Séries e TV

Crítica

The Seven Deadly Sins - 2ª temporada

"Ressurreição dos Dez Mandamentos" chega ao serviço de streaming

Gabriel Avila
29.10.2018
17h42
Atualizada em
29.10.2018
18h38
Atualizada em 29.10.2018 às 18h38

Responsável por modificar a forma como filmes e séries chegam ao público, a Netflix se mostra uma vitrine poderosa ao transformar diversas produções em fenômenos instantâneos. Embora seja sempre lembrado pelos dramas televisivos, o serviço de streaming investe pesado também em animes, sendo The Seven Deadly Sins o primeiro caso de grande sucesso na plataforma. Quando estreou no Brasil em 2015, a saga que mistura magia, criaturas fantásticas e combates em um cenário medieval ganhou diversos fãs. Agora a segunda temporada completa chega ao serviço de streaming (depois do especial "Sinais da Guerra Santa") repetindo os acertos da primeira, mas escorregando no próprio ritmo.

Quando os cavaleiros do reino de Liones dão um golpe e tomam o rei e sua família como reféns, a princesa Elizabeth decide procurar por ajuda e acaba encontrando Meliodas, o capitão de uma equipe de poderosos cavaleiros renegados chamados de Os Sete Pecados Capitais. Dez anos antes do golpe, os Sete Pecados foram vítimas de uma conspiração e expulsos da corte, mas para ajudar a princesa, Meliodas parte com a garota em uma jornada para reencontrar seus companheiros e restabelecer a ordem. Ao fim da primeira temporada, após salvar o reino, a equipe descobre que os mais fortes cavaleiros do clã dos demônios foram libertados. Após anos aprisionados, o grupo conhecido como Os Dez Mandamentos está de volta para se vingar da humanidade, e apenas os Pecados podem impedi-los.

O grande trunfo da nova temporada está em apostar em seus personagens. Se na primeira temporada o anime já se dedicava a intercalar o passado dos Pecados com os conflitos no presente, a segunda amplifica esse recurso ao investir no carisma dos heróis, tratando as tramas individuais e a jornada para impedir Os Dez Mandamentos com a mesma importância. Ao contar mais sobre misterioso passado de Diane com o clã dos gigantes ou acompanhar o percurso de Ban para trazer sua amada Elaine de volta, a trama cria ramificações que constantemente se ligam, fazendo com que histórias aparentemente paralelas tenham grande impacto no enredo principal, o que The Seven Deadly Sins uma experiência mais imersiva a medida que as histórias avançam. Porém, ao tentar desviar do caminho já trilhado na primeira temporada, a série derrapa e acaba desperdiçando o grande potencial que essa aproximação dos protagonistas oferece.

Ao contrário de produções genuinamente originais da Netflix, The Seven Deadly Sins, é apenas distribuído pelo serviço, sendo originalmente transmitida na TV japonesa. Essa diferença aparentemente pequena se mostra fundamental no ritmo da série, afinal, enquanto produções do serviço são planejados para maratonas, um anime que passa semanalmente na TV tem que repetir informações e acontecimentos para que um novo espectador possa entender o que está acontecendo em poucos segundos. Essa repetição exaustiva de informações vai de encontro com a dinâmica que a série propõe, e se torna um teste de paciência ao impedir que a história avance. Além dos diálogos expositivos constantes, o roteiro abusa de recursos como mortes falsas ou poderes ocultos que surgem de forma conveniente no último minuto, o que acaba sabotando a dinâmica e entrega uma experiência menos satisfatória do que na primeira temporada, que embora tenha seus próprios percalços fecha um ciclo de forma convincente.

Quanto aos novos personagens apresentados, o cuidado em suas construções segue o esmero demonstrado com os já estabelecidos. O maior exemplo é Escanor, o pecado que ainda não havia se reunido ao grupo é um cavaleiro atrapalhado e aparentemente frágil, que se mostra uma interessante adição ao elenco, trazendo boas doses de comédia e ação. Os Dez Mandamentos por sua vez cumprem o papel de antagonistas com mais mistérios do que respostas, mas a diversidade de poderes e as sugestões de estarem diretamente ligados à origem de Meliodas garantem a eles o posto de melhores vilões da série até o momento, superando a composição clichê do vilão da primeira temporada.

Baseado em um mangá recordista de vendas,  responsável por gerar uma franquia que vai de peça de teatro a jogos de videogame, é certo que The Seven Deadly Sins ganhará novas temporadas. Com uma mitologia que se mostra tão rica quanto oculta, Meliodas e sua trupe precisam encontrar um ritmo que não tropece nas próprias possibilidades para que possam ser lembrados como o grande título dessa onda de animes que ganharam o mundo pela Netflix.

The Seven Deadly Sins
Reprodução
Nota do Crítico
Bom