Titãs, do DC Universe

Créditos da imagem: Titãs/DC Universe/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Titãs - 2ª Temporada

Série expande universo televisivo do DC Universe em temporada de trama inconsistente, mas divertida

Arthur Eloi
03.12.2019
18h09

Titãs foi o primeiro exemplo de que o DC Universe é bastante capaz de criar conteúdos de qualidade, seguido por Patrulha do Destino, Monstro do Pântano e mais. A série investe na pegada mais sombria sem esquecer a fidelidade aos quadrinhos, e cria algo único entre as várias produções de herói na TV. Isso, é claro, não significa que tudo são acertos, e a segunda temporada acentua bastante do que precisa ser melhorado.

A leva mais recente de episódios já começa estranha logo de cara, com primeiro capítulo que mais funciona como season finale tardio do que um início, ao retomar o duelo da equipe contra o demônio Trigon. Com isso rapidamente resolvido, o seriado avança no tempo para mostrar os Titãs já instalados em seu quartel-general, treinando há meses e frustrados pela falta de ação - o que promete mudar com o retorno do arqui-inimigo Exterminador. Infelizmente essa virada não vêm - pelo menos não no presente. O grupo combate o mercenário apenas uma vez no começo da temporada, e após isso todos os embates são mostrados em flashbacks. É especialmente uma pena a falta de destaque para o antagonista, considerando que o ator Esai Morales, de How To Get Away with Murder, entrega uma performance intimidadora e intensa, aliada de ótima caracterização visual e boa direção nas suas cenas de luta.

No que Titãs se foca então? Nos conflitos internos do grupo. A disputa com o Exterminador serve apenas para colocar na mesa o controle que Dick Grayson (Brenton Thwaites) exerce nos demais - especialmente no impaciente Jason Todd (Curran Walters). Como ambos foram criados por Bruce Wayne (Iain Glen), há ressentimento real de que o líder esteja espelhando as piores partes do antigo mentor. Isso é mais forte em Todd, mas os demais também sentem as consequências do conflito interno de Dick, o que lentamente cria discórdia e intriga entre os heróis. É uma trama interessante, mas que poderia muito bem ser desenvolvida mais para frente (ainda mais considerando que já houve a renovação do seriado). Se o ano um foi focado em reunir os Titãs, é anticlimático vê-los se separando tão rápido, tendo lutado tão pouco lado-a-lado. A decisão é questionável, mas a série não só se firma nessa divisão, como aproveita o caos para introduzir gente nova.

Além dos filhos do Exterminador e de Aqualad (Drew Van Acker), a maior adição fica para o Superboy de Joshua Orpin. O personagem ganha destaque ao ponto de ter um bom episódio de origem, mas a ação é interrompida para introduzi-lo ao arco principal de forma quase vergonhosa de tão gratuita. O herói tem bastante potencial, mas não deveria chegar “monopolizando” a trama - ao ponto de seus elementos, como a corporação Cadmus e suas pesquisas invasivas, se tornarem prioridade na metade final da temporada. Entre isso e os vários flashbacks, fica claro que manter a consistência narrativa e desenvolver os personagens da casa não é exatamente o foco do programa, mas sim crescer esse universo televisivo da DC. Nesse objetivo a série se sai bem, e cria várias possibilidades de introduzir nomes de peso dos quadrinhos. Mesmo assim, Titãs pode mais do que apenas se sustentar em participações especiais.

O que segura o espectador na temporada é justamente os protagonistas. A produção agora sabe como trabalhar seu elenco, e faz muito bem em separar duplas para cada arco, como Kory (Anna Diop) e Donna Troy (Conor Leslie), ou o Superboy e Mutano (Ryan Potter). O roteiromelhorou muito em relação ao ano um, e a dinâmica entre o grupo é a prova disso. Os diálogos realmente mal escritos são contáveis em uma mão, como Jason Todd enfrentando o Doutor Luz (Michael Mosley), ou Rachel (Teagan Croft) discutindo com Estelar. Além disso, a melhoria na direção das cenas de luta e CGI tornam as sequências de ação bem mais empolgantes.

Titãs tem personagens muito interessantes, e brilha quando dedica a trama a eles, crescendo seu universo junto com os protagonistas. O problema é que a série se deixa seduzir pela ideia de trazer novos heróis ou então introduzir viradas narrativas para criar drama. Não que isso seja ruim, mas é preciso de atenção e desenvolvimento sólido de personagens. A segunda temporada flerta e brilha nesses momentos, mas se deixa levar pelo mar de possibilidades nas mãos. Com uma terceira temporada já garantida, é certo que, no fim das contas, a série terá pelo menos mais uma chance de acertar a mão.

Nota do Crítico
Bom