Séries e TV

Crítica

The OA - 1ª temporada

Estranha e bela, série é boa adição ao catálogo da Netlflix

Natália Bridi
19.12.2016
16h29
Atualizada em
17.04.2019
09h37
Atualizada em 17.04.2019 às 09h37

Para alguns artistas, a inspiração nasce da obsessão. O mesmo tema é replicado inúmeras vezes com diferentes cores e formas na busca por uma resposta. No caso do diretor e roteirista Zal Batmanglij e da atriz e roteirista Brit Marling, esse objeto de estudo é a linha tênue que separa a verdade da mentira.

Em sua terceira grande colaboração (depois de O Sistema e A Seita Misteriosa), a dupla leva essa ideia para Netflix em uma trama que promete ficção científica com elementos sobrenaturais. Em The OA, adolescentes e adultos que estavam perdidos acreditam ter encontrado sua rota na misteriosa Prairie (Marling), a garota cega que desapareceu e retornou inesperadamente com a visão recuperada. Qual seria o segredo desse milagre?

Como em A Seita Misteriosa (Sound of My Voice), em que Marling vive uma mulher que alega ter vindo do futuro, a chave para essa narrativa fantástica está no carisma da protagonista. Enquanto Prairie, ou OA, descreve os acontecimentos que levaram ao seu desaparecimento, o espectador embarca na história ao lado dos outros cinco escolhidos: o problemático Steve (Patrick Gibson), o pacato Jesse (Brendan Meyer), o esforçado French (Brandon Perea), o transexual Buck (Ian Alexander) e a professora Betty (Phyllis Smith).

As dúvidas do grupo são a mesma do espectador, que questiona a veracidade da história ao mesmo tempo em que aceita de bom grado o relato. É como se Batmanglij e Marling brincassem com a suspensão de descrença, tanto dos seus personagens como do público. Em um momento se acredita em tudo como é narrado, para logo em seguida surgir a dúvida: “mas isso faz sentido?”. Morte, anjos, ciência e fé se misturam, indo do plausível ao bizarro em uma atmosfera instigante. Mentiras podem se tornar verdades pelo peso do seu significado, do seu impacto na vida das pessoas, conclui a série. Ainda assim, mesmo o mais louco dos relatos, pode ser real.

Em 8 longos episódios, porém, esse é um jogo que perde o impacto. O ritmo é lento e por vezes confuso, sem foco entre tantas visões da mesma história. Os ganchos asseguram a passagem de um capítulo para o outro e a beleza estética prende o olhar, mas a investigação de Batmanglij e Marling termina menos interessante do que começou. É a boa construção de personagens, ancorada em atuações sólidas, que segura The OA até o fim, muito mais do que qualquer reviravolta.

Será interessante ver, em uma possível segunda temporada, a evolução dessa combinação de fatos e fantasia, trocando os mistérios por outras questões, como o impacto de OA na vida dos seus escolhidos. Já em seu primeiro ano, o trunfo da série está na sua estranheza, na reflexão que nasce da tentativa de juntar todas as peças do quebra-cabeça, mesmo que a imagem formada não faça muito sentido.

Nota do Crítico
Bom