Grant Gustin como Barry Allen em The Flash, da CW

Créditos da imagem: The Flash/CW/Divulgação

Séries e TV

Crítica

The Flash - 5ª Temporada

Prestes a entrar na Crise nas Infinitas Terras, série ainda diverte, mas repete todas as ideias do primeiro ano

Arthur Eloi
24.06.2019
10h21

[Cuidado! Spoilers da 5ª temporada de The Flash abaixo]

Não é exagero dizer que o Arrowverse está confortável. Mesmo com quedas e picos aqui e ali, as séries da CW mantém uma audiência boa o bastante para garantir novas temporadas - mas isso também pode acabar resultando em tramas que não precisam ousar para manter o interesse dos espectadores. Enquanto The Flash não é o maior exemplo disso - já que Arrow demorou muito a retomar a qualidade dos primeiros anos -, a saga de Barry Allen (Grant Gustin) cada vez mais parece correr em círculos. A quinta temporada, ainda que bem agradável de assistir, deixa isso claro.

A trama explora as consequência da chegada de Nora West-Allen (Jessica Parker Kennedy), filha de Barry e Iris West (Candice Patton) no futuro que volta ao passado para conhecer o pai: por conta do tão-citado sumiço do Flash em 2024, a garota foi criada apenas por mãe. Ainda que seja fácil acreditar que o desejo de bagunçar linhas temporais seja hereditário, é um acerto que o seriado trabalhe em harmonia a progressão narrativa com a estrutura procedural de “Caso da Semana” - algo que se tornou bem mais divertido quando, alguns anos atrás, o programa se dedicou a apresentar mais vilões que não são velocistas. Mesmo que as conclusões sejam previsíveis, há sempre um elemento de surpresa ao entender a natureza da ameaça e ver a equipe buscando formas de enfrentá-la.

O que também segura muito bem a barra semanalmente é o enorme carisma do elenco, algo que a série entende e aproveita muito bem. Enquanto a trama principal lida com Barry e Iris tentando desvendar a paternidade tardia, os sub-arcos investem na vida pessoal dos secundários, trazendo uma boa variedade de tom ao ter momentos mais dramáticos, como Caitlin (Danielle Panabaker) descobrindo que seu pai ainda está vivo, ou então mais cômicos, como Cisco (Carlos Valdes) lidando com um pé na bunda. A naturalidade em como todos respondem aos caóticos ataques da semana que tornam The Flash tão assistível, mesmo em seus maiores absurdos, como ter Tom Cavanagh interpretando uma versão alternativa de Harrison Wells que imita o detetive Sherlock Holmes, só que francês ao invés de britânico.

Loop Temporal

Desde a terceira temporada é perceptível que a produção tem dificuldade em criar grandes mudanças, mesmo que estabelecidas pela narrativa - como a tentativa de adaptar Ponto de Ignição (Flashpoint no original), que durou por apenas alguns episódios e suas consequências mal importaram. O quinto ano começa enganando bem nesse aspecto ao trazer Nora do futuro e apresentar Cicada (Chris Klein), um matador de meta-humanos, como o vilão recorrente.

Ainda que com muitos defeitos - como um visual pouco inspirado e atuação comicamente exagerada - o antagonista desperta o interesse do público ao se colocar como um desafio além das capacidades do Flash, forçando a equipe a buscar todas as alternativas de derrotá-lo, seja através da força, ou recorrendo ao lado emocional do homem por trás da máscara. Ao ritmo que as coisas avançam, é revelado que a presença do vilão, e também da filha do protagonista, na verdade são “parte do plano” de um velho conhecido: Eobard Thawne, o Flash Reverso. A decisão de ter um antagonista acima de Cicada “comandando” tudo, é pensada como plot twist, mas não só enfraquece o vilão que é construído durante todos os episódios como também revela a falta de novas ideias da produção.

No quinto ano, The Flash já devia estar em um novo patamar, com novas preocupações, mas os mesmos conceitos estabelecidos pela temporada de estreia agora são revividos por Nora tentando encontrar seu lugar como heroína - até mesmo repetindo todo o arco de Thawne, vestindo o rosto de Harrison Wells (Tom Cavanagh), ensinando como fazer uso dos poderes enquanto manipula o velocista novato para seus interesses, ou a introdução da Força da Velocidade e a constante jornada para impedir que o Flash desapareça no ano de 2024. Mesmo a relação da jovem com Barry remetem à dinâmica que o protagonista tinha com Joe (Jesse L. Martin).

Retomar esses conceitos pode até fazer sentido como forma de preparar o solo para a vindoura adaptação de Crise nas Infinitas Terras - citada tanto pelo Flash Reverso quanto durante a cena final, em que a data do jornal é adiantada para 2019. Os bastidores também podem oferecer um pouco de contexto, já que o Arrowverse começou a desmoronar com a conclusão de Arrow. Não é exagero pensar que The Flash pode estar prestes a entrar em seus últimos anos mas, mesmo se não for o caso, a série precisará mostrar evolução daqui pra frente porque, como a quinta temporada prova, ter a intenção de mudar não é o suficiente se o resultado final for o ponto de partida de toda a jornada.

Nota do Crítico
Bom