Elisabeth Moss em cena da quarta temporada de The Handmaid's Tale

Créditos da imagem: Divulgação

Séries e TV

Crítica

The Handmaid's Tale ganha fôlego ao quebrar amarras na 4ª temporada

Mais enxuta, série avançou como não havia conseguido nas temporadas anteriores

Beatriz Amendola
20.06.2021
18h20
Atualizada em
20.06.2021
20h31
Atualizada em 20.06.2021 às 20h31

[Atenção: este texto contém um spoiler da quarta temporada de The Handmaid’s Tale]

Quando a terceira temporada de The Handmaid’s Tale terminou, em 2019, a impressão era de que a série havia deixado a jornada de June (Elizabeth Moss) estacionada em um ciclo de sofrimentos. Por três vezes, afinal, ela chegou muito perto de escapar de Gilead, mas não conseguiu --seja por seu desejo ou por razões alheias a sua vontade.

Felizmente, a quarta temporada rompeu com essa lógica, dando novo fôlego à série e se permitindo explorar novas questões e novos ângulos de sua protagonista. E o showrunner Bruce Miller fez isso da melhor maneira possível para este momento da produção: tirando June de Gilead.

Com a chegada dela ao Canadá, na metade da temporada, The Handmaid’s Tale pôde finalmente se debruçar sobre o real impacto dos traumas da personagem. June sofreu horrores inimagináveis por anos, e eles não param de existir quando ela, por fim, reencontra uma certa normalidade, em um país onde é livre e onde finalmente pode se reunir com seu marido Luke (O. T. Fagbenle) e amigas como Moira (Samira Wiley) e Emily (Alexis Bledel).

Por mais que tenha saído de Gilead, June foi profundamente transformada por sua experiência lá. Ela não é a mesma pessoa separada de seu marido anos atrás --e ela tem muita raiva, justificadamente. Essa fúria é a força motivadora de June pela segunda metade da temporada, e a guia em um processo doloroso para retormar o controle que lhe foi tirado tantos anos antes.

Isso resulta em cenas incômodas de se assistir, mas também fascinantes, já que June testa os próprios limites e também os do público. Afinal, nós podemos não concordar com tudo o que ela faz, mas é quase impossível não compreender seus motivos, principalmente depois de a série nos colocar tanto tempo em seu lugar.

Essa ambiguidade é um dos grandes trunfos da temporada, que, em uma jogada inteligente, faz referências claras a momentos que vieram antes, invertendo (ou subvertendo) as posições em que seus personagens haviam sido colocados antes. A recompensa vem em um final catártico, que abre um leque de possibilidades interessantes.

Muito disso se deve, também, à atuação de Elizabeth Moss, que mais uma vez entrega um trabalho intenso e cheio de nuances, que nos torna cúmplices de June --um feito ainda mais impressionante quando se considera que ela também dirige três episódios desta quarta temporada.

Yvonne Strahovski, a Serena, e Joseph Fiennes, o comandante Fred Waterford, são os outros grande destaques do elenco. Os dois atores voltam a ganhar mais tempo de tela, e é um prazer ver como a dinâmica entre seus dois personagens se alterna ao longo dos episódios.

Temporada enxuta

No caminho, algumas boas ideias ficaram para trás, como a questão da adaptação das crianças resgatadas de Gilead, indicada logo nos primeiros episódios. No geral, no entanto, The Handmaid's Tale se beneficiou muito da temporada mais enxuta imposta pela pandemia (em vez dos 13 episódios tradicionais, foram 10) e conseguiu avançar em um bom ritmo. 

Ao fim, a quarta temporada ficará como uma das melhores da série, logo depois da primeira. É um retorno à forma mais do que bem-vindo --e pode ser também uma boa porta de (re)entrada para quem havia desistido de acompanhar June.

The Handmaid's Tale
Em andamento (2017- )
The Handmaid's Tale
Em andamento (2017- )

Criado por: Bruce Miller

Duração: 3 temporadas

Nota do Crítico
Ótimo

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