Grant Gustin em The Flash/CW

Créditos da imagem: CW/Divulgação

Séries e TV

Crítica

The Flash - 6ª temporada

Ano instável evidencia sinais de desgaste e depende de coadjuvantes para superar seu dramalhão

Nicolaos Garófalo
13.05.2020
18h53

Maior audiência média de todas as séries em exibição na CW, The Flash parecia estar no caminho certo para retomar a boa forma no começo de sua sexta temporada. Preparando o terreno para o gigantesco crossover do Arrowverse, os primeiros episódios deste ano se beneficiaram de uma trama objetiva e concisa, ainda que centrada em Crise nas Infinitas Terras.

Apoiada no relacionamento de Barry (Grant Gustin) e Iris (Candice Patton), a história pré-Crise fluiu de forma natural e ainda apresentou personagens divertidos e cativantes, como Chunk (Brandon McKnight), Allegra (Kayla Compton) e o vilão Hemoglobina (Sendhil Ramamurthy). Infelizmente, a boa sequência de episódios se encerrou após o crossover, com o drama exagerado e a melancolia característica dos piores capítulos da série voltando a dar as caras desde os primeiros passos de The Flash em 2020.

Completamente perdida, a série voltou a descaracterizar seu personagem-título. Ao longo da temporada, o estado emocional de Barry alterna entre triste e desesperado, com Gustin fazendo o mínimo necessário para receber seu salário. Apagado, o ator só conseguiu entregar um trabalho satisfatório graças a seus colegas de cena que, cada um de sua maneira, desviaram a temporada de sua aura novelesca.

As presenças de Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Compton e, até certo ponto, Patton serviram como o contrapeso emocional essencial em um roteiro muitas vezes deprimente e forçado. A intérprete de Iris, aliás, finalmente se livrou do papel muitas vezes irritante imposto pelos roteiristas, aproximando-se enfim da personagem que, nas HQs, dá força para o Corredor Escarlate superar as muitas adversidades de sua vida.

Assim como Patton, Sawyer tornou-se um dos principais pilares de The Flash nesta sexta temporada. Aos poucos, Ralph foi tomando o espaço de alívio cômico de Cisco (Carlos Valdez) e hoje é um dos personagens favoritos dos fãs. Sua química instantânea com Natalie Dreyfuss, que vive Sue Dearbon, criou uma das dinâmicas mais interessantes da série até agora, abrindo caminho para a eventual formação do icônico casal das HQs.

Ainda que tenha esses respiros, é difícil esquecer os erros constantes que a série tem cometido nos últimos meses. Se afastando do foco único da primeira metade da temporada, os episódios de 2020 se dividiram em muitas subtramas desnecessárias, como a relação de Allegra e Nash (Tom Cavanagh) e a morte da Força da Aceleração. Para piorar, Hemoglobina saiu de cena e foi substituído pela sem graça Eva McCulloch (Efrat Dor), que pouco faz na série até o 15º episódio.

A mania de The Flash de resolver todo e qualquer conflito com discursos motivacionais também não ajudou no desenvolvimento do sexto ano. Mais do que nunca, os acontecimentos da série parecem completamente inconsequentes, sem que nenhum dos personagens seja submetido a um risco real.

Por outro lado, o final “improvisado” pela suspensão das gravações beneficiou a conclusão do sexto ano. Com ganchos intrigantes para todos os personagens, a temporada encerrou com um bom episódio, que perderia força se passasse por mais uma conclusão apressada nos dois capítulos que ainda restavam.

Ainda longe da série divertida e colorida que já foi, a sexta temporada de The Flash alternou episódios ótimos e péssimos. Dependente de seus coadjuvantes, a produção tem lapsos de entretenimento, mas precisa se esforçar bem mais para voltar a divertir como antigamente.

Nota do Crítico
Bom

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.