Séries e TV

Crítica

The Good Place - 2ª Temporada | Crítica

Se você tivesse uma segunda chance, o que faria?

Aline Diniz
07.02.2018
17h05

"O que devemos uns aos outros". Esse é um tema recorrente ao longo das duas primeiras temporadas de The Good Place, que apesar de tratar sobre o bem e o mal navega exatamente na tênue linha que define quais ações devem ser consideradas boas e quais são inerentemente más. O grande twist do primeiro ano garantiu que a série seguiria por caminhos diferentes - e o segundo ano garantiu que o criador e roteirista Michael Schur não só sabe o que está fazendo, mas que ainda tem muitas surpresas vindo por aí.

[Cuidado, possíveis spoilers da segunda temporada de The Good Place]

Depois da grande revelação de que Eleanor (Kristen Bell), Chidi (William Jackson Harper), Tahani (Jameela Jamil) e Jason (Manny Jacinto) estavam no "bad place", toda a dinâmica muda. Michael (Ted Danson) é revelado um demônio e decide por resetar os quatro, tentando novamente fazer com que seu plano de que eles torturem uns aos outros funcione. Os sete primeiros episódios focam muito nisso, reiterando inúmeras vezes que aquele de fato é o "bad place" e que aquelas pessoas não merecem uma segunda chance - a grande questão é que o experimento ainda tem diversos problemas que precisam ser resolvidos e o tempo de Michael fica cada vez mais curto, com o cerco de seu chefe Shawn (Marc Evan Jackson) se fechando cada vez mais.

Por mais que os primeiros capítulos fiquem muito tempo tratando do mesmo assunto, dando voltas na questão do reboot e como os quatro são inteligentes o suficiente para sempre descobrir o esquema, The Good Place não deixa em nenhum momento que a trama fique estática. Algum personagem sempre está evoluindo, aprendendo alguma coisa ou ensinando alguma coisa, na maioria das vezes liderados por Eleanor. Aliás, um dos grandes trunfos da série é exatamente mostrar a evolução dos personagens ao mesmo tempo que não perde o humor. Mesmo que todos criem novas facetas em suas personalidades, a base é sempre consistente, garantindo uma estabilidade muito boa à narrativa.

Vale apontar que The Good Place pouco seria sem Eleanor, Chidi, Tahani, Jason, Michael e, principalmente, Janet (D'Arcy Carden). Ela, a propósito, e talvez por ser uma criatura artificial que serve a humanos e demônios, foi a que mais se desenvolveu ao longo de toda a série até agora. É incrível ver sua jornada até aqui, principalmente quando ela finge, com maestria, ser uma Bad Janet. Por sua vez, todos os personagens só são tão bons quanto seus atores e cada um deles parece ter nascido para interpretar seus papéis - especialmente Carden e principalmente quando chega a vez de Bad Janet entrar em cena.

Apesar da qualidade da série e da segunda temporada por si, The Good Place se sobressai especialmente em um episódio: "Rhonda, Diana, Jake, and Trent", o décimo capítulo. Os 20 minutos são recheados de easter eggs e piadas que passam quase despercebidas, mas fazem desse um dos melhores momentos da série até agora. Toda a interação dos quatro durante a festa e de Michael com seus colegas demônios nos dão uma visão geral de como seria o verdadeiro "bad place". Um primor de roteiro.

O final do segundo ano nos traz ainda mais um twist e apenas um vislumbre do que podemos esperar da terceira temporada: o que eles fariam se tivessem uma segunda chance? Como seria a vida deles caso a morte não tivesse de fato acontecido, mas sido simplesmente um aviso, um empurrão para mudar as coisas?  Diferente do que muitos achavam, ainda temos muito caminho a trilhar e muitos outros twists a vir por aí.

 

Nota do Crítico
Excelente!