Foto de The Rookie

Créditos da imagem: The Rookie/ABC/Divulgação

Séries e TV

Crítica

The Rookie - 1ª temporada

Série com Nathan Fillion explora com humor e ação a realidade da polícia de Los Angeles

Camila Sousa
18.04.2019
15h10

É clichê começar um texto dizendo que existem várias séries de TV policiais, mas a verdade é essa mesma. Há décadas o público acompanha as jornadas de investigadores e detetives que desvendam casos impossíveis e prendem o verdadeiro culpado. O formato é batido, mas funciona, principalmente por colocar o espectador no lugar dos profissionais. Estrelada por Nathan Fillion, The Rookie faz parte do “gênero policial”, mas traz algo novo ao mostrar a rotina dos oficiais que vão para as ruas no dia a dia e não fazem grandes investigações.

Esse formato é usado com muita inteligência pelo showrunner Alexi Hawley (Castle, The Following), que introduz vários casos absurdos. Alguns são tratados com humor e deixados de lado rapidamente, enquanto outras ocorrências simples se transformam em problemas maiores. O fato de que os policiais de The Rookie saem todos os dias sem saber o que vão enfrentar na cidade de Los Angeles gera empatia no público, que acompanha de perto cada passo com a mesma surpresa dos personagens.

O começo da série tem muito foco em John Nolan, o protagonista quarentão que decidiu mudar de vida e ser policial depois de passar por um divórcio traumático. O grande destaque dessa trama é como Nolan se sente deslocado tanto dos jovens, já que é mais experiente do que eles, quanto dos mais velhos na corporação, já que ele está aprendendo o trabalho do zero. Ao longo dos 20 episódios, no entanto, Nolan encontra seu lugar dentro da polícia de Los Angeles e seus conflitos passam a ser outros: a vida amorosa pós-divórcio; a saudade do filho que está na universidade e se preocupa com sua nova profissão; as questões financeiras e também questionamentos sobre a própria vida como policial (Nolan vê pessoas morrendo na sua frente, é marcado para morrer por uma gangue, é sequestrado, etc). A cada ocorrência, o personagem amadurece e passa a entender melhor quais são suas responsabilidades.

O arco de Nolan é o fio condutor de The Rookie, mas a série também se destaca por desenvolver bem todos os outros personagens do núcleo central. Tim Bradford é um policial durão, que exige muito de sua recruta Lucy Chen, mas esconde sérios problemas no casamento que são desenvolvidos durante a temporada. Já a própria Chen tem questões sobre suas origens e a aparição de seu pai e sua opinião sobre a polícia são um acréscimo interessante ao final da temporada.

Talia Bishop sonha em desenvolver uma carreira maior na polícia; Lopez tem um código de conduta fortíssimo e Jackson West, filho de um policial veterano, quer sempre fazer seu trabalho com perfeição e se esforça para dar orgulho ao pai. O único porém é a trama amorosa de West, que é pouco desenvolvida e fica pelo caminho, mas isso não compromete o personagem como um todo. Até mesmo o sargento Grey tem momentos de desenvolvimento familiar, em que conversa com a esposa sobre a possibilidade de se aposentar da polícia. The Rookie tinha o difícil objetivo de dar espaço para todas essas tramas, mas ao não forçar dramas exagerados e deixar cada personagem ter o tempo necessário, o resultado é positivo e natural.

Além dos personagens, a própria cidade de Los Angeles ganha novos contornos durante a temporada. Se o no começo os policiais apareciam em cenas mais fechadas e sempre voltavam rapidamente para a delegacia, ao final da temporada a série teve cenas de perseguição, planos mais abertos e destacando a famosa placa de Hollywood para evidenciar que a cidade em si é tratada como um personagem dentro da história.

Ao falar de policiais, The Rookie também tinha a tarefa de tocar em assuntos difíceis, como a corrupção dentro da corporação e o fato de que nem todos ali querem o bem da comunidade. Quem espera um grande aprofundamento disso pode se frustar, já que a atração segue um caminho mais leve e esperançoso em seus episódios, mas há sim momentos em que essas questões são tratadas. Em um episódio, por exemplo, os recrutas precisam retirar as pessoas em situação de rua para a passagem do vice-presidente dos EUA. A hipocrisia não passa despercebida por Nolan e seus colegas, que ficam desconfortáveis o tempo inteiro. Apesar disso, é uma ordem que veio de cima e eles precisam cumpri-la.

The Rookie encerra sua primeira temporada com um futuro incerto, de várias maneiras. O nome do seriado significa “recruta” ou “novato” e denomina como os jovens policiais são chamados antes de passar no exame final. Com isso já há pistas de que alguns deles não devem chegar ao outro nível, e que novos “rookies” podem ser apresentados, dando continuidade à trama sem desvirtuar o nome original da série. Apesar dessa possibilidade - e do gancho deixado no final - o seriado de Nathan Fillion ainda não foi renovado para a segunda temporada e fica a dúvida se os fãs terão a companhia destes personagens no próximo ano. Qualquer que seja o caminho, as histórias apresentadas em The Rookie até aqui e a evolução de seus personagens já valeram a pena.

Nota do Crítico
Bom