Foto de The Big Bang Theory

Créditos da imagem: The Big Bang Theory/CBS/Divulgação

Séries e TV

Crítica

The Big Bang Theory - 12ª temporada

Série termina com temporada inconstante e foco nas amizades

Camila Sousa
17.05.2019
14h49

Séries que reúnem grupos de amigos e mostram suas rotinas são comuns. A grande vantagem do formato é que o público se conecta em um nível pessoal com os personagens, acompanhando suas vitórias, conquistas e amadurecimento. O grande diferencial de The Big Bang Theory, que começou a ser transmitida em setembro de 2007, é o fato de que o seriado conta a história de amigos nerds - tanto no sentido de amar a cultura pop, quanto em suas profissões. As esquisitices e manias de Sheldon, Leonard, Howard e Raj conquistaram o público e fizeram da atração a mais bem-sucedida da TV americana. Toda essa jornada chegou ao fim na 12ª temporada, que foi bem inconstante em termos de qualidade.

Uma coisa que fica clara desde o primeiro episódio é como a atração de Chuck Lorre não soube se adaptar, e por isso mostrou amadurecimentos incompletos de seus personagens. Sim, o quarteto principal teve muitas mudanças ao longo dos últimos doze anos: Leonard e Penny se casaram; Howard tem dois filhos com Bernadette; Raj começa esta temporada noivo e até mesmo Sheldon descobriu seu amor por Amy e se casou com ela. Mas velhos e incômodos hábitos ainda fazem parte da rotina.

Isso fica claro nesta temporada quando, por exemplo, Penny diz que não quer ser mãe e a revelação se torna um tabu entre os amigos, além de um problema em seu relacionamento. A personagem de Kaley Cuoco não recebe nenhum apoio em relação a isso e as tiradas engraçadas parecem mais maldosas - como quando Bernadette reclama dos filhos, mas em seguida diz que ser mãe é incrível. A cena termina com risadas ao fundo e não acrescenta nada à discussão, deixando claro apenas que quem não desejar ter filhos provavelmente está errado.

Talvez seja bobagem se apegar com tais detalhes, mas são piadas desse tipo que mostram como a série continuou fazendo humor do jeito que se fazia em 2007 e hoje isso simplesmente não tem mais graça. As falas de Howard são outro bom exemplo. No episódio final, por exemplo, ele “brinca” perguntando se Bernadette e Penny já tomaram banho juntas. Novamente há risadas ao fundo e a cena termina com as mulheres revirando os olhos para ele. É importante deixar claro que o incômodo não tem nada a ver com o politicamente correto. O grande problema é que tais frases não têm graça mesmo em pleno 2019. The Big Bang Theory não soube evoluir em termos de narrativa e ficou apegada ao passado.

O enigma Sheldon (cuidado com spoilers abaixo)

Mas esse não foi o grande motivo para o seriado ser encerrado agora. Na verdade, Jim Parsons, intérprete de Sheldon Cooper, entendeu que era a hora de dizer adeus e os produtores não viram sentido em continuar sem ele. E a jornada de Sheldon nesta temporada é, de fato, uma das mais problemáticas em termos do já citado amadurecimento.

Quando The Big Bang Theory começou, o personagem foi definido como alguém extremamente inteligente, mas sem o mínimo trato social. Isso levava Sheldon a ser rude com seus amigos e alguém difícil de ter empatia. E embora algumas mudanças tenham acontecido, o Sheldon da 12ª temporada parece ser exatamente o mesmo da primeira. Indo ainda mais longe, sua falta de “jeito” para falar com as pessoas foi normalizada e seus amigos já entraram no ciclo de Sheldon fala algo errado/pede de desculpas/fala outra coisa errada.

Até certo ponto, o jeito de agir do personagem era curioso e até engraçadinho, como quando ele entra em choque ao ver seus ídolos (em um episódio recente ele vomita nos pés de William Shatner, o eterno Capitão Kirk de Star Trek). Mas nesta temporada as falas de Sheldon se tornam rudes demais, como quando ele surta quando Amy muda de visual ou diz que “não se importa” quando Leonard revela que terá um filho com Penny. Depois de 12 anos, era de se esperar que o personagem tivesse evoluído, ainda que um pouco, e não fosse tão cruel com seus próprios amigos.

Ironicamente, e como se tivesse percebido isso tarde demais, Chuck Lorre tenta se redimir nos últimos minutos de The Big Bang Theory, quando Sheldon faz um discurso chamando seus amigos de família e dizendo que, a seu próprio modo, os ama muito. Mesmo assim, fica claro como o seriado não soube lidar com seu maior astro. Seria muito estranho Sheldon chegar à última temporada completamente diferente e entendendo os sentimentos das pessoas, mas era esperada alguma evolução dentro de sua própria personalidade.

A cena final de The Big Bang Theory é fofa e foca no conhecido momento em que os amigos se reúnem para jantar no apartamento de Leonard. Há um sentimento de nostalgia misturado com a certeza de que chegou a hora certa de se despedir do seriado. Se Chuck Lorre manteve sua narrativa e o modo de fazer humor no passado, o que resta ao público é lembrar com carinho e nostalgia dos bons momentos dos personagens.

Nota do Crítico
Bom