The Walking Dead World Beyond

Créditos da imagem: AMC/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Final de The Walking Dead: World Beyond chacoalha a franquia

Derivado terminou anticlimático, mas uma única cena pós-créditos sacudiu toda a história da franquia

Henrique Haddefinir
07.12.2021, às 10H07

The Walking Dead: World Beyond foi um teste do AMC, a quem agora podemos atribuir um resultado regular. O final que encerrou as únicas duas temporadas para os quais a série havia sido criada, mostrou que o mesmo problema de sempre persegue a franquia: há pouca coisa a ser dita e muita coisa desinteressante acontecendo em volta. Mesmo assim, nada parece ameaçar a carreira desse universo, que já tem filmes e várias possibilidades de spin-off vindo por aí. Seguindo absolutamente a mesma fórmula e segurando o espectador para dar a ele 30 segundos de uma verdadeira reviravolta, World Beyond foi fiel à sua matéria-prima.

Havia uma grande mudança sendo preparada para se chocar com o final da série-mãe, The Walking Dead. Mas, ao invés de colocar isso dentro de um bom episódio, os produtores resolveram criar uma série nova para dar a notícia. Com isso, nasceu World Beyond, que foi planejada, também, para recuperar uma audiência jovem perdida quando a série-mãe começou a ficar muito velha. Hope (Alexia Mansour) e Iris (Aliya Royale), duas irmãs em busca do paradeiro do pai, lideraram uma comitiva para atravessar o país. Prepare-se, então, para os mesmos becos e cidades pequenas desertas, os mesmos diálogos sobre as mesmas coisas e para longas caminhadas por estradas de terra (parece que os personagens da franquia andam em círculos).

A fragilidade desse argumento narrativo ficou evidente já na primeira temporada. World Beyond teria um segundo ano independente de seus resultados. Mas, a falta de consistência nos episódios era aberrativa. Foi um primeiro ano arrastado, sofrível, incapaz de nos envolver com a trama ou com os personagens... e olha que eles se esforçaram. Mas, os dramas psicológicos eram tão didaticamente sublinhados em sequências à luz de uma fogueira, que se esvaziavam de substância. A morosidade dos roteiros só deixava o espectador mais impaciente.

A segunda e última temporada teria a vantagem de poder andar com a trama sabendo que apenas mais 10 episódios estavam por vir. Então, como se o primeiro ano nunca tivesse existido, várias motivações dos personagens foram esquecidas ou transformadas sem o menor aviso prévio. Íris e Hope trocaram de personalidade, Elton (Nicolas Cantu) esqueceu a ciência, Felix (Nico Tortorella) virou um coadjuvante e Elizabeth (Julia Ormond) desapareceu da metade da temporada em diante. Talvez Silas (Hal Cumpston) e Huck (Annet Mahendru) tenham tido uma trajetória mais regular, salvando o elenco do descarte completo.

O Mundo Aquém

Basicamente, World Beyond foi criada para dizer o seguinte: existem cientistas trabalhando para desenvolver uma maneira de impedir que as pessoas voltem depois de mortas. Tudo que vimos na cena pós-créditos está no campo da especulação (embora quase 100% confirmado pela lógica que a própria série estabeleceu). A ideia da zumbificação como um vírus apareceu no final na primeira temporada de The Walking Dead e sempre pareceu que ela tinha sido abandonada de propósito, como várias outras ideias foram enfraquecidas depois que Frank Darabont saiu. A demora para voltar a trabalhar com isso sempre foi inexplicável.

Faz todo sentido que as mentes brilhantes do planeta trabalhem para encontrar uma saída, o que inclui, é claro, saber qual foi a origem do problema. Os produtores da franquia preparam uma grande entrada nesse terreno, mas tiveram o cuidado de só fazê-lo depois que os eventos de World Beyond tivessem se encerrado. Assim, o Series Finale correu anticlimático, com os destinos da maioria dos personagens sendo mantidos em aberto, para que o futuro tenha o maior número de possibilidades possível. A decisão fez o final se parecer com um final de temporada, o que, considerando a ambição dos envolvidos, é um traço de coerência.

Na sequência pós-créditos, há insinuações de onde a infecção começou e também de que ela pode ter variantes. O walker que aparece na sequência é mais rápido, forte e parece gritar ao invés dos clássicos sons que emitem, o que acaba nos deixando à deriva da ideia de que a pessoa por trás da zumbificação “não está mais ali”. Essa insinuação foi fortalecida mesmo em World Beyond, quando os episódios mostraram uma personagem fazendo um ritual de “libertação da alma”, que, segundo ela, poderia estar presa no corpo de todos os transformados. A ideia vai contra a própria forma como a série chama os zumbis (vazios), mas é provocativa.

De qualquer maneira, a sequência final revelou um futuro de transformações para a franquia, que podem – ou não – funcionar a favor da saúde dos enredos. The Walking Dead, como um todo, adiou ao limite do absurdo qualquer grande movimentação dentro da mitologia. É hora de dar passos largos em direção a algum lugar. Do jeito que está, esse “mundo” está tudo, menos além.  

The Walking Dead: World Beyond
Em andamento (2020-2021)
The Walking Dead: World Beyond
Em andamento (2020-2021)

Criado por: Scott M. Gimple e Matthew Negrete

Duração: 2 temporadas

Nota do Crítico
Regular

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