Séries e TV

Crítica

True Detective - 2ª Temporada | Crítica

À sombra de dias melhores, antologia se reinventa e perde espaço

Aline Diniz
10.08.2015, às 12H49
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H47
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H47

Antologias estão cada vez mais em alta. Com episódios limitados por temporada, atores de maior escalão podem se aventurar na TV sem um grande comprometimento, fazendo um projeto que, ao mesmo tempo, dá mais abertura do que um filme para explorar um personagem, mas também desenvolve um arco fechado para aquela história - tudo isso enquanto cria uma franquia reconhecível pelo público.

True Detective usou do artifício da antologia para poder contar diferentes histórias policiais, investigações criminais e dos detetives envolvidos nelas. As duas primeiras temporadas da série são completamente independentes entre si, além de trazer distintas propostas para os espectadores. Como foi dito no Da Frigideira, toda a série mudou e nada fica do primeiro ano além do elemento principal do programa: um crime que desencadeia uma sucessão de eventos.

Deixando de lado as comparações com o primeiro ano, True Detective entrega boas histórias na sua segunda temporada. Acompanhando as trajetórias de Ani Bezzerides (Rachel McAdams), Ray Velcoro (Colin Farrell), Paul Woodrugh (Taylor Kitsch) e Frank Semyon (Vince Vaughn), além das pessoas que permeiam suas vidas, descobrimos que seus principais problemas não se limitam ao assassinato de Ben Caspere. Cada um carrega sua cruz e lida com ela da melhor forma que pode.

Não há qualquer demérito que possa ser atribuído aos quatro protagonistas. Perturbados e problemáticos, todos têm seu espaço ao longo dos oito episódios e entendemos claramente qual a bagagem que cada um carrega. Apesar do pouco tempo dividido entre suas vidas pessoaos e a investigação, não ficam lacunas - e nos minutos finais não falta fechamento a nenhum deles.

Ainda assim, é necessário apontar que o segundo ano não deixa nada para a imaginação: tudo é desagradavelmente detalhado. Qualquer cena que tenta, de alguma forma, expor alguma informação essencial para a trama, acaba sendo explicada em palavras minutos depois. Seja algo simples como a dificuldade de relacionamento de Woodrugh ou mais complexo como a ganância e necessidade de poder de Semyon, nada passa batido.

O clima de suspense e as relações interpessoais são também um dos pontos fortes desta temporada. Mas mesmo com todas as qualidades, não há como fugir do fantasma do passado e o primeiro ano de True Detective continuará assombrando os próximos episódios da série. Se houver uma terceira temporada, algum elenco estelar certamente contará uma ótima história policial que terminará de forma resoluta - mas qualquer coisa que venha pela frente ainda deve permanecer na sombra de Rust Cohle e Marty Hart.

Nota do Crítico
Bom

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