repleto de altos e baixíssimos, a AMC percebeu que há potencial em não se limitar ao núcleo de Rick Grimes, Daryl e os demais sobreviventes. Assim surgiu Fear the Walking Dead em 2015, e agora World Beyond.

Enquanto a série principal passa por uma boa fase na luta contra os Sussurradores, o novo derivado volta às raízes de sobrevivência do programa, só que dessa vez através da perspectiva de uma geração mais nova, a primeira nascida após a explosão da epidemia zumbi. A trama tem seu início dentro dos muros de uma avançada comunidade, mas é levada ao mundo exterior quando as irmãs Hope (Alexa Mansour) e Iris Bennet (Aliyah Royale) partem em busca de seu pai desaparecido e, possivelmente, em perigo.

A jornada da dupla, acompanhada de dois colegas - o recluso Silas (Hal Cumpston) e o nerd Elton (Nicolas Cantu) -, tem como objetivo final uma gigantesca comunidade em que o pai das duas foi recrutado para trabalhar como cientista pela CRM, a República Civil Militar. É aí que as coisas ficam interessantes aos fãs de Walking Dead. Muito é dedicado a estabelecer o futuro da franquia, especialmente a fase final da série principal, que contará com a introdução da Commonwealth (ou Império). Nas HQs, trata-se de uma comunidade gigantesca, do tamanho de uma cidade, consolidada o suficiente para operar num certo nível de normalidade, com bastante comida, luz elétrica e até entretenimento.

Enquanto World Beyond não chega a mostrar a cidade em toda sua glória, o derivado explora os questionáveis esforços da força militar para manter esse cotidiano. Isso se dá na figura de Elizabeth (Julia Ormond), que tem presença ameaçadora de vilã, mas cujos objetivos reais são tão nebulosos quanto suas ordens. O maior problema é que o arco da CRM é, em sua maioria, secundário. E a trama principal não consegue ser tão intrigante assim.

O ponto central do derivado é mostrar como adolescentes amadurecem em um contexto tão extremo, mas raramente parece que os roteiros entendem a faixa etária de seus personagens. Há uma certa falta de naturalidade nos diálogos, nas interações e nas motivações, que faz tudo parecer apenas uma versão diluída dos mesmos dramas encontrados nas demais produções da franquia. Felizmente, quem compensa isso é justamente o elenco, que traz enorme personalidade e carisma para seus papéis. Enquanto a dinâmica entre as irmãs Hope e Iris é adorável, quem rouba a cena é Elton, com seu estilo e insegurança, e também Silas, um dos personagens mais interessantes do grupo. Acusado de cometer um crime horrível, o garoto de quase 2m de altura é introvertido, escondendo toda sua raiva, arrependimentos e confusão.

Para acompanhar os jovens, há ainda dois adultos - que são facilmente a melhor parte de World Beyond. Felix (Nico Tortorella) e Huck (Annet Mahendru), dupla de seguranças da comunidade em que o grupo principal vive, partem em busca de trazê-los de volta dessa jornada impulsiva pela amizade com os adolescentes. Com excelente química, os dois funcionam muito bem juntos, algo que fica ainda mais forte quando a série introduz questões sobre traição e um possível agente duplo entre eles. É uma subtrama que dá um gostinho de intriga e espionagem para a produção, algo até então inédito no mundo de The Walking Dead.

Infelizmente, isso demora muito para chegar. Os mistérios mais chamativos do seriado só dão as caras na reta final e, mesmo com uma conclusão bastante satisfatória, deixam a desejar que a produção tivesse mirado nesses aspectos mais marcantes. Boa parte da temporada é dedicado à busca dos protagonistas, mas não só os dramas deles são rasos e desinteressantes, como também se apoiam em uma figura completamente vazia de sentido ao espectador. Há enorme urgência em Iris e Hope resgatarem seu pai, mas o personagem sequer dá as caras por grande parte dos 10 episódios. É difícil não sentir às vezes que World Beyond está apenas enrolando, e que as partes boas são entregues quase como recompensas ao público que aguentou (vide as cenas pós-créditos na maioria dos capítulos).

O novo derivado de The Walking Dead expande elementos do universo que só vão ganhar mais e mais importância daqui para frente, como a CRM, envolvida no sumiço de Rick Grimes (Andrew Lincoln) e presente também em Fear the Walking Dead. Mas ainda assim é uma produção que tenta extrair ao máximo o pouco de trama relevante a partir de uma ideia rasa como “TWD, mas com jovens”. De qualquer forma, a primeira temporada deixa sensações conflitantes, já que termina em uma ótima sequência de episódios, que demonstram que, sim, há algo de interessante nessas pessoas e nessa misteriosa organização. Felizmente, diferente de suas antecessoras, a série foi planejada desde o início com duas temporadas. Resta torcer para que o próximo ano não seja tão arrastado, e que reconheça o que realmente funcionou na primeira vez.

The Walking Dead: World Beyond
Em andamento (2020-2021)
The Walking Dead: World Beyond
Em andamento (2020-2021)

Criado por: Scott M. Gimple e Matthew Negrete

Duração: 2 temporadas

Nota do Crítico
Bom

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