The Last Kingdom

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

The Last Kingdom - 2ª Temporada

Não é só mais uma série medieval: The Last Kingdom melhora a cada episódio e tem potencial para durar muitos anos

Matheus Bianezzi
14.11.2018
14h24
Atualizada em
28.11.2018
10h40
Atualizada em 28.11.2018 às 10h40

Após a primeira temporada ter provado que não estava apenas surfando nas aclamadas Game of Thrones e Vikings, The Last Kingdom trouxe em seu segundo ano uma melhora significativa na jornada de Uhtred (Alexander Dreymon) em busca de sua terra prometida: Bebamburgo! Guiando-se pelo mesmo mote narrativo dos episódios anteriores, a série ganha força ao entender a importância dos personagens secundários e as consequências das ações de Uhtred, tornando muito mais interessante não apenas o protagonista mas também o universo em que ele está inserido. 

Embora o objetivo do herói seja bem claro e o mesmo da primeira temporada – recuperar o reino inglês que é seu por direito de nascença –, a segunda temporada da série lembra bastante um jogo de videogame em mundo aberto. Existe a missão principal, mas pelo caminho você se vê obrigado a participar de inúmeras secundárias, seja ela resgatar sua irmã de seus arqui-inimigos; ir em busca de um rei perdido; ou até mesmo participar de um ritual para ressuscitar um oráculo. Tudo isso enquanto é alvo de traições, chantagens e armadilhas – muitas delas causadas pela própria personalidade extremamente explosiva de Uhtred. Essa mistura rápida entre as narrativas pode por muitas vezes confundir o espectador – afinal, por que eles estão viajando de novo mesmo? De maneira geral, isso não afeta o enredo, mas em alguns momentos tudo soa como se pudesse ter sido mais devagar. 

Mostrado como um guerreiro tão habilidoso quanto imaturo na primeira temporada, o personagem interpretado por Alexander Dreymon ainda oscila bastante entre suas características - ora sábio, ora  apenas um cara esquentado que não pensa muito. Em outros personagens isso seria um problema, mas em Uhtred se encaixa como uma luva. Afinal, seu sangue é saxão, mas seu coração é viking. Logo, além de compreensível, é notável como essa dualidade afeta positivamente o enredo. Diferente das táticas de guerra desenvolvidas pelos nórdicos durante toda vida, quando se trata de assuntos políticos que uma sensatez mais aflorada é necessária, Uhtred ainda é a mesma criança que foi raptada décadas atrás. Dessa forma, é constantemente manipulado por terceiros e não mede muito bem as consequências que suas atitudes impulsivas possam gerar. É nesse ponto que os personagens de apoio exercem uma função primordial na trama, desenvolvendo a balança moral do protagonista e o tornando cada vez mais responsável, digno do Sir de Bebamburgo que ele busca ser.

Não apenas o personagem amadureceu, Dreymon melhorou bastante sua atuação. Na primeira temporada, principalmente em cenas que exigiam uma entrega emocional mais intensa, o ator deixava um pouco a desejar. Quem nunca desaponta e só melhora é David Dawson, intérprete do ardiloso Rei Alfredo. Sem dúvidas os melhores diálogos e algumas das melhores cenas se desenrolam nesse núcleo. O devoto Alfredo, mantendo sempre em vista seu sonho de unificar os reinos ingleses sob suas próprias leis, é tão pragmático e firme em suas decisões que por muitas vezes não mede esforços e passa por cima de diversos “amigos” e familiares para conseguir o que quer. 

Uma das melhores coisas dessa temporada vem do protagonismo feminino e justamente da família de Alfredo. Sua filha Aethelflaed (Millie Brady) demonstra ser em diversos momentos uma personagem sábia como seu pai e forte como sua mãe, não deixando que seu marido abusivo e cruel pratique nenhum ato de selvageria com ela. O arco de desenvolvimento da princesa é o mais legal da série e podemos esperar coisas grandiosas vindas dela na terceira temporada. 

Com uma produção bem mais elaborada que o ano anterior – basta prestar atenção no número de figurantes nas cenas de batalha -, a série deu mais atenção para a trilha sonora e direção nessa temporada.  As coreografias estão muito melhores, assim como os figurinos e cenários. Ainda é algo simples, mas bem feito, e que até se arrisca em algumas montagens – como é o caso de um plano-sequência de tirar o fôlego em uma das batalhas mais importantes da saga.

Baseada nas Crônicas Saxônicas do autor inglês Bernard Cornwell, a série cobriu até o momento quatro livros dos onze publicados e o escritor afirmou que não tem uma previsão para acabar. Logo, o fã de The Last Kingdom, pode ficar tranquilo. Além de contar com um material bruto extenso e rico, a qualidade da série vem numa exponencial. As atuações se desenvolveram de um ano para o outro e o lado técnico não ficou para trás, apresentando uma importante melhoria que dá ao roteiro uma base mais sólida para ser trabalhado. Dessa forma, a terceira temporada - com data de estreia para 19 de novembro -  tem todas as ferramentas para se tornar memorável.

Nota do Crítico
Ótimo