Séries e TV

Crítica

Supergirl - 2ª Temporada

Protagonistas femininas fortes dominam a trama, que traz romance sem ser brega e cria novas possibilidades para o futuro da série

Aline Diniz
23.05.2017
18h51
Atualizada em
09.10.2019
13h54
Atualizada em 09.10.2019 às 13h54

Depois de uma boa primeira temporada, onde Kara Danvers (Melissa Benoist) é introduzida ao mundo de forma singela e interessante, Supergirl se torna ainda melhor em seu segundo ano. Com a mudança de emissora da CBS para a The CW, levando a série para mais perto de suas companheiras da DC Comics, mudaram também as prioridades da série e a trama. Na nova casa, que tinha novas ambições para a heroína além de menos pudor em investir na produção, a produção ganhou um propósito, tomando um rumo acertado e focando em transformar Kara em uma agente integral do DEO, mas sem tirar da jovem sua personalidade.

Os novos episódios de Supergirl focam em seguir um arco que abraça toda a temporada: a batalha contra o Projeto Cadmus, que propõe a eliminação de todos os alienígenas - incluindo Supergirl - da Terra. A ideia de criar um fio condutor para a trama funciona, estabilizando a série e criando um plano de fundo para que vilões menores possam facilmente ir e vir, mas dá importância a nomes maiores - como Lillian Luthor (Brenda Strong). Dessa forma, por mais que ela atue em um plano secundário, fica mais fácil trazê-la de volta quando a situação pede, desenvolvendo continuidade e solidificando toda a narrativa.

Além de trazer tramas inéditas e interessantes, a segunda temporada insiste também em cimentar o fato de que essa é uma série protagonizada por mulheres, sem diminui-las em nenhum momento. A introdução de Maggie Sawyer (Floriana Lima) à vida de Alex Danvers (Chyler Leigh), Rhea (Teri Hatcher), Lena (Katie McGrath) e Lillian Luthor... Todas as personagens citadas não só são parte integral da história como adicionam profundidade à trama. É importante vermos mulheres tão diferentes presentes no mesmo contexto, vilãs e heroínas se enfrentando em situações que põe National City em risco. É bonito ver que tudo está nas mãos delas, que John (David Harewood), James (Mehcad Brooks), Superman (Tyler Hoechlin) e principalmente Mon-El (Chris Wood) são propositalmente deixados de lado.

[Cuidado, possíveis spoilers abaixo!]

Aliás, a relação de Kara e Mon-El é uma das melhores coisas dessa temporada exatamente pelos dois motivos mencionados acima: cria estabilidade narrativa entre os episódios e coloca a jovem Supergirl no controle em quase todas as situações. Além disso, é o relacionamento também que dá base para todo o conflito da temporada. Kara se importa o suficiente com ele para discutir sobre seus terríveis hábitos na primeira parte do ano, enquanto a segunda metade vê a luta dos dois para que o relacionamento dê certo. O embate entre Rhea e Supergirl não existiria se o relacionamento dos dois não existisse, além do trágico final que a temporada propõe.

Supergirl teve uma melhora significativa com relação ao seu primeiro ano e deve seguir em um rumo ainda mais interessante conforme a série progredir. Abrindo as portas para novas raças alienígenas, existem ameaças mil que podem surgir em National City, mas Kara ainda terá que lidar com a perda de Mon-El. Com diversas tramas que podem desenvolver novas narrativas, não só para seus núcleos, como também para o contexto principal, o potencial da série nunca foi tão grande. Que venha mais um ano.

Nota do Crítico
Ótimo